Capítulo 2 - Amanda

1907 Words
Depois de uma caminhada curta e reflexiva, cheguei à academia que mencionei na conversa com Michael e me surpreendi com o que encontrei. Adorei o lugar e fica a apenas cinco minutos do apartamento – não tenho mais desculpas para não manter os treinos em dia e arrastar Michael comigo todos os dias. A mudança de endereço não podia significar que deixamos de cuidar de nossa saúde.   O ambiente é muito agradável, não tem aquela música estridente – o que significa que posso levar minha própria música e colocar um fone de ouvido, ah… que maravilha! -  é tudo muito limpo e organizado. Isso me passou uma enorme segurança e me deixou realmente impressionada. Evidentemente o local era frequentado por gente da alta sociedade; dava para perceber pelos carrões que estavam no estacionamento.   Decidi matricular nas aulas de musculação assim que finalizei o tour. Aproveitei e fiz alguns rápidos exercícios sob a supervisão do personal trainer que me acompanhou para tirar minhas dúvidas. Fiquei exausta por estar há dias sem sequer pisar em uma esteira. – Preciso voltar a minha forma física de antes, quando 5 km toda manhã era parte da minha rotina.   Mesmo com o cansaço, segui firme em meu propósito de fazer uma caminhada até o prédio do meu novo emprego e buscar minhas coisas na portaria. Não era muito distante dali e ainda estava cedo. Precisava me apressar, o clima estava ficando cada vez mais frio e minhas roupas não estavam apropriadas para temperaturas mais baixas.  *** Faltavam apenas alguns metros para que eu enfim chegasse até o local onde começaria a trabalhar no dia seguinte e fiquei muito feliz em saber que não levaria nem vinte minutos de trajeto. Perfeito! Tudo estava dando certo e seguindo o roteiro. Vou poder desfrutar de uma caminhada curta no início do dia e também no final do expediente. Os nomes Johnson & Williams poderiam ser vistos a uma enorme distância. O edifício era deslumbrante! Algo que eu nunca tinha visto antes. Sua estrutura era toda espelhada. A torre parecia se perder em meios às nuvens de tão alto que era. Pensei que deveria ter uns trinta andares ali, mas logo descobri que eram quarenta e cinco andares, na verdade. Sua estrutura era imponente e difícil não se destacar em meio aos demais prédios daquela região.   Era a segunda vez em que ia àquele lugar. Há quinze dias atrás estive ali para fazer a entrevista com aquele que seria o meu chefe. Subi até o vigésimo oitavo andar para participar de uma série de dinâmicas de onde sairia apenas uma escolhida para o cargo. Lembro de estar muito apreensiva e quando entrei na sala de espera fiquei mais nervosa ainda.  A sala estava cheia de beldades loiras, com corpo curvilíneo que deixaria qualquer chefe babando. No início me senti muito insegura e então lembrei de algo que minha mãe havia me dito no dia anterior: “Não tenha medo, minha filha. Você se preparou a vida inteira para isso. Estudou na melhor faculdade do estado. Você é plenamente capaz.” e logo a insegurança se dissipou. Claro que eu queria a vaga mais que tudo, no entanto, estava preparada para o que viesse em seguida, caso o resultado fosse positivo ou negativo. Sempre tive planos B em minha vida e desta vez não seria diferente.   Subi o lance de escadas com três degraus que dão acesso ao hall de entrada e caminhei em direção aos seguranças que estavam no balcão de atendimento. - Boa tarde. Sou Amanda Smith. O senhor Richard Baker deixou algo para que eu viesse buscar aqui hoje. - Boa tarde, senhorita. Está com seu documento de identidade? -  Um dos guardas, o que tinha cara de mau, perguntou. Entreguei o documento a ele e fiquei aguardando - Só um momento.   Enquanto o segurança procurava o que deveria me entregar, aproveitei para esquadrinhar toda a recepção daquele lugar tão majestoso. A parte de dentro fazia jus à estrutura de fora. Tudo muito luxuoso como era de se esperar de um edifício empresarial no centro da cidade.  - Senhorita Smith?  Imediatamente virei em direção ao guarda – mau. – Sim?  - Está aqui. Assine o recebimento, por favor.  -  Obrigada! - agradeci após ter assinado e recebido um pacote grande e macio.  Ao me virar em direção a porta giratória para sair do prédio, esbarrei com força em um homem que vinha se aproximando do balcão. O pacote escapou de minhas mãos e quase me estatelei no chão também com o impacto. Parecia que eu tinha esbarrado em uma parede. Perdi o equilíbrio e por um milagre não cai bem ali, feito um saco de batatas, na frente de três homens desconhecidos em meu futuro local de trabalho. Que belo início de carreira, hein?! A vontade de xingar a mãe desse homem era enorme.  - Opa! Me desculpe. Você se machucou – ele, todo atencioso, perguntou.  Ainda meio sonsa, baixei para pegar o embrulho que havia caído, ele baixou também, com a intenção de me ajudar. Foi quando prestei mais atenção naquele ser que estava em minha frente, bem ali pertinho, há centímetros de distância.  - Não foi nada. Eu que sou uma desastrada mesmo. Deveria prestar mais atenção – respondi, corando. A raiva já tinha passado.  Ergui os olhos e observei que os seguranças se entreolhavam, mas não pude identificar o que queriam dizer um para o outro. Me levantei ainda fora do eixo e não deixei de notar seu olhar em meu corpo. Só aí me dei conta de que ainda estava com a roupa de academia.  - Tem certeza que está tudo bem? – ele realmente parecia se importar.  