Capítulo 3 - Amanda

1473 Words
Primeiro dia de trabalho (Terça-Feira) Meu dia começou as cinco e meia da manhã. Acordei com o corpo em chamas. Aqueles olhos escuros não saíram dos meus sonhos durante a noite inteira. O que estava acontecendo comigo? Será o reflexo da falta de sexo? Não é possível que eu esteja tão sensível assim. Nunca fui uma ninfomaníaca; gosto de sexo como qualquer outra mulher, mas aquele homem despertou em mim um desejo fora do comum. Aquilo não era normal. Só o vi uma vez. Com muito esforço sai da cama e tomei um banho demorado e frio, tinha que ser um banho frio para acalmar os ânimos. Era meu primeiro dia de trabalho e eu não podia me permitir distrações - principalmente aquele tipo de distração que era quase impossível controlar.   Me arrumei com toda a calma que precisava naquele momento; meus longos cabelos negros preso em coque, maquiagem leve, nada de olhão ou bocão... sutileza. O momento pedia sutileza. O uniforme coube como uma luva! Meia-calça preta, scarpin e... prontinha! Hora de seguir para a estreia. Meu sistema nervoso estava mandando recado a cada minuto com a lembrança de que em algumas horas estaria cruzando a porta giratória da nova oportunidade de minha vida. Saí do quarto e logo senti aquele cheiro delicioso de café fresquinho. Esse meu amigo é um anjo. - O que significa isso? Você deveria estar na cama, dormindo! Você está de férias, lembra disso? - Briguei com ele. - E perder a chance de lhe desejar boa sorte em seu primeiro dia? De jeito nenhum! - veio em minha direção com uma xícara de café fumegante. - Você não existe mesmo, viu? Muito obrigada! - agradeci. - Está nervosa? - Um pouco. Nada que venha a atrapalhar, é só aquele nervoso de início, entende? - Tinha um bilhete endereçado a você, em baixo da porta. Tá aqui - me entregou um envelope com o meu nome de um lado e do lado estava em branco. Abri e li a frase:   "Boa sorte em seu primeiro dia!"                                        B. J. As letras eram perfeitamente desenhadas, mas obviamente tinha sido feito à mão. E era letra masculina. - B. J.? Quem diabos é B. J.? – Eu não estava entendendo nada. - Não sei. Nem sabia que você andava pegando alguém. - E quem disse que eu estou "pegando alguém"? - fiz aspas com a mão. - Esse bilhete não está com o meu nome, darling! Vai ver você tem um admirador secreto. - falou com um ar conspiratório. - Pouco provável. Acabamos de chegar aqui, lembra disso? - terminei o meu café e voltei ao quarto para escovar os dentes novamente e buscar minha bolsa. Quando retornei, Michael ainda analisava o tal bilhete. - Papel de rico... - O quê? - as vezes eu não conseguia acompanhar o raciocínio do meu amigo. - Estou dizendo que esse tipo de papel é papel que rico usa. Não é qualquer papel. Comum. - Já tomou seu remedinho hoje? Você não tá bem, amigo. - Brinquei, pegando em sua testa como se estivesse medindo sua temperatura. - Às vezes você não tem noção do quanto é gostosa. É claro que qualquer macho alfa, hetero, vai querer te convidar para sair. Eu, se fosse hétero, pegava. - Ainda bem que você é meu amigo e não é hetero. Eu ficaria muito triste de terminar com você e nunca mais comer a sua comida maravilhosa só porque nosso relacionamento amoroso não deu certo. - Sorte a sua!  - Também acho - me despedi do meu amigo e caminhei em direção à porta. -Tome cuidado no trajeto de ida e volta. Te amo! - Pode deixar. Também te amo! - quase gritei ao encostar a porta. Saí do apartamento rumo ao trabalho. Ainda era cedo e pude ir andando calmamente até lá. Não quis demonstrar para Michael, mas fiquei muito cismada com o bilhete que apareceu embaixo da porta. Parei na portaria, senhor Charles estava lá e pude tirar a dúvida com ele. - Bom dia, senhor Charles. Tudo bem? - cumprimentei. - Bom dia, senhorita Smith. Estou bem, obrigado e a senhorita? - Estou bem, obrigada! Senhor Charles, preciso de uma informação; qualquer pessoa pode entrar aqui no prédio? - Não. Somente os moradores. Outras pessoas só podem entrar com o consentimento dos moradores. Por exemplo, se alguém chegar aqui e me pedir para ir até o seu apartamento, só autorizo a entrada se a senhorita permitir. - Entendi. – Fitei o vazio, perdida em meus