Na manhã seguinte, a fazenda já estava em movimento quando Santiago chamou o feitor.
— Você vem comigo — disse, direto. — Tenho assuntos pra resolver fora.
O feitor apenas assentiu.
Pouco tempo depois, os dois já seguiam caminho, montados, atravessando a estrada de terra cercada pelo campo aberto.
O silêncio durou um tempo… até Santiago falar:
— Você lembra de quando me pediu a Jamila?
O feitor ficou em silêncio por um segundo.
— Lembro.
— E então? — perguntou Santiago, olhando de lado. — Ainda quer isso?
O feitor respirou fundo.
— Não, senhor… pode esquecer esse assunto.
Santiago arqueou levemente a sobrancelha.
— Mudou de ideia?
— Mudei — respondeu ele, firme. — Minha cabeça… não é mais a mesma. Eu não penso mais como antes.
Santiago observou por um instante… e então assentiu.
— Melhor assim.
O clima ficou mais leve.
Mas algo ainda estava na mente do feitor.
— Senhor… — começou ele — onde foi mesmo que a Jamila foi comprada?
Santiago franziu levemente a testa, tentando lembrar.
— Foi naquele dia que minha esposa insistiu em ir… queria escolher pessoalmente quem ficaria com a Sol.
O feitor assentiu lentamente.
Ele lembrava.
Lembrava de tudo.
A movimentação.
As pessoas.
Os rostos.
— Eu estava lá… — murmurou.
Santiago continuou:
— Ela escolheu a Jamila na hora. Disse que era a mais adequada.
O feitor ficou pensativo.
As lembranças vinham aos poucos.
— E… os irmãos dela? — perguntou então.
Santiago olhou à frente, tranquilo.
— Foram comprados por ali mesmo… por fazendeiros da região.
O feitor apertou levemente o maxilar.
— Lembro que tinha outro homem negociando… — continuou Santiago. — Um feitor também. Ele estava conversando comigo naquele dia.
Aquilo acendeu algo na mente dele.
Imagens começaram a se encaixar.
O rosto daquele homem.
A voz.
O jeito.
O feitor ficou em silêncio… mas por dentro, tentava puxar cada detalhe da memória.
— Talvez eu consiga lembrar quem foi… — pensou.
Porque, se lembrasse…
Talvez conseguisse descobrir para onde foram os irmãos de Jamila.
E aquilo…
Poderia mudar muita coisa.
O feitor ficou em silêncio por um bom tempo durante o caminho.
Mas, por dentro, sua mente trabalhava.
As imagens daquele dia voltavam com mais clareza.
O sol forte.
As pessoas sendo avaliadas como mercadoria.
E Jamila… mais jovem, assustada, mas com aquele olhar que ele nunca tinha esquecido.
— Tinha um homem… — murmurou, mais para si mesmo.
Santiago olhou de lado.
— Lembrou de algo?
O feitor franziu a testa, tentando puxar mais da memória.
— Ele era alto… mais velho… tinha uma cicatriz no rosto, perto do olho.
Santiago pensou por um instante.
— Pode ser o Almeida… ou alguém das terras do lado norte.
O coração do feitor bateu um pouco mais forte.
— Norte… — repetiu.
Agora fazia mais sentido.
— Muitos compraram gente naquele dia — continuou Santiago. — Mas se você lembrar direito, dá pra descobrir.
O feitor assentiu, mais sério.
Mas não disse o motivo real daquele interesse.
Enquanto isso, na fazenda…
Jamila seguia seu dia, tentando agir normalmente.
Mas nada estava normal dentro dela.
As lembranças com Afonso ainda estavam vivas.
O toque.
O olhar.
As palavras.
Ela respirou fundo, tentando focar no trabalho… mas era difícil.
Chinara percebeu.
— Você tá diferente…
Jamila tentou disfarçar.
— Só cansada.
Chinara não insistiu… mas ficou observando.
Mais tarde, Jamila foi até o rio novamente, sozinha.
Sentou-se na beira, olhando a água correr.
— E se for verdade… — pensou.
A ideia de encontrar seus irmãos voltava com força agora.
Mais forte do que nunca.
Mas junto com a esperança…
Vinha o medo.
Porque quanto mais ela sonhava com isso…
Mais podia se machucar.
Na estrada, o feitor já estava decidido.
— Quando voltarmos… — pensou — eu vou descobrir.
Porque agora não era só desejo.
Nem só interesse.
Era algo maior.
Uma promessa silenciosa que ele começava a fazer.
Santiago passou o dia envolvido em uma longa reunião com outros homens da região. Negócios, terras, acordos… tudo demorou mais do que o esperado.
Quando finalmente terminou, já era tarde.
— Vamos ficar por aqui hoje — disse ele ao feitor. — Amanhã voltamos.
O feitor apenas concordou.
Depois disso, passaram por algumas lojas, comprando o necessário. Mas a noite ainda não tinha acabado.
Santiago então seguiu para um lugar já conhecido por ele.
O bordel.
Ao entrarem, o ambiente era completamente diferente da fazenda. Luzes baixas, música, risadas… e mulheres vestidas de forma chamativa, dançando e circulando entre os homens.
Logo, uma delas se aproximou com bebidas.
— Boa noite, senhores…
Santiago sorriu, à vontade.
O feitor observava tudo, mais calado.
Não era novidade para ele… mas, ainda assim, algo parecia diferente daquela vez.
Santiago não demorou.
Escolheu uma das mulheres e subiu com ela para um dos quartos,chegou tirou logo sua roupa,Santiago já era cliente antigo naquele bordel,e ele já tinha se deitado com quase todas,o relacionamento com sua esposa era mais uma teatro para a sociedade.
La fora o feitor ficou por alguns instantes parado… até que seus olhos encontraram outra mulher.
Ela o olhou de volta.
Havia algo no jeito dela que chamou sua atenção.
Ele se aproximou.
Trocaram poucas palavras.
E logo subiram também.
Dentro do quarto, a porta se fechou.
O clima era de desejo… mas, ainda assim, algo passava pela mente dele.
Por um breve instante…
O rosto de Jamila veio.
O olhar.
A voz.
Ele fechou os olhos por um segundo, como se tentasse afastar aquilo.
E então seguiu com o momento.
Mas, diferente de outras vezes…
Nada parecia tão simples quanto antes,mas mesmo assim seus beijos ficou mais intenso e seus toques ousados ele dasabotuou a blusa dela e começou a acariciar e beijar seus s***s com força,ela gemia de prazer,mas na mente dele aqueles beijos eram na Jamila.
Porque, mesmo longe da fazenda…
Ela ainda estava presente nos pensamentos dele.