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Não precisam ter pressa de voltar.
Mas, quando quiserem,
Fala pro Isaac me mandar uma mensagem,
Que eu busco vocês.
Faça-o se divertir.
E, se você contar a ele qualquer coisa sobre a nossa conversa de ontem,
Eu quebro suas pernas.
As mensagens enviadas entre 19h26 e 19h28 foram recebidas e notificadas somente às 19h31, sendo lidas 10 minutos depois, com um imenso temor por parte de Nathan. Entretanto, foi só às 19h44 que Nathan chegou à interpretação óbvia e mais correta acerca daquela ordem, em específico. Pois, Ítalo não havia escrito “divirtam-se”. De forma alguma. Ele havia dito para Nathan fazer com que Isaac se divertisse.
Nathan era tão bom péssimo ator, ou seja, um tão péssimo bom ator, que não conseguiria convencer sequer uma criança de 4 anos que a causa de ele falar embolado era por ter sido picado na língua por uma abelha, sofrendo agora de uma crise alérgica. Nem uma criança de 4 anos, nem Bernardo, ou Heloisa, ou Caio, que escolheram fingir não ver. E muito menos Gabriel, que passara a tarde anterior inteira questionando em retórica:
— Foi ele, não foi? Ah, eu sabia que não era coisa boa... E agora você está assim, olha pra você! — Na verdade, Nathan preferia não olhar. Mas, até que ele não estava tão m*l assim. Acontece que o Gabriel irritado é como uma garotinha de 10 que “mamãe! esse garoto malvado estourou minha bóia com o palito, briga com ele!”. Ele só estava dando o seu showzinho. — Eu sei que foi ele. Aquele gótico cara-de-cu! Sim ou não?
Felizmente para Nathan, que subira para o quarto no dia anterior sem que os pais o vissem direito, Isaac não era uma criança de 4 anos, ou Bernardo, ou Heloísa, ou o Caio, e muito menos Gabriel. Porque Isaac achava totalmente plausível que a tal abelha, ora bolas, tivesse picado Nathan enquanto ele tomava um Guaravita.
— Mas você está bem agora, né? — perguntou Isaac.
— Sim, estou — Nathanael afirmou.
O que não era mentira. Seu ouvido parara de zumbir e certas cicatrizes trataram de estancar o sangue na boca de Nathan, e, com tanto que a língua dele não encostasse sem querer e de mau jeito na bochecha ou na gengiva, nem dava mais para sentir a dor; como se tudo aquilo não tivesse passado de um déjà-vu.
— Hum, quer comprar doce? — questionou Isaac.
— Não vamos comprar os ingressos?
— Gosto de comprar os doces antes.
Nathan jogou os ombros, não tirando os olhos do celular que acabara de pensar como desculpa para não encarar Isaac. Aos poucos, para Nathan, tudo que ele e Isaac faziam nesse encontro tedioso era, bem, um tédio: objetivo e sem muitas piruetas narrativas. Comparou aquele dia à languidez de se ler uma tragédia grega. Jogou os ombros novamente, ao pensar nisso.
E, na língua de amor platônico de Isaac, isso pareceu significar um “sim” à sua proposta.
Foram então à loja mais movimentada do shopping, uma de emblema vermelho e com nome continental, sabe. Lá, Nathan disse que era melhor se dividirem, sob o pretexto de ser mais rápido. Ocultando a justificativa real de ele só querer ficar sozinho, desgrudar um pouco. Isaac, então, bolou um plano estratégico “para economizar tempo”. Nathan estaria encarregado de mover a sua b***a sedentária e cara de tédio pelos corredores das guloseimas em busca de amendoim e Fini's daqueles de banana e gengiva, e Isaac pegaria o chocolate e as duas latas de Coca-Cola.
Em algum momento daquele marasmo todo, Nathan passou a simplesmente distrair o olhar nas embalagens, preços e pessoas de rosto que ele não percebia direito. Eu sempre vou te amar / Por toda a minha vida eu vou te amar / E em cada despedida eu vou te amar / Desesperadamente, eu sei que vou te amar preenchia o ambiente da loja enquanto Nathan andarilhava à cata de coisas que, embora fossem poucas e simples, ele vez ou outra esquecia. Pensou em mandar uma mensagem para Gabriel — a fim de (se) matar o tempo e a angústia —, mas desistiu, compreendendo não ter nada de mais para dizer a ele, se não uma série de emojis entediados e onomatopeias de sono e aborrecimento.
