Capítulo 1

2309 Words
~ Veronica narrando... — Meu nome vocês sabem, agora deixa eu falar um pouco sobre mim, tenho 15 anos e moro em São Paulo, Barueri... eu moro tipo em uma vilinha sabe, é um portão que tu entra e tem um corredor com diversas casas uma coladinha na outra quase, pra minha sorte moro na primeira. Moro com minha mãe, meu pai, bom ele não é meu pai biológico, mas o tenho como pai, pois me criou desde os meus 6 anos de idade e moro com "meu" irmão, filho do meu pai. Ele é um ano mais novo que eu, mas infelizmente nos dá muitos problemas, ele é um dependente químico (usuário de drogas). Cansou de ser pego fazendo coisa errada, já foi parar em delegacia, já o trouxeram arrastado pra casa e várias outras coisas que ele já fez. — Cá estou eu voltando mais um dia da escola quando escuto alguém me chamar. Xx: Ve. — viro e vejo ser o meu irmão, ele está na frente da oficina com alguns rapazes. Veronica: Fala Fe. — meu irmão se chama Fernando, apesar de tudo eu o amo. Nando: Me espera ai, to indo pra casa também. — eu apenas concordei e esperei ele falar com os rapazes e logo andar até mim, mas consegui ver um dos meninos que estava com ele me observar. Ele era moreno, muito bonito. Meu irmão passou seu braço pelo meu pescoço e fomos até a nossa casa assim, que era bem pertinho, por ser a primeira, essa oficina ficava na frente da nossa casa quase. Nando: Como foi a escola? Veronica: O mesmo de sempre, porq não volta a estudar? Nando: Sabe que não curto, sou burro pra essas parada. Veronica: Não existe pessoa burra, existe pessoa que não quer aprender, é diferente. Nando: Tanto faz... Minha mãe nos chamou pra almoçar, depois disso subi pro meu quarto e terminei meus deveres. — Algum tempo depois... Sempre que chego da escola o moreno está na frente da oficina acompanhado de alguns meninos, ele sempre me da bom dia, e eu on respondo. Hoje era mais um dia que eu estava voltando de casa, mas pra minha surpresa, vejo meu irmão sentado no chão drogado, caminho até ele e o ajudo a levantar, passo seu braço pelo meu pescoço e logo chega duas meninas que me ajudam com ele. Veronica: obrigada meninas. Xx: Que isso, não precisa agradecer, prazer sou a Bruna. — disso a menina dos cabelos castanhos. Veronica: Prazer, Veronica. Xx: E eu sou a Fernanda. — disse a menina dos cabelos loiros. Nando: Que nem eu. — falou e deu risada. — prazer garotas, sou o Fernando. — elas só deram oi e fomos em direção a minha casa. Os meninos estavam em frente a oficina, vi Bruna cumprimentar um deles. Entramos e largamos ele no sofá. Veronica: novamente, muito obrigada, querem ficar pra almoçar. — Hoje minha mãe trabalhava, ela costumava folgar só 1x na semana. Bruna: Claro. Fernanda: Quer ajuda na cozinha? E bom, pra coloca ele lá em cima? — eu aceito e subimos com ele, jogo ele direto no chuveiro, de roupa e tudo, depois tiro o mesmo que m*l para em pé, seco ele e pego uma cueca e bermuda. Peço pras meninas segurarem a toalha em frente ao m****o dele, pra gente não conseguir ver, então tiro a roupa molhada e visto ele com a seca. Bruna: Que merda isso em. Veronica: Nem me fale. Fernanda: Bom ele já está na cama e está apagado, agora bora fazer algo pra gente comer? Bruna: Por favor, estou morrendo de fome. — demos risada e preparamos o almoço. As meninas me ajudaram com a casa e depois foram embora, descobri que elas moram aqui também, mas mais lá pra cima. Trocamos números de celulares pra combinarmos de sair e voltar juntas pra escola. 