Oito anos. Oito anos de casamento haviam passado como um rio silencioso: às vezes calmo, às vezes turbulento, mas sempre seguindo em frente, sem nunca se deter. Para os olhos do mundo, Mia e Bryan eram a imagem perfeita de maturidade e estabilidade. Três filhos encantadores, uma casa iluminada pelo riso infantil, um casal que permanecia lado a lado. Mas, por trás da moldura impecável, havia fissuras invisíveis — um silêncio que nenhum amor, nenhum dever e nem mesmo o tempo havia conseguido dissolver. Naquela sexta-feira em Costa da Lua, a rotina parecia perfeita. O sol filtrava-se pelas cortinas, tingindo a casa com uma luz dourada e suave. O perfume de café fresco e pão quente pairava no ar, trazendo a promessa de mais um dia tranquilo. Rosamund Gray, a governanta, movia-se pela cozinha

