Rebekah estava ansiosa pela chegada de Angelita e Charlie. Caminhava pela sala pela terceira vez, ajeitando o cabelo, conferindo se Kayla ainda dormia. m*l podia esperar para apresentá-la a eles. Eram, sem dúvida, o mais próximo de pai e mãe que ela já tivera.
Quando a campainha tocou, seu coração disparou.
Ao abrir a porta, encontrou os dois sorrindo, como sempre.
— Menina Bekah! — Angelita exclamou, abraçando-a com força. — Como você está bonita!
Rebekah fechou os olhos por um instante, aproveitando o carinho.
— Obrigada, Angelita.
— Trouxemos uma lembrancinha — Charlie disse, envolvendo-a em um abraço apertado. — Não é nada caro, mas escolhemos com carinho.
— Vocês não precisavam… — a morena sorriu, segurando o embrulho. — Entrem, por favor!
Assim que se acomodaram, Jonathan apareceu vindo do quarto, carregando Kayla com todo o cuidado do mundo.
— Conheçam a Kayla — disse baixinho. — Está dormindo… é uma preguiçosa.
Angelita se aproximou devagar, como se tivesse medo de acordá-la.
— Oh… ela é linda demais.
— Parece muito com a menina Bekah — Charlie comentou.
Rebekah observou a filha por alguns segundos.
— Vocês acham? — sorriu, emocionada. — Esperem ver quando ela estiver acordada.
Angelita segurou o rosto da jovem com carinho.
— Que orgulho de você, minha menina.
A frase bateu fundo. Rebekah engoliu em seco.
— Eu devo tudo a vocês — disse, abraçando-a. — Se não fosse por vocês, eu não estaria aqui. Mas antes que eu comece a chorar… vamos comer!
O almoço estava simples, mas feito com dedicação. O assado preenchia a casa com um cheiro aconchegante. Jonathan colocou Kayla no carrinho ao lado da mesa.
— O cheiro está maravilhoso — Charlie elogiou.
— Concordo — Jonathan riu. — Foi difícil resistir enquanto ela cozinhava.
Angelita observava Rebekah com os olhos marejados.
— Há alguns anos, eu preparava sua mamadeira… agora você está na sua casa, com sua família, cozinhando para mim.
Família.
A palavra ecoou dentro dela.
O almoço correu leve. Conversas, risadas, conselhos. Rebekah se sentia… pertencente. Algo que nunca tivera com Lilian.
Quando Angelita e Charlie se despediram, deixaram claro o quanto estavam orgulhosos. Aquilo significava mais do que qualquer presente.
Lilian nunca fora um exemplo de maternidade. Pelo contrário. Parte de Rebekah ainda carregava o medo de repetir erros que nunca foram seus. Mas, ao olhar Kayla dormir tranquila, sentia algo diferente. Uma certeza silenciosa.
Ela faria tudo diferente.
Com Jonathan ao seu lado, sentia que não estava sozinha. No início, achou loucura permitir que ele assumisse esse papel. Agora, tinha certeza: não poderia ter feito uma escolha melhor.
— Em que você está pensando? — Jonathan perguntou, sentando-se ao seu lado no sofá.
— Em como minha vida mudou — respondeu. — Sempre tive medo da maternidade… agora parece que tudo fazia sentido desde o começo. Nosso destino.
Jonathan sorriu, fazendo carinho em sua bochecha.
— Você vai ser uma mãe incrível.
— E você um pai maravilhoso — disse, olhando-o nos olhos. — Eu escolheria você sempre.
Ele riu, nervoso.
— Jura?
— Juro de dedinho.
Jonathan prendeu o dedo mínimo ao dela. Por alguns segundos, se perdeu no olhar de Rebekah. Amava-a em silêncio, e aquele silêncio começava a pesar.
— Meus pais querem vir amanhã — disse, desviando o olhar.
— Claro — ela sorriu. — A casa também é sua.
Naquela noite, deitados em camas separadas, Kayla acordou algumas vezes. Jonathan levantou em todas. Cada gesto dele reforçava algo que Rebekah ainda não ousava nomear.
No dia seguinte, ela acordou cedo. Preparou o café, ajeitou Kayla, escolheu a roupa com cuidado. Queria que tudo estivesse perfeito.
Quando a campainha tocou novamente, o coração de Rebekah apertou.
Natasha e Garry entraram sorridentes.
— m*l posso esperar para conhecê-la — Natasha disse, emocionada. — Ela é linda!
— Tem os seus olhos, Jonathan — Garry comentou.
Rebekah sentiu o peso da mentira. Mas, estranhamente, não parecia errada. Era como se aquele fosse o caminho que a vida insistia em empurrá-los.
Talvez sempre tivesse sido assim.