1 mês depois... — Já se passou um mês desde o dia que conheci as meninas, eu e elas estamos mais unidas do que nunca, Fernando teve outros episódios que eu tive que trazer ele arrastado pra casa com a ajuda das meninas, em uma das vezes um menino chamado Joca nos ajudou, ele anda com os rapazes da oficina também. Hoje acordei cedo, me arrumei e sai de casa, as meninas não vão ir na aula hoje, nem perguntei o porq, mas fui em direção a padaria, iria comprar algo pra levar pra tomar café, estava com fome, fiz a proeza de não jantar ontem. — Veronica: Bom dia tito, me vê duas empadas e uma coxinha. Tito: Bom dia Vero, claro, algo pra beber? Veronica: um toddynho. — ele concordou e pegou as coisas. Tito: R$13,50. — Quando fui alcançar pra ele, senti alguém do meu lado, olhei e era ele, o moreno da oficina. Moreno: Pode fica com o troco Tito. — ele concordou e o moreno me olhou. – Prazer, sou o Léo, morena. Veronica: prazer, Veronica. Léo: Posso te acompanhar até a escola morena? Veronica: Claro. Fomos até a escola conversando, ele me falou que a oficina é do seu pai, que ele fica ali com uns amigos tomando conta, ele tem 17 anos, ele não é daqui, mas como seu pai está com os negócios aqui em São Paulo, ele está aqui por enquanto. Léo: Boa aula morena. — ele me da um beijo no rosto e sai. Entro pra escola e fico pensando nele, ele é tão lindo, educado e tem uma conversa legal. — 2 semanas depois... O Léo estava me acompanhando quase sempre até a escola, as meninas acham ele o maior gato e falaram pra mim fica com ele, mas eu nunca beijei na vida kkkk. As meninas soltaram mais cedo da escola, então voltarei sozinha, o sinal bate e eu saio da escola dando de cara com o Léo, ele me olha e da aquele sorriso lindo que eu sou apaixonada. Léo: Eai morena. Veronica: Eai moreno. — sorrio e então começamos a caminhar em direção a minha casa. Léo: Morena, cê sabe que eu to afim de você né? Podíamos ficar. Veronica: Olha Léo, eu te vejo como um amigo e tem mais. — olho pra ele tímida e ele arregala os olhos. Léo: Não me diz que nunca beijou? — eu n**o e ele sorri. — agora fiquei mais amarradão em tu po, vamos fazer o seguinte, vamos seguindo na amizade mesmo, se rolar, rolou beleza. — eu concordo e então me despeço dele, to entrando pra dentro de casa quando a dona Márcia me chama. Veronica: Fala dona Márcia. Márcia: Oh menina, você é tão certinha e está se envolvendo com esse rapaz. — olho estranho pra ela. Veronica: a gente não está se envolvendo, somos só amigos, e o que que tem demais esse rapaz? Márcia: você não sabe né, essa oficina é fachada minha filha, ali é um ponto de drogas, o pai dele que é o dono, há rumores que o pai dele é o dono de uma favela também. — eu fico pasma, não consigo acreditar nisso. Meu Deus, agora faz sentido ter sempre muitos meninos, m*l ter movimento de carro ali e a polícia ir ali dentro e sair plena e sorrindo ainda. Veronica: Obrigada Dona Márcia. — ela concorda e diz pra mim tomar cuidado. — 1 mês depois... Eu e o Léo continuamos conversando, eu não quis julgar ele por isso, de início quis tirar essa ideia da minha cabeça, mas meu irmão abriu a boca falando que realmente é um ponto de tráfico. Léo e eu estávamos conversando todos os dias, mas de umas duas semanas pra cá ele anda diferente, hoje eu ia ir até ele ver o que tava rolando, estava eu e minha mãe em casa, meu irmão e meu pai estavam lá no meu avô... Quando estou pra sair de casa escuto baterem na porta com tudo. Xx: Abre essa p***a, e pode manda vir esses dois p*u no cu que estão ai. — olhei pra minha mãe e ela me olhou assustada. — Fernando e Carlos, bora. Veronica: E... eles não tão em casa, o que você quer com eles. Xx: Fernando tá devendo na boca e o Carlos tá jurado de morte pra parar de sair falando do patrão. — minha mãe começou a chorar e eu engoli seco. Escutei uma voz que eu reconhecia, era o Léo. Léo: Bora po, tá só as duas, deixa isso quieto, na melhor a gente cobra. — Minha mãe começou a arrumar as coisas desesperadas e eu fui no embalo, saimos da casa e o Léo, meu moreno me olhou com os olhos tristes, eu não tava entendendo nada, não consegui nem me despedir das minhas amigas... Passamos na casa do meu avô e pegamos meu pai e meu irmão. No caminho pra Bahia, recebi uma mensagem do Léo que dizia "Não achei que você era desse tipo" a foto dele sumiu e eu continuei sem entender nada, mandei mensagem pras meninas explicando o que rolou e foi ai que a Nanda me falou o que o meu irmão tinha feito, ele tinha falado que meu pai não me queria com o Léo por que ele era um bandido de merda, meus olhos marejaram. Lá estava eu, sendo afastada das pessoas que eu gostava por causa das merdas do meu irmão... — Cá estou