Nathan já havia garimpado os Fini's — com muito mais lerdeza que o necessário, justamente para aproveitar os instantes de alívio para sua alma encarcerada —, e agora estava indo em busca do amendoim quando cruzou pelo corredor dos brinquedos e foi alvejado por projéteis de munição plástica e colorida, que vieram acompanhadas de um “ah-rá!”.
Graças ao susto que lhe arregalou os olhos, e como que protegendo os pacotes em suas mãos, Nathan não conseguiu sequer erguer os braços em sua defesa. Um tiro de Nerf o havia acertado de forma bem dolorosa, e saber de onde tinha vindo só piorava a dor. E ele gemeu.
— Ai! Ai!
— Desculpa, desculpa! Ei, Nath — Nath? —, você está bem?!
— Você atirou no meu olho!
— Eu sei, desculpa! Não foi pra te machucar, era brincadeira.
— Você atirou no meu olho! — repetiu Nathanael, indignado. Ele havia atirado no olho dele!
— Eu já pedi desculpa!
Mas desculpas não fazem a dor parar de doer; e nem despresurrizavam o peso de Ítalo o estar ameaçando e vindo a cumprir com as ameaças, caso Nathan não sentasse o traseiro na cadeira do cinema e ficasse aguentando Isaac naquele encontro forçado por, pelo menos, duas horas.
— Esquece — disse Nathan, piscando para massagear a retina. — Vamos pagar logo isso.
Pois foram. Enfrentaram a fila que, para Isaac, não parecia tão penosa, estando na presença de Nathan; enquanto, para o loiro, já era penosa o suficiente.
Passou-se alguns minutos até Isaac ajeitar as latinhas de refrigerante e as barrinhas de Snickers num braço só, deslizando ardilosamente as costas dos dedos pelo pulso de Nathan.
— Posso segurar na sua mão?
— Acho melhor não.
— Ainda está bravo pelo olho? Eu pedi desculpa. Era para brincarmos de Star Wars. Viu que era uma Snurf do Star Wars?
E aí estava a chance de Nathan pensar em verbalizar toda a frustração que até agora somente pingava por fora da tampa através da sua expressão indiferente. Ele iria fazer com que Isaac não o quisesse ouvir mais.
— Star Wars é uma merda.
— Como assim?
— Star Wars. A saga. Uma merda.
— Prefere as HQs?
— Tudo é uma merda.
— Então qual é a sua saga de filme preferida?
— Nenhuma.
— Livro preferido?
— Não gosto de ler livros.
— Hum.
Isso fez Isaac se calar por um tempo. Mas não desistir.
— Dá pra tirar a mão?
— Por favor? — pediu Isaac. — Só enquanto a gente não chega no caixa.
E, já vencido pela impaciência e persistência do garoto, decidiu que, ah, vai, deixa essa merda, então.
Nathan achou que decidiu estar tudo bem.
Isaac entrelaçou seus dedos nos de Nathan com a calma de quem procura a posição mais confortável para si e a julga confortável também para com quem se está dando a mão. E sorriu. Um sorriso honesto, quase ingênuo, e timidamente reconfortante.
Mas isso só fez a fila ficar mais penosa. E, como proposto, assim que um quiche ecoou: “próximo!”, Nathan fez questão de se desvencilhar da mão metaforicamente pegajosa de um Monteiro pentelho. O sorriso de Isaac foi se esvaindo junto.
— Eu te machuquei de verdade? Tem certeza que está tudo bem?
— A cada vez que você me pergunta isso, fica menos.
— Desculpa.
— Para de pedir desculpa! Isso irrita.
— Desculpa.
