Capítulo 68 - Conhecendo Maddox

1831 Words
Após a intensa conversa com Bryan, Mia sentiu uma nova urgência em se preparar. A promessa de estar ao lado dele em tudo, de ser uma Luna ativa e de buscar vingança pelos filhos e pela alcateia , exigia que ela fosse mais do que apenas a companheira do Alfa. Ela precisava de força, de conhecimento e de controle sobre si mesma. Com essa determinação em mente, Mia se levantou do sofá com uma nova energia e, ao lado de Bryan, foi em direção ao complexo de treinamento da alcateia. Obviamente, ele não a deixaria ir sozinha. O Complexo de Treinamento era um prédio imponente de concreto e vidro, com vários andares, localizado em uma área mais afastada da residência principal da alcateia. Ao se aproximar, o som de impactos e rosnados ecoava, misturado ao cheiro metálico de suor e a um leve odor de sangue – um cheiro familiar para os lobos, de esforço e disciplina. A espécie Blackwolf era conhecida por sua ferocidade e disciplina; tanto os machos quanto as fêmeas eram treinados desde cedo, tornando-se guerreiros formidáveis. A grande porta principal se abriu, revelando um interior vasto e movimentado. A Mia que Bryan havia tentado manter em uma bolha, agora pisava em um solo onde a força bruta e a estratégia eram a lei. Assim que entraram, foram recebidos pelo Comandante das Forças Especiais Lupinas, Gustavo Blackwolf, tio de Bryan. — A que devo a honra de ter duas visitas tão especiais em minhas instalações hoje? — Gustavo perguntou, um sorriso nos lábios. Ele fez uma leve reverência a Bryan, reconhecendo seu sobrinho como Alfa e soberano, e depois a Mia, a reconhecendo como igual. — Quero voltar a treinar! — Mia falou, a voz repleta de adrenalina e determinação, antes que Bryan sequer pudesse falar algo. Ela estava com a adrenalina a todo vapor, queria treinar e ser mais forte. Bryan riu, virando-se para o tio. — Sim, minha companheira quer treinar. Vamos ver se temos algum guerreiro apto para treinar ela… e não diga os trigêmeos, se não eu juro pela Deusa da Lua que te mando pro hospital agora mesmo! — Ele advertiu, com um tom divertido. Gustavo pareceu estar se divertindo com toda a situação, — Jamais faria isso Alfa! — ele fala seus olhos brilhavam com um misto de humor e aprovação. O local estava lotado. Lobos de todas as idades e patentes treinavam com uma intensidade impressionante. Havia os mais jovens, aguçando seus reflexos e agilidade, e os guerreiros veteranos, trocando golpes controlados, suas formas lupinas quase visíveis sob a pele. Alguns praticavam com pesos, outros em pistas de obstáculos que simulavam terrenos hostis. O burburinho de vozes, o rangido de equipamentos e o impacto dos punhos nos sacos de areia formavam uma sinfonia de poder e disciplina. Mia sentiu a energia do lugar. Não era uma energia de agressão gratuita, mas de um foco intenso, de um propósito coletivo. Muitos olhavam para ela com surpresa, e alguns até hesitaram em seus treinos. A Luna raramente era vista ali, e sua presença, com uma expressão séria e decidida, era algo novo e intrigante. Ela caminhou pelas plataformas, observando os diferentes grupos. Via-se a disciplina dos guardas, a agilidade dos batedores e a força bruta dos lobos de ataque. Seu vestido, mesmo em um ambiente tão rústico, destacava suas curvas, e ela notava os olhares que a seguiam. Sua intenção ao entrar ali era clara: encontrar um lobo que não a secasse com desejo nos olhos, que não tropeçasse em seus próprios pés ao vê-la. Esse seria o lobo que ela escolheria para treinar todos os dias, um que fosse verdadeiramente concentrado. “Provavelmente poderia ser um que não fosse hétero, seria