Capítulo VII - Parte 2

1036 Words
Rebekah estava sentada na espreguiçadeira, o corpo relaxado sob o sol da tarde, enquanto Cher permanecia próxima, observando tudo com atenção demais para quem dizia estar tranquila. Jonathan, Ray e Joey brincavam de biribol na piscina — sem rede, sem regras claras, apenas jogando a bola de um para o outro, rindo alto, salpicando água para todos os lados. A câmera fotográfica de Bekah descansava ao seu lado, descarregada depois de dezenas de cliques. Amigos e fotografia: suas duas maiores paixões. Ali, naquele momento, ela sentia que tudo fazia sentido. — Já pensou no que vai falar com ele? — Cher perguntou, quebrando o silêncio. — Não… achei que você tinha esquecido disso — Bekah respondeu, desviando o olhar para a piscina. — Claro que não. — A loira abaixou os óculos escuros e encarou a amiga com um meio sorriso perigoso. — Vou chamar ele. — O quê? Não! — Ei, Jonathan, vem cá! — Cher ignorou completamente o protesto. — Vamos parar um pouco — Ray disse aos meninos. Jonathan saiu da piscina e se aproximou, ainda pingando. — Oi, Cher. — Vou pegar um suco. Quer? — perguntou, já se levantando. — Sim? — Ele respondeu mais confuso do que decidido. — Ótimo. Senta aí enquanto isso. Sem entender muito bem, Jonathan sentou-se na espreguiçadeira que Cher ocupava segundos antes. Ele encarou Rebekah por um instante, mas desviou o olhar quase imediatamente. — Então… eu preciso falar uma coisa — Rebekah começou, respirando fundo. — Desculpa. — Desculpa pelo quê? — Ele franziu o cenho. — Por ontem… e pelo que eu falei hoje. Aquela parte do vômito foi por causa do álcool. — Ela fez uma careta. Jonathan riu. — Sério, promete que nunca mais me deixa beber daquele jeito? — Certo. Eu prometo. — E sobre ontem… — Bekah hesitou, procurando palavras. — É que… — Olha, você não precisa falar nada — Jonathan a interrompeu com suavidade. — Não, eu preciso. — Ela insistiu. — Eu juro que não quis dizer aquilo… sobre sermos apenas amigos. — Deu ênfase na palavra. — Eu só tenho medo de algo acontecer e não dar certo. Você é meu melhor amigo. Sempre foi. E eu não quero perder isso. — Bekah… — Ele chamou sua atenção. — Você não precisa se explicar. Pra ser sincero, eu m*l lembro de ontem. — Jura? — Ela o encarou, apreensiva. — Sim! Eu até perguntei ao Joey como chegamos em casa. Ao Joey! — Ele exclamou, fazendo Bekah rir. — Não acredito que o mais sensato da noite foi o Joseph Kingston! — Ela riu. — Que bom que esclarecemos tudo. Cheguei a pensar que você pudesse estar apaixonado por mim. — Jura? — Jonathan sorriu de canto. — Você sempre vai ser a garota que derrubou o meu lanche, o seu também, e ainda achou que eu estava certo e quis outro. — Talvez eu tenha me empolgado um pouco — Bekah admitiu, rindo. — Amizade entre homem e mulher é complicada às vezes — ele disse. — Mas você sempre pode contar comigo. — Ótimo. Eu estava mesmo precisando de uma opinião. — Pode falar. — Estou pensando em colocar silicone. Acha que duzentos mililitros em cada lado está bom? — Ela ajeitou o biquíni, exagerando o gesto. — É… — Jonathan pigarreou, claramente desconcertado. — Depende… — Ei! — Joey se aproximou. — Opa, atrapalhei alguma coisa? — Não! — Bekah respondeu rápido demais. — Só estou perguntando o que o Jonathan acha de eu colocar silicone. — Eu acho que você está perfeita assim — Joey comentou, piscando para ela. Jonathan revirou os olhos. — Mas duzentos mililitros não ficariam tão ruins… Jonathan pigarreou de novo. — Acho que estou com fome — disse, mudando de assunto. — Eu também — Ray apareceu. — Na verdade, vim perguntar quando vamos comer, mas acabei distraindo. Pouco depois, Angelita serviu o churrasco. Bekah observava os amigos rindo, conversando, discutindo bobagens. Sentia-se feliz. Não porque Jonathan e Ray não fossem suficientes, ela os amava incondicionalmente, mas porque Joey e Cher tinham trazido novas cores para sua vida. E ela seria grata por isso. Quatro semanas depois, Bekah acordou enjoada novamente. Aquela sensação já tinha se tornado comum. Pensativa, decidiu ir à farmácia. Estava desanimada desde que Joey se mudara para os Estados Unidos, levado às pressas pela decisão do pai. O pior era saber que ele não queria ir. Que o pai odiava o contato entre eles. Que destruíra seu telefone. Pelo menos ele avisara antes. Vestiu-se rápido e desceu as escadas, encontrando Angelita na cozinha. — Bom dia, pequena Bekah. O cheiro de panquecas fez seu estômago revirar. — Bom dia… — Ela engoliu em seco. — Vou comprar um remédio. Já volto. Saiu quase correndo. Duas quadras depois, entrou na farmácia. O cheiro de fumaça a atingiu imediatamente. — Olá? — chamou uma garota ao fundo, fumando e mexendo no celular. — Pode fumar aqui? — perguntou, sem pensar. — Meus pais são os donos. — A garota deu de ombros. — O que vai querer? — Tenho enjoado todos os dias. Tem algum remédio? A garota abriu um livro. — Diarreia? — Não. — Febre? — Não. — Cólica estomacal? — Não. — A menstruação atrasou? Bekah hesitou. — Sim. Sem dizer nada, a garota colocou um teste de gravidez no balcão. — Não… — Rebekah murmurou. — É virgem? — Não. Tomei a pílula do dia seguinte. — Noventa por cento segura. Os dez restantes são os que engravidam. — Ela apontou para o banheiro. — Pode usar ali. Minutos depois, duas linhas surgiram. — d***a… — murmurou. Saiu do banheiro mostrando o teste. — m*l, né… — a garota comentou. — Se quiser, tenho uns remédios… — Preciso pensar. Obrigada. Saiu da farmácia atordoada. Grávida. A palavra martelava em sua mente enquanto caminhava sem rumo até o parque. Sentou-se em um banco, lágrimas escorrendo sem controle. Pegou o celular e digitou para Jonathan. “Jhonny, você está aí? A gente pode conversar?” “Estou no meio da aula, mas te ligo já.” Bekah permaneceu sentada, olhando para o nada, tentando entender como tudo tinha mudado tão rápido.
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