Sabe, Nathan era alguém, digamos, amorosamente transitório; emocionalmente moderno; praticamente uma p*****a. Mas ele já se imaginara tendo um encontro como esse, sim: no cinema, com chocolate, risos, carícias, elogios, conversa jogada fora... Se imaginara andarilhando sem destino por entre as lojas daquele shopping enorme, com um garoto tão fofo e divertido quanto Isaac supostamente era para a maioria dos outros garotos. Se imaginara adorando tudo isso: pedido de namoro, anel, conchinha e beijos rotineiros demorados. E mãos dadas em lugares públicos, e convivência agradável, que não desgastaria nem a relação, nem Nathan. Que, quanto mais perto e por mais tempo, por mais tempo e perto se quer ficar. Porém, essa não era a sua realidade; ele queria querer isso, mas não queria, de fato. Porque relacionamentos dão trabalho. Monopolizam. Criam responsabilidades em todos os sentidos. A afetiva era a pior delas.
Encarando Isaac, que andava intercalando a atenção entre a curiosidade de ver os anúncios e produtos das lojas e a admiração ao olhar para Nathan, que desviava o olhar sem jeito. Pois ele não estava disposto a ser babá afetiva de ninguém. Ainda menos de Isaac.
Ia dar 20h12 quando Nathan chegou definitivamente à conclusão de que, se quisesse se livrar de Isaac, deveria fazê-lo perder o interesse por si — tentando se precaver para deixar na cara de Ítalo que o fato de ele agir como um cuzão era graças ao fato de ele ser realmente um cuzão, com o qual o irmão dele não deveria ter saído, afinal de contas. E não porque Nathan queria sabotar o encontro.
— Vamos, já vai começar — anunciou Isaac. E, meio apressado, mas certamente com essa intenção, puxou Nathan pela mão até chegarem à escada rolante.
O toque quente de Nathan sobre a palma. Sentir corpo a corpo se resvalando, movendo-se juntos. O plano de Isaac era ficar assim na fila e na hora de comprar a pipoca e pagar os ingressos, por mais desconfortável que pudesse parecer, e ele continuaria, caso Nathan não tivesse se soltado dele logo que pisaram no primeiro degrau, limpando na calça um suor nervoso e repulsivo de Isaac que na verdade nem havia na mão do loiro. Foi só para mostrar a Isaac.
— Doce, salgada, com manteiga ou sem? — interrogou, ao chegarem à fila dos acompanhamentos.
— O quê?
— A pipoca.
— Ah tá. — Ah tá. — Tanto faz. Eu não ligo.
— Salgada e com manteiga, então?
— Eu não ligo.
Ficaram nessa um bom tempo, considerando e descartando as opções disponíveis, e inventando novas: que tal... doce com manteiga? Ah, melhor salgada e manteiga mesmo... Se bem que fica forte, né, se ainda colocar sal... Tem como pôr pimenta na pipoca doce?
Quando chegaram à fila para comprar os ingressos, Isaac já estava cansado de filas. E essa iria demorar. Se, por algum evento telepático, Nathan soubesse que ele se arrependia de ter pegado a fila só agora, responderia: “E é por isso que compramos os ingressos com antecedência, para depois comprar as coisas.” Contudo, tendo ciência ou não que Isaac estava se culpando por isso, agora Nathan ficara ainda mais puto com ele, por causa disso.
20h48.
— Trouxe sua carteirinha de estudante? — perguntou Isaac a Nathan, quando finalmente chegaram à atendente de caixa.
— Não. — Sim. Mas, relaxa, eu deixo você se f***r aí, pagando uma inteira.
— Dublado ou legendado?
— Não consigo me concentrar na interpretação dos atores quando tenho que perder tempo lendo.
— Então, dublad-?
— Mas também me incomoda ver a boca dos atores abrindo e fechando de um jeito que fica uma merda, com o áudio em português. Uma merda.
Isaac, mordendo o lábio de canto, decidiu achar Nathan um cara curioso, divertido, de sinceridade e opinião forte e muito, mas muito sexy com a expressão que ele estava agora, e não simplesmente o garoto m*l-humorado e impaciente que Isaac mais teve azar do que sorte de ter marcado um encontro com ele. Nathan detestava até o fato de um garoto mais novo que ele ser também mais alto.
— Normal ou em 3D?
— Cara, eu não ligo.
— Dublado, em 3D, uma meia e uma inteira, por favor, obrigado. — A atendente lhe sorriu.
