Carta e fotos...

1339 Words
Após voltar para casa com Poliana e Evan, mergulhei de cabeça na rotina da maternidade. Cada sorriso de Poliana era um lembrete do amor que eu queria proteger, mas a sombra sobre minha irmã e Suri ainda pairava sobre mim. As memórias da infância, com todas as suas alegrias e tragédias, tornaram-se um turbilhão dentro de mim. Certa sexta-feira, decidi que era hora de arrumar o sótão, um espaço que estava completamente desorganizado. Enquanto separava caixas empoeiradas, encontrei uma que me chamou a atenção: "Coisas da Daria". Ao abri-la, um misto de nostalgia e tristeza me invadiu. A tiara de cabelo, os brinquedos, os cadernos... tudo parecia tão distante, mas a carta no fundo me deixou paralisada. No fundo havia uma carta, escrita por meu pai e eu nunca tinha visto antes, ao ler as palavras de meu pai me atingiram como um soco no estômago. Ele falava sobre ameaças de Paulo e um relacionamento secreto com minha mãe, revelando um lado obscuro dessa história que eu havia tentado esquecer. Senti o coração acelerar e a respiração falhar. O pavor tomou conta de mim. Desesperada, liguei para Evan. Quando ele chegou, vi a preocupação estampada em seu rosto. Relatei tudo entre lágrimas, e a expressão de choque dele me fez sentir ainda mais vulnerável. — Precisamos fazer algo, Daria. Não podemos deixar isso assim — ele insistiu, sua voz firme e resoluta. Mas o medo me paralisava. E se Paulo retaliar? A ideia de arriscar a segurança de minha filha era insuportável. — E se ele nos machucar? — perguntei, a voz trêmula. Evan segurou minha mão, seu olhar cheio de compreensão. — Juntos, podemos enfrentar isso. Não estamos sozinhos. Decidimos dar um passeio no parque, um respiro em meio ao caos. Enquanto caminhávamos, observei Poliana sorrindo no carrinho, alheia a tudo. Aquela inocência me lembrou do que realmente importava. Eu precisava protegê-la, custasse o que custasse. Voltamos para casa e, à noite, enquanto Poliana dormia, nos sentamos à mesa da cozinha. Evan sugeriu ser o advogado desse caso sobre o possível assassinato de meu pai, que até então havia morrido de forma misteriosa. — Precisamos garantir a segurança de vocês — ele disse. Sua determinação me deu coragem. A ideia de buscar ajuda parecia uma possibilidade real. Concordei em agendar uma reunião judicial e, à medida que os dias passavam, comecei a me sentir mais forte. A cada passo, o peso da carta se tornava mais leve. Na consulta com o Evan, em seu escritório, a clareza das opções me animou. Ele me disse que existiam maneiras de documentar as ameaças e proteger nossa família. Finalmente, a sensação de estar no controle começou a surgir. Voltando para casa, guardei a carta em um lugar seguro. Eu não deixaria que o passado definisse meu futuro. Com Evan ao meu lado, sabia que poderia enfrentar qualquer desafio. O amor que sentia por Poliana me dava força e determinação para lutar por um amanhã seguro e cheio de esperança. Acordei na manhã seguinte com a luz suave entrando pela janela do quarto. Poliana estava dormindo tranquilamente ao meu lado, e um sentimento de paz me envolveu. O caos emocional dos últimos dias ainda estava presente, mas havia uma determinação crescente em mim. Eu não permitiria que o passado dominasse meu presente. Enquanto preparei o café da manhã, a lembrança da carta ainda martelava em minha mente. As palavras de meu pai ecoavam: a ameaça de Paulo, o relacionamento escondido entre ele e minha mãe. Aquilo me fazia sentir como se eu estivesse vivendo em um filme de suspense, e, ao mesmo tempo, como se tudo fosse real demais. Eu precisava ser forte, não apenas por mim, mas por Poliana. Evan chegou da sala, atraído pelo cheiro do café. Ele me cumprimentou com um sorriso, mas pude perceber que a preocupação ainda estava presente em seus olhos. — Como você está se sentindo hoje? — ele perguntou, sentando-se à mesa. — Um pouco melhor, eu acho. Ontem me senti