bc

Um Amor de Outro Planeta.

book_age18+
231
FOLLOW
4.6K
READ
reincarnation/transmigration
HE
prince
sweet
bxg
another world
cheating
alien contact
tricky
like
intro-logo
Blurb

O caminho de dois seres de raças diferentes se cruzam. Poderá brotar um sentimento arrebatador entre eles? Só o tempo dirá. Vamos conhecer a história de Kefferon e Maria Joana, um alienígena e uma humana, em uma jornada diferente!

chap-preview
Free preview
Tesouro encontrado.( Luís Paulo- morador de rua).
A fome corrói não só as vísceras, mas também a honra de um ser humano. Muitos conhecem a dor da miséria, poucos fingem que ela não existe. Assim, é mais fácil maquiar o cenário da cidade maravilhosa, jogando todas as mazelas para debaixo do tapete persa que cobre os pisos dos luxuosos gabinetes e escritórios políticos. Para onde vai tanta verba, tanto dinheiro que nunca consegue atingir e beneficiar as camadas mais vulneráveis da população? Penso que somos invisíveis aos olhos destes e dos demais que desfilam por aí exibindo seus carrões importados, joias e roupas de marcas. Onde foi parar aquela passagem bíblica em que Deus fala para seus filhos terrenos?: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." Esquecida na mente dos humanos, semelhante a móveis velhos empilhados num pequeno cômodo de uma casa abandonada, onde só a poeira circula e as teias de aranha se acumulam por todos os lados. Ajuntar tesouro no céu, no meu humilde conceito, é praticar os ensinamentos de Jesus Cristo, entre eles: partilhar o pão e vestir aqueles que têm frio. Entretanto, isso ocorre com certa escassez por aqui. Eu, diante dessas pessoas empoderadas e cheias de si, que mais se assemelham a estátuas: bonitas por fora, frias e desprovidas de coração, sou o famoso João ninguém e não o Luís Paulo, homem alagoano que deixou sua terra natal para trás e "ganhou o mundo" em busca de boas oportunidades de emprego. Vi na migração interna a chance de mudar de vida. Sonhei em conquistar meu espaço e, munido de coragem, fui em busca do que almejei. Antes não tivesse feito, hoje me arrependo amargamente. Deixei esposa e filhos para trás e acabei frustrado, vivendo nas ruas, dormindo em qualquer lugar, catando no lixo restos para saciar minha fome. Caminhando pelas ruas da Lapa, reduto da boemia, adentrando a madrugada, disputo com os ratos as migalhas deixadas nas lixeiras. Se eu fosse nomear a minha vida, "Soneto da Desesperança" seria perfeito para descrevê-la. Meus pés doem, calço um sapato menor que o meu número, fruto de uma doação, uma vez que os meus antigos estavam em péssimo estado. Atravesso a faixa de pedestres e sigo caminhando solitário pela rua Teixeira de Freitas, chego perto do Passeio Público. Ando clamando aos céus para que o amanhã seja melhor do que o hoje. _ Agradece, Luís Paulo, poderia estar chovendo.- murmuro sozinho. Ando rente ao gradil que cerca o parque inaugurado no séc XVIII, situado nas proximidades da Cinelândia. De longe, vejo uma pequena caixa de papelão. Me aproximo um pouco e percebo que o recipiente feito de fibra de celulose está se mexendo. Meu coração aperta. "Algum desalmado deve ter jogado filhotinhos de cão ou gato na rua. Agora virou 'moda': não quer os animais, descarta na rua, como se os bichinhos fossem um monte de resíduos sem utilidade." - penso eu. Apresso os meus passos para tentar ajudar os prováveis animaizinhos. Não é a primeira vez que presencio algo deste tipo. Alguns monstros revestidos de pele humana colocam as indefesas criaturas em sacolas e amarram a boca, para que os animais morram sufocados. Aproximo-me e remexo na montoeira de panos. Então, um grito fica entalado na minha garganta enquanto um choro de criança recém-nascida quebra o silêncio. Fico apavorado, olho ao redor e nenhum sinal de quaisquer pessoas. _ Meu Deus! O que eu faço agora?- sibilo perplexo Meu corpo treme por inteiro. Penso em pegar o pequeno bebê, mas temo machucá-lo, pois faz anos que não pego uma criança no colo. Respiro fundo e pego a caixa com essa inocente vida dentro. Com cuidado, caminho apressado buscando encontrar alguma ajuda. Aflito e sem encontrar uma alma bondosa para socorrer a criança, desço até a Praça Quatro de Julho, onde costuma sempre haver uma viatura da polícia militar estacionada. Chego perto dos dois agentes públicos arfando, com o coração batendo na garganta e os pulmões ardendo. _ Boa noite, preciso de ajuda. Acabei de encontrar essa criança abandonada na calçada do Passeio Público. — falo, estendendo a caixa com todo cuidado na direção dos dois homens que já estavam com a mão em contato com suas armas. Eles me olham cheios de receio, até o pequeno inocente começar a esgoelar-se outra vez. Rapidamente embarcamos na viatura. Primeiro fomos ao hospital, pois a criança precisava de atendimento médico, podendo estar sofrendo de hipotermia. Por lá, fico sabendo que o bebê é uma menina que ainda tinha consigo o cordão umbilical e restos de placenta. A pobre alma nascera há poucas horas. Depois, sou levado para a Delegacia, para poder prestar depoimento e, de certa forma, ajudar com fatos para a investigação que irá iniciar-se. Quando finalmente fui liberado pelo delegado de plantão, o crepúsculo dominava. Respondi a tantas perguntas feitas de diversas formas diferentes. Talvez tenham pensado que eu pudesse ter sequestrado aquela criatura inocente; no entanto, fui enfático e firme em todas as minhas respostas. _ Deus, que o senhor cuide bem daquela criança e lhe reserve o melhor da vida.- peço numa oração silenciosa. Caminho sem rumo e o tempo voa. São por volta das duas da tarde quando sou abordado por uma equipe de reportagem. Eles querem saber detalhes de como encontrei o bebê. Tímido e sem jeito para falar com pessoas tão educadas, conto o que ocorreu. A repórter, muito solícita, procura saber mais sobre minha vida. Entre lágrimas, conto tudo o que aconteceu comigo nesses sete anos que estou aqui no Rio. Minha história de vida comove o cinegrafista, que, após o término da gravação, se prontifica a me doar uma passagem de volta a Alagoas. Eu me vi envolto em lágrimas de alegria. A esperança voltou a florescer em mim. A vida é doce e amarga, bipolar. Uma mãe para uns e carrasca para outros. Nesse exato momento que estou dentro de um ônibus confortável, limpo e vestindo roupas novas, vejo a vida me sorrir. Respiro embalado pela felicidade que afaga minha alma. Os tempos de tortura acabaram; agora é o momento de mansidão. A única lembrança boa que levarei comigo da tal cidade maravilhosa é a de ter feito a diferença na vida daquela menina. Aprendi a minha lição, nunca mais me aventuro a sair do meu estado, nunca mais quero saber de fazer migração interna. Sinto a dignidade retornar a cada célula do meu ser.

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

O Lobo Quebrado

read
129.5K
bc

Primeira da Classe

read
14.1K
bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
4.8K
bc

De natal um vizinho

read
14.0K
bc

Amor Proibido

read
5.5K
bc

Sanguinem

read
4.3K
bc

Meu jogador

read
3.3K

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook