Capítulo IX

1609 Words
— O que aconteceu? Por que está aqui essa hora? — Jonathan estava preocupado com a amiga. — É... — Rebekah estava confusa e media suas palavras. — Estava por perto e resolvi passar por aqui. — A garota desviou o olhar do amigo, tinha certeza que ele saberia que estava mentindo. — Sério? — Jonathan segurou o rosto da amiga e virou para ele. — O que está acontecendo? — Não é nada demais. — Então me conta. — Desculpa ter vindo essa hora. Foi besteira. Não queria atrapalhar, está tarde e você precisa dormir. Outro dia a gente conversa. — Bekah ia sair, mas Jonathan segurou a mão dela e a puxou para perto. — Você vai me falar agora o que está acontecendo. — Ele segurou o rosto da amiga com as duas mãos. — Eu te conheço muito bem, pode falar o que aconteceu. — Tudo bem. — A menina respirou fundo. — Eu... Eu... — Você? — Incentivou-a. — Eu estou grávida. — Ela falou rapidamente. Jonathan tirou as mãos do rosto da amiga e deu um passo para trás. Imaginando uma reação r**m e se lembrando das palavras de sua mãe, Bekah colocou as duas mãos sobre o seu rosto e deixou as lágrimas caírem. Jonathan não disse nada, apenas se aproximou da amiga e a abraçou, fazendo carinho em sua cabeça. Depois de longos minutos em silêncio, Bekah finalmente se acalmou. — Eu preciso ir. — Rapidamente ela soltou-se dele e saiu caminhando, quase correndo. — Bekah! O que está fazendo? — Jonathan a segurou, fazendo-a parar. — Eu preciso ir embora. Não quero te atrapalhar e... — Primeira coisa, você não atrapalha nunca. Segunda coisa, eu jamais te deixaria sozinha. Eu estou com você, sempre, Bekah. — Desculpa. — A morena disse, abaixando seu olhar para o chão. Já imaginava a decepção do amigo. — Está brincando? Não se desculpe comigo. Nunca. Nunca se desculpe comigo. — Não sei porque estou... m***a! — Ela passou a mão pelo cabelo, como se fosse resolver alguma coisa. — É assustador. — Ele comentou, suspirando. — Às vezes tudo parece muito... — Ela buscava a melhor palavra. — Difícil. Acho que não consigo aguentar tudo isso. Ou não sei se vou ser... Forte o suficiente, sabe? — As lágrimas voltaram a cair sobre o rosto de Rebekah. — Forte para encarar isso tudo sozinha. — O quê? Você será forte. Você é forte! Confia em mim. E você não ficará sozinha. Estamos juntos nessa. — O quê? Não! Não, Jonathan! Eu não vou deixar você fazer isso. — Tecnicamente essa escolha não é sua. — Jonathan tentou quebrar um pouco o clima pesado, falando de maneira divertida. — Você tem sua vida. O seu futuro! — Você é o meu futuro. Agora você e o bebê. — Isso é loucura, Jhonny! Eu não vou deixar você jogar tudo... Jonathan interrompeu a fala da amiga com um beijo. Ele estava tão nervoso quanto ela, mas jamais deixaria a amiga, nunca. Rebekah por sua vez, sentia todo seu corpo tremer de nervoso. Não sabia se por conta da notícia, da maneira como Jonathan reagiu, do beijo... Um rebuliço de sentimentos tomava conta dos dois. Diferente do beijo do outro dia, esse parecia diferente. Havia um sentimento nele, um sentimento que Jonathan sabia muito bem qual era, mas para Bekah era novidade e ela não sabia bem como reagir a isso. — Wow! — Eles separaram o beijo ao ouvir a voz de Ray. — Raymond! — Cher chamou sua atenção. — Eu perdi algo ou… — Ray começou a falar, mas logo parou com o beliscão que Cher deu. — Que bom que chegaram! — Bekah ignorou a fala do amigo. — Tenho uma coisa importante para falar com vocês. — Isso é visível! — O amigo estava indignado. — Deixa ela falar, Raymond! Você parece nervosa, Bekah. Aconteceu alguma coisa? — Cher perguntou docemente, se aproximando da menina. — Uau! — Cher disse depois de Bekah contar as novidades a eles. — Então... — Ray assimilava tudo. — Agora vocês estão juntos? — Não! — Bekah exclamou. — Acho... — Ela olhou confusa para Jonathan. — Não estamos "juntos". — Jonathan sinalizou juntos entre aspas. — Porém, até Bekah se estabilizar, estaremos juntos. — Bom, não entendi nada. — Ray falou, fazendo Bekah rir. — Nem eu! — Bekah riu da confusão dos dois. — Bekah, presta atenção! Sua mãe te expulsou de casa e ainda te deixou sem dinheiro. Como você vai sobreviver? Como vai cuidar de tudo? Médico, roupa, fralda, remédio... E todas as coisas que uma criança precisa? — Bekah estava atenta, prestando atenção em tudo que o amigo falava. — O que eu pensei foi o seguinte: você fica no meu apartamento. Tem