Rebekah estava sentada na espreguiçadeira, o corpo relaxado sob o sol da tarde, enquanto Cher permanecia próxima, observando tudo com atenção demais para quem dizia estar tranquila. Jonathan, Ray e Joey brincavam de biribol na piscina — sem rede, sem regras claras, apenas jogando a bola de um para o outro, rindo alto, salpicando água para todos os lados.
A câmera fotográfica de Bekah descansava ao seu lado, descarregada depois de dezenas de cliques. Amigos e fotografia: suas duas maiores paixões. Ali, naquele momento, ela sentia que tudo fazia sentido.
— Já pensou no que vai falar com ele? — Cher perguntou, quebrando o silêncio.
— Não… achei que você tinha esquecido disso — Bekah respondeu, desviando o olhar para a piscina.
— Claro que não. — A loira abaixou os óculos escuros e encarou a amiga com um meio sorriso perigoso. — Vou chamar ele.
— O quê? Não!
— Ei, Jonathan, vem cá! — Cher ignorou completamente o protesto.
— Vamos parar um pouco — Ray disse aos meninos.
Jonathan saiu da piscina e se aproximou, ainda pingando.
— Oi, Cher.
— Vou pegar um suco. Quer? — perguntou, já se levantando.
— Sim? — Ele respondeu mais confuso do que decidido.
— Ótimo. Senta aí enquanto isso.
Sem entender muito bem, Jonathan sentou-se na espreguiçadeira que Cher ocupava segundos antes. Ele encarou Rebekah por um instante, mas desviou o olhar quase imediatamente.
— Então… eu preciso falar uma coisa — Rebekah começou, respirando fundo. — Desculpa.
— Desculpa pelo quê? — Ele franziu o cenho.
— Por ontem… e pelo que eu falei hoje. Aquela parte do vômito foi por causa do álcool. — Ela fez uma careta. Jonathan riu. — Sério, promete que nunca mais me deixa beber daquele jeito?
— Certo. Eu prometo.
— E sobre ontem… — Bekah hesitou, procurando palavras. — É que…
— Olha, você não precisa falar nada — Jonathan a interrompeu com suavidade.
— Não, eu preciso. — Ela insistiu. — Eu juro que não quis dizer aquilo… sobre sermos apenas amigos. — Deu ênfase na palavra. — Eu só tenho medo de algo acontecer e não dar certo. Você é meu melhor amigo. Sempre foi. E eu não quero perder isso.
— Bekah… — Ele chamou sua atenção. — Você não precisa se explicar. Pra ser sincero, eu m*l lembro de ontem.
— Jura? — Ela o encarou, apreensiva.
— Sim! Eu até perguntei ao Joey como chegamos em casa. Ao Joey! — Ele exclamou, fazendo Bekah rir.
— Não acredito que o mais sensato da noite foi o Joseph Kingston! — Ela riu. — Que bom que esclarecemos tudo. Cheguei a pensar que você pudesse estar apaixonado por mim.
— Jura? — Jonathan sorriu de canto. — Você sempre vai ser a garota que derrubou o meu lanche, o seu também, e ainda achou que eu estava certo e quis outro.
— Talvez eu tenha me empolgado um pouco — Bekah admitiu, rindo.
— Amizade entre homem e mulher é complicada às vezes — ele disse. — Mas você sempre pode contar comigo.
— Ótimo. Eu estava mesmo precisando de uma opinião.
— Pode falar.
— Estou pensando em colocar silicone. Acha que duzentos mililitros em cada lado está bom? — Ela ajeitou o biquíni, exagerando o gesto.
— É… — Jonathan pigarreou, claramente desconcertado. — Depende…
— Ei! — Joey se aproximou. — Opa, atrapalhei alguma coisa?
— Não! — Bekah respondeu rápido demais. — Só estou perguntando o que o Jonathan acha de eu colocar silicone.
— Eu acho que você está perfeita assim — Joey comentou, piscando para ela. Jonathan revirou os olhos. — Mas duzentos mililitros não ficariam tão ruins…
Jonathan pigarreou de novo.
— Acho que estou com fome — disse, mudando de assunto.
— Eu também — Ray apareceu. — Na verdade, vim perguntar quando vamos comer, mas acabei distraindo.
Pouco depois, Angelita serviu o churrasco.
Bekah observava os amigos rindo, conversando, discutindo bobagens. Sentia-se feliz. Não porque Jonathan e Ray não fossem suficientes, ela os amava incondicionalmente, mas porque Joey e Cher tinham trazido novas cores para sua vida. E ela seria grata por isso.
Quatro semanas depois, Bekah acordou enjoada novamente. Aquela sensação já tinha se tornado comum.
Pensativa, decidiu ir à farmácia. Estava desanimada desde que Joey se mudara para os Estados Unidos, levado às pressas pela decisão do pai. O pior era saber que ele não queria ir. Que o pai odiava o contato entre eles. Que destruíra seu telefone.
Pelo menos ele avisara antes.
Vestiu-se rápido e desceu as escadas, encontrando Angelita na cozinha.
— Bom dia, pequena Bekah.
O cheiro de panquecas fez seu estômago revirar.
— Bom dia… — Ela engoliu em seco. — Vou comprar um remédio. Já volto.
Saiu quase correndo. Duas quadras depois, entrou na farmácia. O cheiro de fumaça a atingiu imediatamente.
— Olá? — chamou uma garota ao fundo, fumando e mexendo no celular.
— Pode fumar aqui? — perguntou, sem pensar.
— Meus pais são os donos. — A garota deu de ombros. — O que vai querer?
— Tenho enjoado todos os dias. Tem algum remédio?
A garota abriu um livro.
— Diarreia?
— Não.
— Febre?
— Não.
— Cólica estomacal?
— Não.
— A menstruação atrasou?
Bekah hesitou.
— Sim.
Sem dizer nada, a garota colocou um teste de gravidez no balcão.
— Não… — Rebekah murmurou.
— É virgem?
— Não. Tomei a pílula do dia seguinte.
— Noventa por cento segura. Os dez restantes são os que engravidam. — Ela apontou para o banheiro. — Pode usar ali.
Minutos depois, duas linhas surgiram.
— d***a… — murmurou.
Saiu do banheiro mostrando o teste.
— m*l, né… — a garota comentou. — Se quiser, tenho uns remédios…
— Preciso pensar. Obrigada.
Saiu da farmácia atordoada. Grávida.
A palavra martelava em sua mente enquanto caminhava sem rumo até o parque. Sentou-se em um banco, lágrimas escorrendo sem controle.
Pegou o celular e digitou para Jonathan.
“Jhonny, você está aí? A gente pode conversar?”
“Estou no meio da aula, mas te ligo já.”
Bekah permaneceu sentada, olhando para o nada, tentando entender como tudo tinha mudado tão rápido.