Capítulo 35

1372 Words
Tina caminhava apressada pelo corredor, o coração ainda acelerado com o que tinha visto. Parou em frente à porta, bateu e entrou sem esperar resposta. — Dona Ofélia… a senhora não vai acreditar no que eu vi. Ofélia, sentada em sua poltrona, levantou o olhar devagar. — Fala logo, Tina. — O Afonso… com a Jamila… eles estavam se beijando. O silêncio caiu no quarto por alguns segundos. O olhar de Ofélia endureceu. — Eu sabia… Ela se levantou lentamente, caminhando pelo quarto. — Aquela menina… se fazendo de inocente. Tina se aproximou, curiosa. — E agora, dona Ofélia? Ofélia parou, pensativa. — Agora a gente não pode agir com pressa. — Mas a senhora não vai fazer nada? Ela virou, com um leve sorriso frio. — Vou… mas do jeito certo. Tina esperava. — A gente joga devagar… com inteligência. — Como assim? Ofélia se aproximou mais dela. — Você vai continuar perto do Afonso. Tina arregalou os olhos. — Eu? — Sim… você. — Mas dona Ofélia… Ela interrompeu. — Você vai ser doce… atenciosa… presente. Tina entendeu aos poucos. — Pra provocar ela… Ofélia sorriu. — Exatamente. — Fazer a Jamila sentir ciúmes. Tina cruzou os braços, já entrando no jogo. — E o Afonso? — Homem é fácil de confundir… ainda mais quando tem duas mulheres por perto. Tina deu um leve sorriso. — Entendi… Ofélia voltou para sua poltrona, satisfeita. — Eu quero ver até onde vai esse romance. — E quando a gente age? Ofélia respondeu fria. — Quando ela estiver fraca. Tina assentiu. — Pode deixar… eu sei como fazer isso. Ofélia fechou os olhos por um instante, tranquila. — Ótimo… então começa hoje mesmo. Tina se virou para sair, já com outro olhar. Mais decidido. Mais perigoso. E naquele momento… o jogo contra Jamila… tinha começado de verdade. Tina não perdeu tempo. No dia seguinte já apareceu diferente, mais arrumada, mais atenta a cada detalhe. Passou pelo espelho e sorriu. — Hoje começa de verdade… Saiu decidida, procurando Afonso pelo terreno. Encontrou ele perto do celeiro, concentrado no trabalho. — Afonso… você nunca descansa? Ele virou, surpreso com o tom leve dela. — Tô tentando terminar isso logo. Tina se aproximou devagar. — Você sempre diz isso… Ela pegou um pano e começou a ajudar sem pedir. — Deixa eu te ajudar um pouco. Afonso estranhou, mas não recusou. — Não precisa… — Eu quero — ela respondeu, olhando direto pra ele. De longe, Jamila vinha caminhando… e parou ao ver a cena. Tina ao lado dele. Próxima demais. Rindo. Jamila sentiu o incômodo subir na hora. — Então é assim… Ela cruzou os braços, observando. Tina percebeu Jamila ali, mas fingiu não ver. Se aproximou ainda mais de Afonso. — Você devia sair mais… viver um pouco. — Eu já vivo — ele respondeu. Ela sorriu de lado. — Não do jeito certo… Jamila não aguentou e se aproximou. — Interrompo alguma coisa? Afonso olhou para ela. — Jamila… não, a gente só tava… Tina interrompeu com um sorriso doce. — Eu só tava ajudando. Jamila manteve o olhar firme nela. — Eu vi. Silêncio. Tina fingiu inocência. — Você também pode ajudar, se quiser. Jamila respondeu seca. — Eu sei muito bem como ajudar. Afonso percebeu o clima pesado. — Calma… não precisa disso. Tina deu um leve sorriso, como se tivesse vencido um pequeno passo. — Eu já tô indo… não quero atrapalhar. Ela passou por Jamila de propósito, bem perto. — Depois a gente conversa, Afonso. Saiu tranquila. Jamila ficou ali, olhando ela ir embora. — Ela tá muito oferecida… Afonso suspirou. — Jamila… — O quê? — Você tá com ciúmes? Ela virou rápido. — Não viaja. Ele deu um leve sorriso. — Tá sim. Jamila se aproximou, séria. — Eu só não gosto de gente falsa. Afonso segurou o olhar dela. — Então não é ciúmes? Ela hesitou por um segundo. — Não. Mas o olhar dizia tudo. De longe, Tina observava escondida. — Tá funcionando… Ela sorriu satisfeita. E naquele momento… o jogo que Ofélia