05. Milk

1047 Words
Kitty — Milk, vem aqui — digo agitando o pote da sua ração, e com aquela expressão que diz: escrava, me alimente, o gato caminha majestosamente até onde estou. Gatos sabem como encarnar as suas vontades de mandar, nós apenas obedecemos. Agachada, coloco a sua comida no pote, verificando sua água e, enquanto Milk enfia sua cara na ração, vou em busca de água limpa. Solto um bocejo. Verifico o relógio na parede e penso no que posso comer hoje. Deve ter sobrado algo da janta, talvez algum pão. Tentando não queimar meus fusíveis tão cedo, vou para meu quarto depois de reabastecer a água de Milk e o gatinho não liga para o que faço agora que já lhe dei a sua comida. Tomo um banho rápido e vejo que Amara me mandou uma mensagem dizendo que virá me buscar para irmos para a academia juntas. Confirmo dizendo que a amo e ela manda uma figurinha de nojo. Sorrio antes de correr para a cozinha para comer algo como pré-treino. Tenho algum tempo até que ela venha, mas não quero deixá-la esperando. Minutos mais tarde, estávamos rindo juntas dentro do seu carro. O bichinho de pelúcia em forma de jacaré, preso com um cinto, anuncia que é uma mãe que faz tudo pelo seu filho. — Ele veio com uma conversa estranha, aí pedi que ele mandasse uma foto, não iria confirmar nada antes de ter certeza de que não estava falando com um estranho — fala Amara. É quem mais se aventura em aplicativos de relacionamento, o que nos dá boas doses de risadas por conta de situações como essa. — Ter cuidado é bom — digo, e ela o teria mesmo que não avisássemos. Como mãe, não consegue se desprender daquilo que pode afetar o seu filho. — Claro, iria pedir para nos encontrarmos em um lugar público, seguiria as nossas regras, sabe como é — declara Amara, e entendo, como somos todas mulheres que saem em aventuras, temos alguns códigos e cuidados que tomamos. Jamais saímos com qualquer pessoa sem que alguém tenha sido avisada. Também mandamos um aviso de retorno seguro para garantir que ninguém chame a polícia por estar preocupada, e aconteceu uma vez, porque Júlia ficou tão cansada depois de sua f**a que esqueceu de nos informar que estava em casa. Fiquei com uma cara de tacho na frente do policial, porém, até que valeu a pena, já que conseguiu um encontro com o gato depois. Quando está sem a farda, também é um homem querendo um encontro casual. — Mas era um pirralho, não deve ter nem dezoito anos — reclama Amara e me olha de soslaio quando solto uma gargalhada. — Quase que você acabava atrás das grades, bebê — digo sem conseguir conter a risada. Sendo franca, não entendo quem mente em suas contas nos aplicativos, o que pensam que acontecerá quando, durante o encontro, a pessoa perceber que mentiu. Não é como se tivesse mentido sobre gostar de uma comida, está assumindo a identidade de outra pessoa. O que, além de tudo, é crime. — Nem me fale, olhe para mim, não tenho tempo de esperar um homem amadurecer, tenho mais o que fazer — Amara volta a reclamar enquanto rio. — Idade não é importante, se ele for um adulto, claro — aponto, com ela sendo aquela a rir. — Sabe o quanto está em alta o tema age gap? — Não estamos em um livro Kit Kat, e mesmo que idade não importe, não estão distribuindo machos bons em cada esquina — me recorda Amara, e claro, sei disso, mas quem sabe, diferente de mim, não deixa de fazer tentativas, tem mais chances de encontrar alguém que a ame como merece. — Que tal euzinha? Mark me ama — brinco e ela revira os olhos, ignorando minhas palavras enquanto estaciona. — O que Mark pensa é importante, é o meu filho, não quero fazer nada que o machuque, mas não posso escolher só pensando nele — profere Amara, e está certa, merece pensar em seu coração. Não tem que viver somente como mãe sempre. É uma mãe com seus próprios interesses que se estendem para além do que o filho precisa. Fora que Mark é esperto, deve apenas desejar que sua mãe encontre alguém legal que possa fazê-la feliz. — Não vai, tem sido uma mãe incrível — garanto a ela. — Agora vamos queimar aquelas calorias das bebidas para que eu não tenha uma pancinha. — Não tem como ter uma pança aí — fala Amara apontando para o meu corpo, e posso mais uma vez agradecer à minha genética. Meu fenótipo é magro, assim, não importa muito o que como, continuo mantendo meu peso. Os exercícios são para garantir que não morrerei se precisar subir grandes escadas. Claro, a parte de manter a saúde também é importante. Olho para Amara, que me ignora, salta para fora do seu carro, esperando que faça igual para o travar. — A Júlia hoje vai f***r com a gente, você sabe — declaro, mas ela apenas sorri sem ligar muito, porque Júlia considera o que a gente quer somente quando é nossa amiga, como nossa Personal é uma carrasca. É conhecida por isso, e também pelos peitões lindos. A natureza foi generosa com ela. — Fale menos e ande mais — pede Amara, entortando os lábios e a sigo, se aproxima assim que um grupo de homens começa a sair da academia. — Entendo por que a Júlia consegue tantos pretendentes bons. — O local de trabalho é uma vantagem para aquela vaca — garanto, sorrindo, passamos pela porta de vidro e é fácil ver Júlia quando está com o seu conjunto neon verde dando ordens a um cara que parece perto de cuspir o próprio coração enquanto malha as pernas. Como todos sabem, ela não tem dó. Nos adiantamos para podermos averiguar o nosso treino de hoje e não demora para que Júlia nos veja. Dentro desse lugar, é como uma águia que pode pegar qualquer presa e nós com certeza estamos em seu cardápio, talvez chegue em casa com minhas pernas caindo hoje. Quem sabe tenha sorte e Javier já tenha resolvido a questão com o Dylan. Seria uma boa notícia para o dia.
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