três quartos que eu antes achava desnecessário, mas agora estou amando. Você fica lá até conseguir estabilizar qualquer coisa na sua vida. Eu não entendo muito dessa parte, mas acho que sua mãe não pode bloquear sua herança depois dos 18. Ou seja, faltam dois anos para isso ainda. Até lá você fica no apartamento. — Mas, Jonathan, o que vou falar para os seus pais? Por qual motivo estaria morando lá? — Com meus pais eu me entendo. O importante é você agora. Você e o bebê. Vocês precisam estar bem, de casa, comida. O resto a gente se vira. — Jonathan tem razão. — Ray concordava com o amigo. — Você precisa aceitar. É a única opção por enquanto. Médico a Cher pode ajeitar para você. E comida a gente se vira. Isso é o de menos. O importante é você estar bem e segura. Bom, vocês. — Está bem. Vocês me convenceram. Mas... Por que a Cher arrumaria o médico? — Bekah encarou a loira confusa. — Bom, quando fomos apresentadas, não fomos formalmente apresentadas. — Cher falou sem graça. — Muito prazer, Cher Caterina Templeton. — Rebekah encarava a menina boquiaberta. — Você é a filha dos Templeton. Do Hospital de Londres! Como assim? — Ela estava boquiaberta. — Bom, sou Rebekah Hope Davenport. Filha de um dos maiores empresários do mundo. Teoricamente herdeira de um império. — A morena riu. — Pelo menos era antes de ser deserdada. — Olha, eu posso até perguntar ao meu pai, mas tenho quase certeza que não se pode deserdar um filho. Ainda mais seu pai que deixou tudo para você. — Ray tranquilizou a amiga. — Bom, está ficando tarde. Eu preciso voltar e vocês precisam dormir. Obrigada por me apoiarem. — Nós sempre faremos isso, Bekah. Jamais vamos te abandonar. — Ray sorriu para ela. — Vocês são os melhores! — Ela puxou os três para uma abraço em grupo. — Eu amo vocês! — Menina Bekah, desculpa atrapalhar. — Charles chamou a atenção deles. — Angelita quer falar com você. — Ele entregou o telefone para ela. — Oi, Angelita. Desculpa ter saído sem avisar. É que... — Ela nem teve tempo de completar a frase. — Bekah, onde você está? Sua mãe está surtando. Colocou suas roupas, bom algumas, na mala e disse para eu te entregar bem longe daqui porque você não mora mais aqui. Eu não estou entendendo nada. O que aconteceu? Charles me disse que está com ele, mas não sei o que está acontecendo? — Ela fez o quê? — Bekah encarou os amigos que olhavam curiosos para ela. — Você tem onde ficar? Pelo menos hoje? Quando ela for embora eu te aviso. — Angelita! Cadê você? — Ela escutou os gritos da sua mãe no fundo. — Eu preciso ir. Mais tarde te ligo. Cuidado, Bekah. — Finalizou sem dar tempo de Rebekah se despedir. — Lilian colocou as minhas roupas nas malas. — Bekah ainda estava assimilando. — Oficialmente sem teto. — Você tem o apartamento do Jonathan. — Ray lembrou a garota. — Você pode ficar lá, Bekah. Vou pegar as chaves e já volto. — Ele saiu e Bekah esperou junto aos amigos. — Finalmente! — Ray exclamou. — Você poderia me explicar por que estavam se beijando? — Raymond! Pelo amor de Deus! — Cher chamou a atenção do namorado. — Eu só queria entender. — Ele se justificou. — Na verdade, eu não sei. — Como assim não sabe? Vai mentir para outra pessoa, não para mim. — Eu contei tudo e ia embora, mas ele me puxou e me beijou. Fiquei confusa, mas deixei rolar. Foi diferente da outra vez. — Outra vez?! — O amigo a encarava incrédulo. — Por que ninguém me contou isso? — Ray, eles não estavam à vontade para contar. — A loira rolou os olhos. — E você pelo visto sabia. — Ele falou com desdém. — Na verdade, eu vi ao vivo e a cores. Foi no baile. — Isso tem mês. E ninguém me contou! Que tipo de amigos vocês são? — Aqui, Bekah. As chaves. Te enviei o endereço. Você pode ficar lá o quanto precisar. Só não tem roupas suas. Mas tem algumas blusas minhas lá. Você pode usar. — Obrigada, gente. De verdade. Vão para dentro. Está tarde. Qualquer novidade eu conto a vocês. — Agora que vem falar isso? — Ray debochou, fazendo Jonathan o encarar confuso. — Amo vocês. Bekah se despediu e saiu dali, entrando no carro. Passou o endereço para Charles e seguiram em silêncio até chegarem ao local. — Obrigada, Charles. Amanhã você e Angelita podem vir aqui? Preciso conversar com vocês. — Claro, Bekah. Você está bem? — Sua voz mostrava preocupação com a menina. — Vou ficar, Charlie. — Ela sorriu para ele.
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