A tarde turbulenta enfim havia chegado ao fim e Abby recolheu-se em seus aposentos. Nunca havia tido sequer um tipo de discussão com Luci, se é que se podia chamar o desentendimento que haviam tido de discussão ... Mas nada, nunca as havia abalado como aquela tarde. Abby conhecia muito bem a fama libertinosa do cavalheiro em questão e em hipótese alguma poderia ter tido uma posição diferente.
Tratava-se de Luci, sua fiel melhor amiga da vida. Não podia deixar que a amiga fizesse tamanha besteira.
Ela revirou-se de um lado para o outro da cama enquanto tentava encontrar uma posição boa o suficiente para dormir, mas nada parecia chegar a altura. Até que ouviu pequenas batidas na sua janela.
Abby pulou da cama assustada para ver do que se tratava.
Ela bufou.
Céus, não podia ser. Abby tampou o rosto com as mãos enquanto tentava se concentrar em não gritar. Ela abriu a janela com cuidado evitando qualquer barulho que pudesse haver.
- O-que-está-fazendo-aqui? .- Ela silabou ao Sr. Mark que estava jogando pequenas pedrinhas em sua janela.
O jovem em questão tratava-se de um homem que a importunava desde o dia que havia estreado na sociedade. Ele queria a todo custo convertê-la a sua esposa. Mas Abby já havia deixando claro mais de cinco vezes que apesar de lisonjeada não aceitaria a proposta dele. Fizera isso, assim como havia feito com outros quatro pretendentes e todos eles pareciam fissurar-se nela por algum motivo que para ela, era desconhecido.
Mark levantou um ramo de flores mostrando-a.
- Eu trouxe para a srta.
Abby bufou mais uma vez. Tampou o rosto e reprimiu a vontade que estava de mandá-lo entregar as flores ao d***o.
- Sr. Mark, veja a hora. - Ela bufou. - Por Deus, não pode estar falando sério. - Disse mais para si mesma.
Ele balançou a cabeça entristecido.
- Se eu viesse como mandam as regras de etiqueta a srta. não me receberia. Faria como da outra vez. Sei que nunca sequer soube pintar srta. Cooler, mas pediu para que seu servo me dissesse que estava fazendo um quadro. - Ele torceu os lábios.
Abby esboçou um sorriso zombeteiro, esse dia havia se divertido muito as custas do homem que não a deixava em paz. A cara de surpresa dele havia sido muito satisfatória o que fazia valer sua pequena mentira. De fato, nunca havia sido boa artista e Mark sabia disso, pois a própria Abby o havia dito.
- Pois bem. Prefiro que siga as regras de etiqueta, ou terei que chamar meu pai para o senhor e estou certa de que não gostaria de lidar com um ex fuzileiro naval. Passar bem, sr. Mark.
Ela fechou a janela sem dar e ele nem mesmo uma oportunidade de dizer algo. Não queria ouvi-lo, não tinha porquê ouvi-lo. E não estava blefando quando dissera que chamaria seu pai. Erick era um antigo oficial e havia se aposentado a alguns anos, mas o jeito durão ainda permanecia intacto e se ele sequer sonhasse que um homem estava importunando sua única e querida filha, o homem poderia se considerar morto.