Aquela noite ficou marcada na minha memória de um jeito difícil de explicar. Ver Amir naquele palco… falando com tanta coragem… me fez perceber o quanto ele havia mudado desde o dia em que saiu da fazenda comigo. Ou talvez… o mundo é que tivesse tentado diminuir ele a vida inteira, e agora finalmente Amir estava mostrando quem realmente era. Eu sentia orgulho dele. Muito. Mais do que conseguia colocar em palavras. Depois da reunião, caminhamos em silêncio por algumas ruas de Lisboa. O frio da noite cortava o rosto, mas Amir parecia nem sentir. Ainda estava tomado pela emoção do discurso, pelas pessoas que vieram falar com ele, agradecer, apertar sua mão. Ele merecia aquilo. Merecia ser ouvido. Merecia existir sem precisar pedir desculpas por isso. Quando chegamos em casa, Amir fo