planejou… começava a dar resultado. Jamila sentindo. Tina provocando. E Afonso… cada vez mais envolvido no meio disso tudo. No quarto, Ofélia observava pela janela, pensativa, enquanto Tina se aproximava. — Não foi o suficiente. — Eu fiz o que a senhora mandou — Tina respondeu. — E fez bem… mas agora a gente precisa ir além. Tina cruzou os braços. — O que a senhora quer que eu faça? Ofélia virou devagar. — Quero que você se aproxime mais… toque mais… faça parecer que vocês têm i********e. Tina sorriu de leve. — Pra ela perder o controle. — Exatamente — Ofélia respondeu. — Quero a Jamila insegura. — Pode deixar… eu sei como mexer com ela. Enquanto isso, no fundo da casa, Jamila estava ajoelhada perto do tanque, lavando roupas, concentrada, tentando afastar os pensamentos. Passos se aproximaram. — Tá trabalhando sozinha? Jamila levantou o olhar. — Ah… é você. O feitor se aproximou, arregaçando as mangas. — Deixa eu pegar um balde de água pra você. — Não precisa… eu dou conta. — Eu sei que dá… mas não custa nada ajudar. Ele encheu o balde com água. — Obrigada. — Eu vou precisar sair esses dias — ele disse. Jamila olhou curiosa. — Sair? Pra onde? — Algumas fazendas aqui perto… serviço mesmo. Ela assentiu. — Entendi… Ele continuou, olhando de lado pra ela. — Mas eu vou aproveitar… pra tentar saber alguma coisa dos seus irmãos. Jamila parou na hora. — Sério? — Sério. Os olhos dela brilharam. — Você faria isso por mim? — Claro que faria. Sem pensar, Jamila se levantou e o abraçou. — Obrigada… de verdade. O feitor ficou surpreso por um segundo… mas logo correspondeu. — Calma… Ele segurou ela por um instante a mais. Sentindo o corpo dela próximo. O cheiro. O calor. — Eu vou tentar trazer notícias boas. Jamila ainda abraçada, fechou os olhos por um instante. Sentiu algo diferente. Estranho. Mas… bom. Ela se afastou devagar. — Eu… desculpa. Ele deu um leve sorriso. — Não precisa pedir desculpa. Os dois ficaram se olhando por um momento. Um clima diferente no ar. Do outro lado, Tina observava escondida. — Olha só… Um sorriso surgiu no rosto dela. — Isso vai ser interessante. Ela se virou, já pensando no próximo passo. — Dona Ofélia vai gostar disso… E, sem que Jamila percebesse… o jogo ao redor dela… só ficava mais complicado. Tina entrou no quarto apressada, com um sorriso no rosto, claramente satisfeita. — Dona Ofélia… a senhora precisava ver. — O que foi agora? — Tá funcionando… melhor do que a gente esperava. Ofélia largou o que estava fazendo e olhou pra ela. — Me conta direito. — Eu fui até o tanque… o Afonso tava lá… eu me aproximei, fiz tudo certinho. — E a Jamila? Tina sorriu mais ainda. — Morrendo de ciúmes. — Eu sabia. — Ela tentou disfarçar… mas deu pra ver no jeito dela. Tina riu baixo. — E tem outra Jamila também gosta do feitor eu vi ela próxima de mais dele. Ofélia estreitou o olhar. — Próxima como? — Abraço… conversa… clima estranho. Silêncio por um segundo. — Perfeito… — Eu pensei a mesma coisa — Tina respondeu. Ofélia começou a andar pelo quarto. — Então agora a gente tem dois caminhos pra mexer com ela. — Afonso… e o feitor. — Exatamente. Tina cruzou os braços, animada. — O que a senhora quer que eu faça agora? Ofélia parou e olhou firme. — Continua com o Afonso… mas aumenta o nível. — Mais próxima ainda? — Muito mais. Quero que pareça que você tem liberdade com ele. Tina sorriu. — Ela não vai aguentar. — E enquanto isso… o feitor faz o resto sozinho. — Ela vai ficar perdida. Ofélia assentiu, satisfeita. — Confusa… insegura… e fraca. Tina deu um leve riso. — E quando ela estiver assim… Ofélia completou fria. — A gente derruba. — Pode deixar… eu vou fazer ela sentir cada vez mais. — Eu sei que vai. Tina se virou pra sair, já animada. — Isso tá ficando interessante. Ofélia voltou a sentar, com um leve sorriso.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD