Retornamos do almoço uma hora depois. Tomei nota de várias informações que Layla me passou, que julgou serem necessárias que me passasse. Fui para minha mesa e liguei o computador.
- Boa tarde, Amanda!
- Boa tarde, senhor Baker! – imediatamente levantei da cadeira e o cumprimentei.
- Vamos passar muito tempo juntos; pode me chamar de Richard, por favor. Venha comigo.
O segui pelo corredor por onde já havia andado mais cedo com Layla e tudo o que eu conseguia pensar era o quanto estava agradecida por ter conseguido a vaga e estava gostando de tudo aquilo ali. Meu novo chefe era um homem muito educado e, a julgar por todos os elogios destinados a ele da parte de Layla, era muito competente também. Também era muito bonito - Sua pele clara e olhos azuis combinavam com o seu cavanhaque.
Não era o tipo de homem que me despertava desejos, mas despertava admiração. Aparentava ter uns quarenta anos de idade. Quando chegamos à sua sala me certifiquei daquela dúvida que surgiu no primeiro encontro que tivemos – sim, ele era casado e sua esposa era linda. Havia pelo menos duas fotos emolduradas em sua mesa.
- Sente-se, por favor – apontou para uma das poltronas diante de sua mesa de vidro.
Ali sentado, em postura imponente, Richard inspirava confiança. A confiança que eu desejava ter um dia. Pelo que Layla me contou, ele já está na firma há dez anos e é um dos advogados de maior credibilidade na firma.
- Já está devidamente instalada em seu novo apartamento? – a pergunta me pegou de surpresa por ele ter lembrado de algo que conversamos há quinze dias atrás quando participei da seleção para o cargo.
- Sim, senh... desculpe. Na verdade, não. Já nos mudamos, mas estamos arrumando as coisas devagar, deixando com a nossa cara – essa última frase soou meio piegas, mas tudo bem – Resumindo, ainda tem caixa espalhada pelo apartamento.
- Está se adaptando facilmente?
- Estou. É um pouco mais agitado do que na região onde morávamos, mas não é difícil acostumar.
- Bom… é seu primeiro dia, e você é minha primeira associada. Isso significa que a gente vai ter que trabalhar à base de tentativa e erro. É a primeira vez que vou precisar delegar tarefas, clientes... mas tenho certeza de que logo pegamos o jeito.
Me senti confortável imediatamente.
- Não vejo a hora de começarmos.
- Ter você aqui é um passo muito importante para mim, Amanda. Muita coisa sobre essa nova dinâmica de trabalho iremos aprender juntos. Não estou sempre com a razão e preciso de toda a sua competência para que essa nova etapa dê certo, ok?
- Ok.
- Ótimo! Então, vamos começar.
Passei o restante do dia recebendo orientações, o que fez com que o final da tarde chegasse em um piscar de olhos. Richard teve duas reuniões com dois clientes diferentes no escritório mesmo e fez questão que eu participasse para ficar por dentro de todas as negociações a serem feitos. Era fascinante ver aprender com Richard; ele realmente era tão competente quanto Layla havia me dito.
As dezessete horas em ponto meu celular toca. Atendi discretamente, mas antes que eu pudesse responder, ele disse:
- Está viva?
- Claro, seu i****a! - xinguei.
- Também te amo! Vou precisar sair para trocar uma camisa, vem comigo?
- Vou sim. Já estou saindo.
- Estou te esperando aqui no saguão.
- Como sabia que eu ia aceitar?
- Simples... você não perde uma boa oportunidade de passear no shopping.
- Você me conhece!
Desliguei o celular. Verifiquei se tudo estava em ordem em minha mesa, me despedi de Layla que vinha em minha direção:
- O que achou de seu primeiro dia? - ela perguntou com aquele sorrisão estampado. Ela era muito simpática.
- Foi muito tranquilo - respondi satisfeita.
- Que bom! Este é o meu número – me entregou um cartão – qualquer emergência, pode me ligar.
- Obrigada. Até amanhã.
- Até!
Desci até o saguão onde Michael me esperava ansioso, mas se ele pensa que vai me desvirtuar e me levar para um bar, tá muito enganado.
- E aí, gostosa? – brincou assim que me viu. Uma das coisas que ele diz mais gostar em mim são meus longos cabelos escuros.
- Sobrevivi! – comemorei.
- Quero saber tudo!
Todo o trajeto de ida e volta enchi a paciência de Michael falando tudo sobre meu novo emprego, Layla, Richard... enfim, ele deve ter ficado enjoado de tanto me ouvir falar sobre a firma. Eu realmente estava animada como não ficava há muito tempo.
Fizemos uma pausa para jantar antes de voltar para o apartamento. No restaurante percebi que Michael me olhava de um jeito estranho, mas não o questionei. Até que ele teve coragem e começou:
- Agora me conta... quem é o boy? – ele me encurralou, mas banquei a desentendida.
- Oi?
- Não tente me subestimar, gata. Quando você chegou ontem, estava toda estranha, m*l falou durante o jantar e amanhece um bilhetinho em baixo de nossa porta... me poupa, né? Sou homem, não sou burro – ele fez uma pequena pausa e quando viu que eu não ia começar a falar, continuou – Amanda, conheço você. Tem macho na parada e macho gostoso. Só preciso saber quem é, de onde é, o que faz da vida, pra puxar a ficha criminal do fulano.
- Ah... não tenho muito o que falar. Só o vi uma vez, ontem quando fui ao prédio da Johnson & Williams. - Contei a ele todo o episódio constrangedor protagonizado por mim no saguão do prédio no dia anterior - Não sei seu nome; não sei quem é... Só sei que é lindo, é gostoso, é cheiroso e despertou em mim um desejo enorme. Acho que preciso dar uma trepada bem dada, sabe? Daquelas que no dia seguinte tá tudo ardendo.
Michael soltou uma gargalhada que chamou a atenção dos outros clientes do restaurante que estava quase lotado.
- Eu sabia que tinha macho nessa história. Você não é tão calada como estava.
- Ei... calma aí! Eu só estou dizendo que a beleza do cara me impressionou, só isso.
- Sei... só impressionou? Impressionou ao ponto de você torcer para encontrar com ele novamente hoje, durante o expediente.
- Na verdade... cada segundo que passei ali, torci com toda a minha alma que pudesse vê-lo.
- E o bilhete?
- Não faço ideia. É um mistério para mim.
Terminamos o jantar e seguimos para o apartamento. O dia tinha sido longo e tudo o que eu queria era cair na cama e dormir o sono dos justos.
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