ótimo”, ela pensou, ou pelo menos alguém controlado o suficiente para não ficar distraído com ela. Foi então que sua atenção foi imediatamente capturada por um grupo, ou melhor, por uma única figura central. Um lobo de porte atlético e movimentos precisos se destacou, enfrentando os trigêmeos — Axel, Niel e Gael — sozinho. Seus cabelos negros caíam sobre uma testa suada, e seus olhos escuros demonstravam uma concentração intensa a cada golpe. Ele era o ponto central do grupo, corrigindo movimentos e demonstrando técnicas com uma agilidade quase hipnótica. Era impressionante como ele lidava com os três Alfas ao mesmo tempo, sem hesitar. Ao se aproximar, a aura de poder emanava dele, misturada com um cheiro que Mia não conseguia identificar completamente — algo profundo e quase indomável. Ele não a notou imediatamente, absorto na luta simulada com os irmãos. Curiosamente, mesmo com a presença dela, ele não deu sinais de distração ou de olhares indevidos. Ele olhou para Mia sem interesse, como se ela fosse insignificante, e ela gostou disso. Não porque gostasse de ser desprezada, mas porque ele era concentrado de verdade, uma característica rara e valiosa. Quando a sessão terminou, ele virou-se para pegar uma garrafa de água e, finalmente, seus olhos encontraram os de Mia. Um leve arrepio percorreu a espinha dela. Havia algo nele que era ao mesmo tempo cativante e ligeiramente perturbador. — Posso ajudar, Luna? — A voz dele era grave e controlada, sem qualquer traço de surpresa, como se esperasse por ela. Ele secou o suor da testa com as costas da mão. Mia percebeu que ele já sabia quem ela era. O respeito em seu tom era notável, mas havia uma profundidade em seus olhos que a instigava, e a falta de reação óbvia à sua presença era exatamente o que ela procurava. — Eu vim treinar — Mia respondeu, sua voz firme. — Preciso ficar mais forte. Ele ergueu uma sobrancelha, um pequeno sorriso sutil surgindo em seus lábios. — A Luna deseja treinar? Uma surpresa. Mas estou à sua disposição. Sou Caleb Maddox. O nome fez um clique na mente de Mia. Caleb Maddox. O líder de um clã proeminente e um guerreiro renomado, agora estava diante dela, oferecendo-se como seu treinador. Para Mia, ele parecia ser apenas um guerreiro competente, exatamente o tipo de pessoa focada que ela precisava. — Então, Caleb, quando podemos começar? — Mia perguntou, seu olhar desafiador. Maddox assentiu, os olhos percorrendo a figura de Mia com uma avaliação que ia além do simples interesse em treinar. Havia um brilho astuto ali, mas a compostura dele era inabalável. — Podemos começar agora, Luna. Mas esteja avisada: não facilito para ninguém. E meu treinamento é… rigoroso. Mia sorriu, um sorriso que continha um misto de determinação e uma pitada de desafio. — Perfeito. É exatamente o que eu quero. Mia assentiu a Caleb, um sorriso determinado nos lábios, e então se virou para se preparar. Ela caminhou até os enormes e luxuosos banheiros do complexo, que eram mais como vestiários particulares, e rapidamente começou a se trocar. Trocando o vestido por roupas de treino que lhe davam liberdade de movimento, ela se sentiu mais leve e pronta para o desafio. Com o corpo já pulsando em antecipação, Mia se dirigiu a uma ala específica do complexo, onde Caleb a esperava. No entanto, ela não estava preparada para a cena que encontrou. Bryan, Gustavo, Axel, Niel, Gael, Ben, Noah, Felipe, Ares, Atlas, Henry — todos estavam ali, formando uma plateia silenciosa e imponente. A presença deles era quase esmagadora, e a tensão no ar podia ser cortada com uma faca. Bryan estava na frente do grupo, a mandíbula cerrada, tentando desesperadamente