O barulho do elevador abriu como um suspiro cansado. Adriel saiu de lá com a bandeja na mão, a cara amassada, a roupa amarrotada, e o olhar de quem tinha envelhecido uns dez anos em vinte e quatro horas. Ele chegou perto, largou a bandeja na mesinha da sala de espera e perguntou do jeito mais direto possível: — E aí… nada? Eu balancei a cabeça. — Nada ainda. Ele suspirou, pesado, quase tropeçando no próprio ar. Depois empurrou um copo na minha direção e outro pro Adrian. — Trouxe café. Pra vocês dois. — disse, simples, mas com aquele cansaço que pesa mais que corpo. Eu peguei o copo como se fosse ouro quente. — Tava precisando… — murmurei, sentindo o cheiro forte subir. O Adrian também pegou o dele. Mas o que chamou atenção foi outra coisa: Ele. Não. Soltou. A minha. Mão.