Ele era alto, devia ter um metro e noventa de altura, pele bronzeada, olhos escuros, cabeça raspada na navalha. Usava um daqueles ternos caros, sob medida... e que medidas! Seu corpo parecia ter sido desenhado por anjos de tão perfeito que era. E o seu cheiro??? Ah, minha nossa Senhora do Desequilíbrio Hormonal, me segure!!!  - Sim. Obrigada por perguntar. Com licença! Preciso ir. - Falei com uma timidez que saiu não de onde e me retirei desviando daquele ser em minha frente.  - Espero vê-la outra vez. Posso pelo menos saber seu nome?  Virei-me, mas antes, contei até dez – eu precisava manter a calma perto daquele homem tão gostoso e não podia causar uma impressão r**m no meu novo local de trabalho um dia antes de começar a trabalhar – e com toda a calma que pude encontrar dentro de mim, respondi.  - Me chamo Amanda, senhor. Boa tarde – saí dali o mais rápido que pude, antes que ele notasse a minha cara que mais parecia um pimentão de tão vermelha que estava. Se bem que ele não era exatamente um senhor, só o chamei assim para manter a distância entre nós. Nunca se sabe como a outra parte da conversa vai receber a informação. Vai que ele pensa que estou dando mole? O cara é bonito, é gostoso, aparenta ter dinheiro... deve ter milhares de mulheres babando por ele o tempo todo. A julgar pela forma como se vestia, suponho que era alguém importante naquele lugar. Sem contar que eu estava usando aquela roupinha apertadinha de academia, carregava uma bolsa de lona, meu corpo estava todo suado... meu cabelo??? Deveria estar um completo desastre e eu não usava sequer um batonzinho para amenizar a cara de cansada. O lado bom é que se por acaso um dia nos reencontrarmos (o que eu acho impossível acontecer, mas adoraria que acontecesse), ele nem vai lembrar de mim. Meu estômago revirou com a ideia de encontrar aquele deus grego novamente. Voltei minha atenção à minha tentativa de encontrar o caminho de volta para casa. Sério que isso estava mesmo acontecendo? Não lembro mais quando foi a última vez que um homem me fez corar. Na verdade, não lembro quando foi a última vez que beijei... preciso resolver esse assunto o quanto antes. Isso já está começando a me afetar. Em todo caso, aquele cara não era importante para mim, não era meu chefe, então estava tudo bem.  *** Durante todo o trajeto de volta para casa, fiquei ruminando aquela cena ridícula a qual fui a protagonista. Como eu pude ser tão i****a? Eu e meus dois pés esquerdos. Seria uma completa vergonha se, além de ter esbarrado naquele homem maravilhoso – porque convenhamos, ele era lindo de morrer, é importante frisar esse detalhe -, eu ainda tivesse tomado o maior tombo. Seria a vergonha do século. Provavelmente nunca mais voltaria àquele lugar. O homem tinha uma beleza impressionante. Devia ter no máximo trinta e dois anos. Tinha pele sedosa, e seu cheiro... ah, o seu cheiro era embriagador. Sua voz era doce e suave... Agora estou aqui, sem conseguir tirar a criatura dos meus pensamentos. Realmente, PRECISO t*****r! Cheguei ao apartamento e estava vazio. Deduzi, - e depois descobri que estava certa - que talvez Michael tivesse ido ao mercado comprar os ingredientes para o tal macarrão que ele prometeu que faria para o jantar. Me dava uma aflição só de olhar para aquele apartamento todo bagunçado, cheio de caixas para todo lado. Só me restava ter paciência; tudo ficaria em ordem logo.  A vida voltaria ao normal. No dia seguinte começaria minha nova rotina como associada na Johnson & Williams, onde esperava absorver o máximo de experiência para minha carreira. O celular tocou, era minha mãe: - Oi, Mãe... – atendi no segundo toque.  - Minha filha! Como você está? – pela sua voz percebi que ela estava chorando.  - Estou bem e você? – tentei parecer o mais descontraída possível.  - Morrendo de saudades de vocês. – Ela realmente estava chorando.  - Mãe, estou na mesma cidade que vocês, lembra disso? – falei com ternura. Minha mãe tinha algumas crises de pânico que inspiravam cuidado. Precisava ter muito tato com ela quando estava nervosa. - Eu sei, minha filha. Fico tão preocupada com vocês. Já ouvi dizer que essa parte da cidade é muito perigosa – Sim, ela é exagerada. - Mamãe, fique tranquila. O prédio é cheio de câmeras, tem seguranças. Não vai acontecer nada com a gente. – Tentei tranquilizá-la, em vão.  - Cadê o Michael? Ele tem se alimentado direito? Pega no pé dele, minha filha. Ele precisa se alimentar. Tá muito magro – eu ri por dentro. Minha mãe tem um coração enorme. - Ele está bem, Mamãe. Saiu para fazer compras no mercado e abastecer a nossa geladeira. Hoje ele vai fazer aquele macarrão que você ensinou a ele. - Esse é o meu garoto! – ela parecia mais tranquila. Conversamos mais alguns minutos até que Michael chegou do mercado com as compras e monopolizou minha Mãe pelo celular. O relacionamento deles era algo lindo de se ver. Minha Mãe o amava como se fosse seu filho e a recíproca era verdadeira. Me despedi com a promessa de que iríamos visita-los no final de semana. Fui para o quarto tirar aquela roupa de academia, tomar um banho quente e vestir algo mais confortável. Lá fora a temperatura havia baixado bastante, no entanto, meu corpo pegava fogo com a lembrança dos acontecimentos de mais cedo. Seria uma noite longa, quente e cheia de pensamentos maliciosos.  *** Caros leitores e leitoras, Siga meu perfil aqui na Dreame e siga também minhas histórias. Isso me incentiva muito a continuar escrevendo. Obrigada por lerem minhas histórias!  ***
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