Os dois chegaram na hora, mas foi por pouco — a fila da pipoca era um verdadeiro purgatório. Ao adentrarem a sala penumbrosa, Nathan percebeu que já havia começado a reprise do filme eu não ligo, para então anunciar o trailer de eu não ligo — parte 2, que já estava disponível nos cinemas, e com aquele ator famoso lá, sabe! Que, qual era o nome dele mesmo?... Ah sim! Era o Robert Eu Não Tô nem Aí, junto da Eliza Tanto Faz Cara Vamos nos Sentar Logo. E assim fizeram: Isaac se aconchegou na cadeira de posição K(aralho!)19 e Nathan, na 20, porque era mais próxima ao corredor. Lugar estratégico, é verdade, caso ele quisesse (fugir, escapar, escafeder-se, fazer uma visita à p**a que pariu, meter o pé) ir ao banheiro.
Começara o filme e Nathan não estava nem um pouco confortável. Remexia-se no assento, ajeitando os óculos 3D de um lado para o outro, e ele se levantava e abaixava o apoio do braço a todo o momento, como se, por acaso, fosse ali que estivesse o problema. Ao ponto de até se esquecer a que filme estava assistindo.
— Capitã Marvel, lembra? — sussurrou Isaac.
— ...
Após toda aquela batalha espacial com naves, lasers e o c*****o, Isaac viu Nathan de repente não tão emburrado quanto antes. O filme parecia o entreter minimamente. Mas Isaac também sabia entreter.
Ele escorregou convenientemente e com muito cuidado o braço por cima dos ombros de Nathan, suplantando um sorrisinho nervoso e um rosto que se avermelhava a cada centímetro que ele avançava. Nathan gelou sob ele, e Isaac manteve-se do jeitinho que estava até achar seguro para continuar. Segundos se passaram, mas não a tímida ousadia de Isaac, que, mais por ansiedade do que malícia, se achava na obrigação de seguir o paradigma clichê do encontro de cinema: mãos dadas, braço no pescoço de quem se está gostando, beijinho casto naquele breu, enquanto o protagonista resgatava a princesa no filme, e, para os mais atrevidos, valia até mesmo um boquetinho discreto. Para Isaac, as etapas eram importantes. Ora, ele só se masturbara uma vez, no mês retrasado, a título de curiosidade: queria saber qual era a sensação, para, quando estivesse com um garoto lá no eu-acho-que-vou...!!!, não fizesse uma careta, ou se machucasse ou ao seu parceiro e coisa e tal. Isaac era bem gatilhado com isso, e gostava de seguir etapas. Tudo bem. Com Nathan, se ele quisesse, passaria por todas elas sorrindo.
A Brie Larson — Nathan não lembrava o nome de não-super-heroína da personagem dela — ainda estava interpretando uma alienígena perdida na Terra quando os dedos hábeis de Isaac serpentearam pelos cabelos loiros, formando cachinhos e os desfazendo, ou simplesmente acariciando o couro cabeludo num cafuné, ou ainda os puxando levemente, talvez na tentativa de mostrar que podia ser tão sexy quanto fofo.
Mas isso já era demais.
— Dá pra tirar a mão? — Agora.
— Está machucando?
— Tira a mão.
O acordo era sair com Isaac. Isto é, assistir a um filminho, beber aquela latinha de Coca na mão de Nathan, provar o amendoim e engolir aquela pipoca até ficar com aquelas bolotinhas chatas entre os dentes. Não necessariamente dar as mãos, ou selinhos, ou seguir as tais etapas. Até porque, Nathan não gostava de seguir etapas. Ele preferia mais a parte do e tapas.
— Não gosta que toquem no seu cabelo?
— O que você acha?
— Mas estamos no cinema.
— E é por isso que você deveria estar assistindo ao filme.
Isaac achou que iria pedir desculpas. Mas, a julgar pelo jeito devorador com que Nathan o estava encarando sob aquela iluminação humilde do cinema, Isaac também achou que, se se desculpasse de novo, Nathan iria jogá-lo da escada rolante. Por isso, fez sua mão apaixonada deslizar por Nathan até conseguir tatear seu rosto no escuro, distribuindo carícias num caminho que ia e volta entre o maxilar e o pescoço. De uma forma muito inocente, quase que no acaso de quem não sabe onde pôr as mãos e decide, então, abrigá-las, no bolso.