pensamentos. - Algum problema? - Não, não... apenas curiosidade. Tenha um bom dia. - Segui meu destino. As buzinas dos carros àquela hora da manhã pareciam uma sinfonia para meus ouvidos. Os taxis iam daqui para lá e vinham de lá para cá, disputando espaço com caminhões e as vezes até com os pedestres que corriam para atravessar a pista. O som frenético dos freios bruscos diante de pedestres corajosos o bastante para pisar no cruzamento segundos antes de o sinal fechar. A partir daí era só gritaria e insultos e palavrões para todos os lados. Isso sem mencionar os gestos que refletiam o nervosismo dos condutores que tentavam chegar aos seus destinos. Assistir tudo aquilo me distraiu do bilhete misterioso, do primeiro dia de trabalho, mas trouxe à tona o encontro inesperado do dia anterior com aquele cara delicioso. Meus Deus, Amanda! Controle-se!  Me repreendi em desaprovação. À medida que ia me aproximando do prédio, meu coração ia ficando cada vez mais agitado. No fundo acredito que eu torci para encontrado o tal desconhecido - e delicioso - em quem havia esbarrado. Agora sim, eu estava vestida descentemente. Sem suor, sem roupa de lycra ou toalhinha no ombro denunciando a ida a academia. Exatamente as sete horas e cinquenta minutos - dez minutos adiantada - eu entrava pelo saguão do prédio da Johnson & Williams com destino ao vigésimo oitavo andar. Os guardas no atendimento eram os mesmos do dia anterior - acredito que não me reconheceram e me senti aliviada por isso - seria no mínimo constrangedor que algum deles associasse minha imagem a uma louca destrambelhada que não olha para onde anda e sai esbarrando em quem encontra pelo caminho. Chamei o elevador e fiquei aguardando, acompanhada por mais algumas pessoas desconhecidas que ali estavam. Todos vestidos muito elegantemente e não foi muito difícil me sentir parte daquele lugar. O sentimento era agradável, totalmente diferente de ontem, quando vim aqui usando aquela roupinha apertadinha e tênis. Vinte e oito andares a cima os elevadores se abriram para que eu adentrasse ao saguão da Johnson & Williams. De frente para o elevador era possível ver a parede de vidro que carregava o nome - muito famoso por sinal e também estampado na entrada do prédio - da firma, em letras bem trabalhadas. Assim que cheguei, uma jovem veio em minha direção para me dar as boas-vindas e me direcionar à minha mesa. Fiquei grata por não precisar me sentir tão fora do eixo no meu primeiro dia. - Bom dia, senhorita Smith. Seja bem vinda à Johnson & Williams. Eu me chamo Layla. O senhor Baker ainda não chegou pois teve de ir a uma reunião externa com a Diretoria. No entanto, serei a responsável por suas primeiras orientações. Tudo bem? - a jovem que aparentava ter no máximo vinte e quatro anos, falou. Layla era uma moça muito bonita. Pele n***a, sorriso perfeito e um corpão de dar inveja a qualquer mulher. Era uma das associadas da Diretoria. - Bom dia, Layla. Você pode me chamar de Amanda, por favor. Por mim está tudo bem. - Respondi da forma mais amável que pude enquanto caminhávamos até minha mesa - Onde posso guardar minha bolsa? - Aqui. Essa última gaveta, a maior. Você pode guardar suas coisas aqui. Ela tem uma chave, toma! - Obrigada. - Certo, podemos começar? - perguntou e parecia muito animada com a missão de me apresentar tudo. Partimos em direção a um por um de todos os departamentos. Ela explicou o que cada uma fazia; me apresentou a todos os funcionários. Terminamos essa primeira etapa um pouco antes do almoço; o senhor Baker ainda não havia chego. Apenas ligou para Layla informando que chegaria somente após o almoço com a Diretoria da firma. Layla me chamou para almoçar com ela e prontamente aceitei. Seguimos para o restaurante e ela não perdeu a oportunidade de continuar me dando explicações sobre a empresa. Layla estava na empresa havia dois anos e conhecia bastante sobre todo o funcionamento de tudo. Achei maravilhoso que ela tenha sido designada para me ajudar nesse início.  *** Caros leitores e leitoras, Siga meu perfil aqui na Dreame e siga também minhas histórias. Isso me incentiva muito a continuar escrevendo. Obrigada por lerem minhas histórias!  ***
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