Bryan se aproximou de Mia, os narizes deles quase se encostando. A tensão entre eles era eletricidade pura, um campo de força invisível que os prendia. Mesmo com a dor que ela carregava, mesmo com a raiva, ela sabia que não resistia a ele, não totalmente. Era uma batalha que ela travava consigo mesma.
Ele colocou as mãos nos braços dela, os dedos fortes apertando suavemente. Depois, rodeou-a com os braços, puxando-a para mais perto. Estavam tão próximos que os cheiros deles se misturavam: o sândalo e chuva de Bryan com a orquídea n***a e tempestade de Mia. Ele levantou uma mão e a colocou no pescoço dela, a outra na cintura, prendendo-a em um abraço que era tanto uma súplica quanto uma afirmação.
— Aquele cara que te afastava não existe mais, Mia. — A voz dele era um sussurro rouco, quase uma confissão.
Ele afastou os cabelos dela do pescoço, o toque macio enviando arrepios por sua pele.
— Eu sei que agora vai ser sua vez de me afastar…
Ele respirou fundo o cheiro dela, sua boca se aproximando da pele sensível.
— Eu aceito tudo. Sua raiva, seu ódio. Você pode fazer o que quiser comigo. — Ele prometeu, sua voz embargada de vulnerabilidade. — Estou totalmente em suas mãos.
E então, aproximou a boca do pescoço dela, bem onde estava a marca que ele fez nela no casamento, o laço de acasalamento que os unia para sempre. Ele começou a beijar o pescoço dela, um beijo lento e profundo, cheio de desespero e posse. Cada toque, cada sucção, era uma promessa silenciosa de que ele não a deixaria ir, que ele a reconquistaria, não importava o custo.
Mia não conseguiu manter o controle e a compostura com ele. Afinal de contas, ele era uma extensão dela, era parte dela. O cheiro dele, o toque, os beijos, tudo a intoxicavam totalmente. Os beijos dele subiram do pescoço para a boca dela, que se abriu para ele em um suspiro involuntário. Ela foi relaxando conforme o contato entre eles se aprofundava. Era quente, emanava uma onda elétrica por todo o corpo dela, um fogo que ela tentava suprimir, mas que ardia com intensidade.
Droga! Não foi para isso que eu vim, ela pensou, a mente em um turbilhão de contradições. Mas Mika ronronava de prazer dentro dela, uma loba que reconhecia seu companheiro, que ansiava por aquele toque, por aquela conexão visceral que as palavras e as mágoas não podiam quebrar. As línguas deles se misturavam, ansiosas uma pela outra, uma dança frenética de desejo e desespero. Mia gemeu sob a boca de seu companheiro.
E foi ali, com os lábios dele ainda sobre os seus, que Mia se lembrou de uma noite parecida… uma noite em que ele também queimava por dentro, mas escolhia o gelo por fora, ele tentava controlar ela de qualquer forma e Mia se lembrava …
FLASHBACK DO PASSADO
Era um sábado à noite, e a galera queria curtir. Íamos para a Crescente Clube, a boate da alcateia Blackwolf. As meninas estavam se arrumando, e os rapazes esperavam na sala, impacientes.
Quando terminaram de se arrumar, assim que Mia chegou perto de Bryan, ele ficou furioso.
— Mas que droga você está vestindo, Mia?! — A voz dele era um rosnado baixo, carregado de uma raiva que a assustou.
Mia se sentiu meio assustada, sem entender o porquê da raiva dele. Ela estava vestindo duas blusas: um top preto e uma blusa transparente preta, cheia de brilho, por cima, e uma saia preta justa. Ela se sentia linda, sexy, poderosa. Então, por que ele estava surtando?
— Por que você não se veste igual à Júpiter? Olhe só para ela: discreta, comportada e sem chamar atenção. — Bryan continuou, a voz gélida.
Júpiter Starlight era uma das melhores amigas de Mia, tinham a mesma idade. Mas Júpiter era contida; estava vestida com uma blusa larga, calças largas, casaco e tênis, parecendo mais um menino, só faltava o boné. Mas o que mais incomodava Mia era a comparação constante que ele fazia. Mia era linda, deslumbrante e destemida, uma força da natureza, implacável, e Bryan queria contê-la, dobrá-la à sua vontade.