Talvez fosse por causa do ar-condicionado. Talvez, porque Isaac estava mais nervoso e feliz por Nathan estar ali do que deixava transparecer. Talvez, porque o fato de Nathan já estar carrancudo fazia-o ficar carrancudo antes mesmo de lhe ser apresentado um motivo para estampar a carranca. Mas sucedia que as mãos de Isaac eram muito pegajosas, em metáfora, o que fazia o cérebro de Nathan acreditar que eram pegajosas literalmente, gotejantes de suor inexistentes. E de repente a mão de Isaac e seus toques, por mais sutis que fossem, eram quentes demais para o rostinho de olhos azuis, refrescado no ar-condicionado do shopping.
Nathan tinha uma escolha a fazer. Era matar ou morrer. Bater ou apanhar. Explorar ou ser explorado. Team URSS ou Team EUA, no séc. XX.
Ele teve o trabalho de desgarrar o braço de Isaac de cima dos seus ombros, com o cuidado de quem tenta se desvencilhar de uma cobra que ainda não atacou. Imediatamente, compreendendo que era mais um não, sentiu-se repreendido como uma criança de seis anos que tinha pegado o tecido da cortina para fazer um vestido. Entretanto, do mesmo modo que “vão-se os anéis e ficam-se os dedos”, agora era Nathan que dedilhava o braço de Isaac até encontrar as mechas que lhe caíam na nuca, e ali se aninhou, oferecendo seus cafunés aos fios morenos.
Tocar ou ser tocado.
E isso manteve Isaac entretido por um tempinho, é verdade. Até o ponto em que os dedos de Nathan começaram a reclamar de câimbra, a se esgotar, e, junto com eles, a paciência de seu dono.
A palma ficara inerte de supetão, e Isaac obviamente percebeu, mas não iria se queixar, dizendo algo como “pode continuar?”, ou um murmúrio sequer, estando ele feliz pela caridade. Em seguida, teve que se ajeitar na poltrona, para que Nathan conseguisse se desenroscar; sem muita preocupação se Isaac iria levar uma cotovelada.
Nathanael pescou o celular no bolso direito enquanto pedia licença-com-licença-por-favor. Quando Isaac menos viu, Nathan já se levantara, escorregando para cada vez mais longe da sua presença não mais do que como um vulto naquele corredor escuro.
Ele desceu pela escada rolante e ziguezagueou por todo o andar duplamente abaixo do qual Isaac estava, buscando por entre as vitrines algo para matar o tempo.
Ligou os dados móveis e foi notificado sobre uma série de mensagens de grupos os quais Nathan não teria paciência para visualizar agora; e havia as de Gabriel também. Olhou para o canto não tão chamativo daquele andar, um que não continha “Di Santini” ou “Starbucks” escrito em placas luminosas, e que, pela movimentação frequente de pessoas, Nathan julgou ser o banheiro.
Adentrou ali e logo foi desesperadamente à cata de uma cabine vazia, na pressa de quem está sendo no campo de visão de um — garoto grudento — assassino em série, na pressa de uma diarreia. Abaixou o assento e a tampa do vaso com um pedaço de papel higiênico, como se fosse uma luva de apenas três dedos, e abriu o w******p, sentando-se ali para ler:
Gaaaaaaaara
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Fez o dever de bio? [19:57]
Eiiiii, eu preciso das respostas! Essa merda é muito chata [20:15]
Tá jogando Minecraft sem mim, por acato?? [20:42]
Acaso* [20:42]
Heeeeeeiiin? [20:45]
Ei, Nathan [20:51]
Cara, você ao menos está em CASA, por acato?? [21:31]
Mas que c*****o [21:31]
Acaso**** [21:32]
Heeeeeeiiin? [21:37]
Nathan sorriu. Porque, diferentemente das carências de um garoto mimado e possessivo emocionalmente, as carências de Gabriel eram tão divertidas quanto facilmente solucionáveis, e Nathan adorava se fazer de quem nem ligava, para saná-las.
Só joguei rapidinho quando cheguei em casa, por isso não te mandei mensagem. Estou na rua agora. Mas acho que respondi A, C, C, D, B, A. Eu acho... [21:47]
Mal a mensagem havia sido enviada, e um Gabriel telepático ou vidente já habitava o chat.
Finalmente!!! [21:47]
Onde você tá? [21:48]
Longa história [21:48]
Não estou com pressa. [21:48]