eu, na Bahia, fazem dois anos que saimos lá de São Paulo, eu perdi o contato com as meninas e minha vida tá cada vez pior, meu irmão não para de aprontar e está me levando pro fundo do poço junto com ele, eu não aguento mais isso. Eu terminei a escola e agora estou iniciando a minha faculdade de Pedagogia. — 5 anos depois... Acordei e desci pra tomar café, minha mãe estava de saída e meu irmão jogado no sofá, ele não trabalha, faz uns b***s aqui e outros ali pra poder sustentar seus vícios, eu queria poder ir embora, estou parada também, terminei minha faculdade e atuei na área por um tempo, mas depois tive que sair. Me sento pra tomar meu café. Cíntia: Bom dia filha, chegou pra você. — ela me alcança uma correspondência. Veronica: Bom dia mãe, bom serviço. — ela sorri e sai, eu abro a carta e tomo um baque, é uma proposta de emprego... Entro em contato com o número e logo atendem. Ligação on... Xx: Alô, aqui é da escola XXXX, pois não. Veronica: Bom dia, aqui é a Veronica, vocês entraram em contato comigo sobre uma vaga na escola. Xx: Ah sim, professora Veronica, me chamo Anna, que bom que retornou, então a escola é aqui no Rio de Janeiro, é no Morro do Jacarezinho, vi seu currículo e achei incrível, adoraria que viesse trabalhar conosco. Veronica: Seria uma honra, mas infelizmente sou de Bahia. Anna: Que isso, como falei, a escola é localizada no Morro, o Dono do morro ficou responsável pelas despesas da sua vinda e através reservou uma casa para você, ah não ser que você realmente não esteja afim de abrir mão dai. — eu lembro de tudo que venho passando, meu desgaste emocional e decido que irei aceitar. Veronica: Considere a proposta aceita então. Anna: Ok, irei entrar em contato via w******p para resolvermos as questões. Veronica: perfeito, até logo. Anna: Até. Ligação off... Mais tarde ela entrou em contato comigo, conseguiu minha passagem pra amanhã de manhã. Arrumei todas as minhas coisas e fiquei esperando meus pais chegarem... — Veronica: eu consegui um emprego. Cíntia: Que maravilha filha. Carlos: Que bom meu amor e começa quando? Veronica: Então, amanhã embarco, acho que começarei na segunda. — eles me olham. — a escola fica localizada no Rio de Janeiro. Cíntia: Ah, entendi. Ok, tudo bem, te desejo todo sucesso filha. — ela me abraça e beija o topo da minha cabeça. Carlos: Sempre que precisar pode contar com a gente meu amor, estou orgulhoso de você. Veronica: Obrigada, eu amo vocês. Fernando: Sucesso irmã. Veronica: obrigada Fe, e juízo viu. — ele sorri e concorda. — Horas depois... Cá estou eu, no Rio de Janeiro, meu Deus, aqui é tudo lindo... Estou no aeroporto quando chega mensagem da Anna dizendo que um menino do Dono do morro ia me buscar. Fico procurando e logo encontro um garoto escorado em um carro, me aproximo e ele me fita dos pés a cabeça. Xx: Veronica? — eu confirmo. — Bora então. — ele me ajuda a colocar as malas no carro e fomos em direção ao Morro. Veronica: Qual seu nome? Xx: Não trabalho com nome, só vulgo mina, e tu? e Baiana então. Veronica: Não, morava em São Paulo, fui pra Bahia depois de crescida. – ele concordou e começamos a conversar, ele me disse que é casado, a mulher dele é mó ciumenta mas é o amor da vida dele, depois de um tempo chegamos onde eu deduzo ser o Morro do Jacarezinho. Xx: Bem vinda ao morro do Jacarezinho. Veronica: obrigada. — sorrio simpática pra ele e então ele me leva até uma casa linda, nela está uma moça na frente. Xx: Entregue, essa ai é a Anna, diretora da escola. Veronica: Obrigada viu. — desço do carro e tiro minhas coisas. — Ah você não me falou seu vulgo. — digo rindo. Xx: Satisfação mina, sou o Joca. — Joca, Joca, eu já conheci alguém com esse apelido. — sorrio e caminho em direção a Anna. Eu organizo as coisas e ela me leva até a escola, me apresenta tudo e me apresenta a turma que darei aula. Anna: E essa é a nossa professora Bruna, qualquer coisa que precisar pode pedir auxílio a ela, ela se disponibilizou em te ajudar. — quando a menina virou eu travei, ela parecia tão familiar pra mim.
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