— Para com isso, Bryan! Ela está linda! — Selena Starlight, a ruiva de olhos verdes esmeralda, uma das amigas mais audazes de Mia, interveio, seu senso de justiça borbulhando.
Bryan se virou para Selena, mais irritado do que já estava. — Sim, ela está linda e provocante. E por causa disso eu não vou poder me divertir essa noite, nem beber, porque ela está chamando atenção demais.
Mia se sentia angustiada. Era sempre assim: ele se irritava com ela por tudo, mas principalmente por causa do que ela vestia ou se ela sorria demais para algum garoto. Era exaustivo.
Ben, sempre o apaziguador, chegou perto de Bryan e colocou a mão no ombro do irmão.
— Calma aí, cara. Estamos indo para a Crescente, a boate é da nossa família. Ninguém ousaria fazer nada com ela, nem com nenhuma garota que está com a gente.
Bryan bufou. — Tanto faz. Vamos logo antes que a gente perca a noite toda.
A entrada da boate estava cheia, uma fila imensa de pessoas. Eles entraram na fila, apesar de serem basicamente os donos do lugar. Sempre foram instruídos a agir como pessoas normais, sem arrogância ou tentativas de se sobressair.
Bryan se aproximou de Mia na fila e a puxou para um cantinho, longe do pessoal. Ele a puxou pelo braço de maneira fria e mecânica, mas não a machucou. A frieza de seu toque era quase mais dolorosa do que qualquer aperto.
Ele se agachou para falar no ouvido dela, a voz fria e autoritária que ela conhecia tão bem:
— Você vai ficar bem pertinho de mim, e se ousar sair de perto, na próxima vez você não vem. Não me faça repetir, Mia.
Um calafrio percorreu a espinha de Mia. Ele não ia facilitar essa noite.
Eles entraram depois de um tempo aguardando. Pegaram bebidas, e Mia tentou se distrair. A boate era enorme, com várias partes luxuosas, cheia de luzes vibrantes. Havia uma piscina, lugares para encontros privados, uma pista de dança a céu aberto sob a luz da lua e outra interna com um teto retrátil que refletia o luar. A boate era tão grande que era fácil se perder lá dentro.
Todos começaram a beber e a dançar, a se divertir. Bryan parecia uma muralha atrás de Mia, como um cão de guarda. Mia, por outro lado, tentava se divertir. Bebia e dançava, atraía olhares como sempre; homens de todas as idades olhavam para ela. Bryan estava tenso. Se ela se movia, ele se movia com ela. Quando ela tentava sair de perto, ele a puxava de volta.
Em um certo momento, ele resolveu beber uma cerveja, e Mia continuou a dançar, movendo-se em movimentos leves, mas sensuais. As luzes da boate banhavam o corpo dela, realçando cada curva. Bryan percebeu os olhares de desejo por ela. Ela era hipnotizante, atraindo todos para ela como um vórtice.
Ela se movimentava sobre Bryan. Ele não podia negar que gostava; os movimentos dela eram bons e sensuais. Quando ele não estava fazendo cara feia para os machos secando-a, ele a olhava descer e subir ao ritmo quente da batida. Era sensual, e ele gostava, mas queria que ela fizesse isso só para ele, obviamente. Bryan não gostava de dançar; ele era grande e meio tenso, um guerreiro, não um dançarino, ele pensou. Mas ele adorava ver Mia dançando, se esfregando nele.
Era uma sensação gostosa e, no fundo, além do ciúme e do medo de perdê-la, ele se sentia de fato sortudo por ter alguém tão maravilhosa só para ele. A Deusa da Lua tinha caprichado na sua companheira, era uma verdade que ele guardava só para ele. Ele adorava como Mia era linda, sensual e tinha curvas deliciosas das quais ele não se cansava.
A noite estava indo bem e ele começou a relaxar até que alguém se aproximou para tirá-lo do seu momento de admirar oque lhe pertencia…