tão perdida, mas agora... agora tenho um plano — respondi, sentindo a confiança crescer dentro de mim. Ele sorriu, e aquela expressão de apoio me deu um calor no coração. — Estou ao seu lado, Daria. Vamos enfrentar isso juntos. Após o café da manhã, decidimos que era hora de organizar algumas coisas. Enquanto Evan ajudava a cuidar de Poliana, aproveitei para dar uma olhada nas outras caixas que ainda estavam no sótão. Precisava me cercar de boas memórias, de momentos que me fizessem sorrir. Enquanto abria uma nova caixa, encontrei fotos antigas de família, momentos felizes, aniversários e festas, porém todas fotos de a presença de minha irmã, isso me confunde, eu convivi quanto tempo com ela? Qual o motivo de eu nunca a ver em uma foto comigo e meus pais juntos em uma foto? Mesmo com toda dúvida, meu coração se aqueceu ao ver imagens da minha infância, lembranças que haviam sido ofuscadas pelo medo e pela dor. No entanto, ao virar uma foto, vi uma imagem de minha mãe e Paulo, que parecia ser tirada em um momento íntimo. Uma sensação de desconforto me invadiu, mas não deixei que isso me abatesse. Decidi que precisava ter uma conversa honesta com Evan sobre tudo o que descobri. Encontrei-o brincando com Poliana no sofá da sala, e o amor que vi entre eles me encorajou. — Amor, podemos conversar um momento? — perguntei, sentando-me ao lado deles. Ele assentiu e me deu toda a atenção. — Claro, o que você precisa? — Eu encontrei mais fotos... e algumas coisas que me deixaram inquieta. Precisamos ser abertos um com o outro sobre isso. — Respirei fundo. — A relação entre minha mãe e Paulo era mais complicada do que eu imaginava. Evan franziu a testa, compreendendo a gravidade da situação. — O que você quer dizer com isso? — Eu só quero que você saiba que, apesar de todas essas revelações, o que mais importa para mim agora é nossa família. Quero que Poliana cresça em um ambiente seguro e amoroso. Ele segurou minha mão, seu olhar firme. — Vamos nos certificar de que isso aconteça. Estamos juntos nessa, Daria. Você não precisa enfrentar isso sozinha. A conversa fluiu naturalmente, e falamos sobre como proteger nossa família, discutindo a melhor forma de lidar com a situação de Paulo, meu pai e minha mãe. O apoio de Evan me dava a força necessária para enfrentar o que estava por vir. Nos dias seguintes, comecei a ver mudanças em mim. Estava mais decidida, mais focada. As minhas visitas ao escritório de Evan se tornaram uma rotina, e ele me orientou sobre como documentar as interações com Paulo e como me proteger legalmente. Uma tarde, enquanto organizávamos as coisas, Evan me surpreendeu. — Que tal fazermos uma viagem de fim de semana? Algo para nos distrair e aproveitar um tempo em família? Sorrindo, a ideia me pareceu perfeita. — Isso seria ótimo! Planejamos uma pequena viagem para um local próximo, onde pudéssemos relaxar e nos reconectar como família. Enquanto arrumávamos as coisas, eu sentia uma leveza crescente. Era um lembrete de que, apesar das dificuldades, ainda havia espaço para alegria e amor. No dia da viagem, o sol brilhava, e a atmosfera estava cheia de expectativa. Ver Poliana atenta a cada detalhe do local, como uma bebê super fofa e inteligente me fez perceber que a vida continuava, mesmo em meio às tempestades. Com cada risada dela com as brincadeiras de Evan, eu me lembrava do que realmente importava. Naquela noite, ao olhar para as estrelas com Evan, percebi que a escuridão poderia ser enfrentada. O amor e a união que estávamos construindo eram mais poderosos do que qualquer ameaça. E, a partir daquele momento, eu estava determinada a viver plenamente, protegendo minha família e criando um futuro onde Poliana pudesse ser feliz e livre. A luta ainda estava longe de acabar, mas agora eu tinha a certeza de que não estava sozinha. Com Evan ao meu lado, estava pronta para enfrentar o que viesse.
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