controlar as expressões em seu rosto. Não era fácil. Para um lobo Alfa dominante, permitir que outro macho tocasse o que ele considerava “seu” era uma afronta direta aos instintos mais primitivos. Seus nervos estavam à flor da pele. Ele sabia que precisava controlar sua possessividade, que esta era uma chance de mostrar a Mia que podia mudar, que podia realmente confiar nela. Mas, mesmo diante de sua própria promessa, ele sabia que seria uma tarefa incrivelmente difícil. A cada segundo que Caleb se aproximava dela, Bryan sentia seu lobo interior rosnar em advertência, um som que todos podiam ouvir. Mia se aproximou de Caleb Maddox, ignorando a plateia, e os rosnados de Bryan. — Pronta, Luna? — Caleb perguntou, a voz calma, sem qualquer traço de emoção extra. — Sim. Ele começou com exercícios de aquecimento, alongamentos e movimentos básicos que testavam a agilidade e o equilíbrio. Mia, que antes era ágil, sentiu a falta de prática. Seu corpo estava enferrujado, os músculos reclamando a cada estiramento. Caleb observava cada movimento com uma precisão cirúrgica, corrigindo sua postura sem tocá-la, apenas com a voz. Ainda assim, a cada instrução direta de Caleb, a cada movimento que ele fazia para demonstrar uma técnica, um rosnado alto e gutural escapava da garganta de Bryan. O som, embora contido, era audível no silêncio tenso do complexo, e todos ali sentiam a intensidade da possessividade do Alfa. Para um lobo, a companheira era intocável por outro macho, e a simples proximidade de Caleb, instruindo sua Luna, era um teste constante para Bryan. A tensão era grande, quase sufocante no ambiente. — Mais baixo, Luna. O centro de gravidade é fundamental. Sua base está fraca. Ela tentava, suando, sua respiração começando a ficar pesada. A plateia parecia reter a própria respiração, observando cada falha dela. Então, Caleb introduziu um exercício de defesa e contra-ataque, exigindo velocidade e coordenação. Ele demonstrava o movimento uma única vez, rápido e impecável. — Tente, Luna. Mia tentou replicar a sequência. Seus braços se moveram com a intenção certa, mas suas pernas não acompanharam a velocidade. Em um movimento brusco, seus pés se enrolaram, e ela caiu com força no chão, raspando o joelho no piso áspero. Uma dor aguda a atravessou. No mesmo instante, Bryan, que observava com os punhos cerrados, levantou-se de seu lugar, uma expressão de fúria e preocupação tomando conta de seu rosto. Ele deu um passo à frente, pronto para intervir, o instinto de Alfa protetor rugindo dentro dele. Mia, ainda no chão, levantou os olhos para ele. Seu olhar era severo, gélido, uma ordem silenciosa que dizia: “Não ouse intervir.” A mensagem foi clara. Bryan parou, os músculos tensos, mas obedeceu. Ele sentou-se novamente, embora a contragosto, com um rosnado baixo preso na garganta. Caleb Maddox, impassível, estendeu uma mão para Mia, sem um pingo de sarcasmo ou condescendência. — Levanta, Luna. Um arranhão não vai te matar. Agora, de novo. Mia aceitou a mão dele, levantou-se com a dor no joelho e limpou a poeira, seu olhar fixo em Caleb. — De novo. — ela repetiu, a determinação inabalável. Os exercícios continuaram, e Mia persistiu, caindo e levantando, seu corpo protestando a cada movimento. — Intervalo. — Caleb anunciou, sem alterar o tom. — Você tem cinco minutos para se recompor. Mia assentiu, exausta, e se dirigiu aos banheiros para limpar o ferimento e respirar. Enquanto Mia estava fora, Bryan, incapaz de conter sua frustração e possessividade por mais tempo, levantou-se e se aproximou de Caleb Maddox, os olhos azuis faiscando.
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