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O lugar onde pertencemos

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Emma sempre acreditou que sua vida seguiria um caminho simples. Criada no interior, cercada por lembranças, flores e valores que carrega desde a infância, ela jamais imaginou que o destino colocaria em seu caminho um homem tão diferente de tudo o que conhecia.

Vicenzo Martini construiu sua vida cercado por poder, responsabilidades e segredos. Acostumado a controlar tudo ao seu redor, ele não esperava encontrar alguém capaz de desafiar suas certezas e transformar sua forma de enxergar o mundo.

Entre encontros inesperados, laços familiares, descobertas e recomeços, Emma e Vicenzo precisarão aprender que o amor verdadeiro não se constrói apenas com promessas, mas também com escolhas diárias, confiança e coragem.

Enquanto o passado insiste em revelar suas marcas, novas conexões surgem e velhas feridas começam a cicatrizar. Em meio a momentos de alegria, dúvidas, perdas e esperança, cada personagem descobrirá que família vai muito além dos laços de sangue.

Emocionante, envolvente e repleto de sentimentos, O Lugar Onde Pertencemos é uma história sobre amor, pertencimento e a busca por um lugar para chamar de lar.

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CAPÍTULO 1 – ENTREGUEI TUDO A ELE
CAPÍTULO 1 Entreguei Tudo a Ele Eu apertava o envelope contra o peito enquanto subia as escadas do prédio. Dentro dele estava o comprovante da transferência. Todo o dinheiro da venda do sítio já estava na conta de Pedro, exatamente como havíamos combinado. Meu coração estava acelerado. Mas não por medo. Era ansiedade. Felicidade. Esperança. Depois de meses fazendo planos, sonhando acordada e imaginando nosso futuro, finalmente estávamos prestes a comprar nosso próprio salão de beleza. Sorri sozinha. Pedro havia saído cedo para conversar com o proprietário do imóvel. Se tudo desse certo, dentro de algumas semanas estaríamos trabalhando lado a lado. Construindo algo nosso. Pela primeira vez em muito tempo, eu sentia que minha vida estava voltando aos trilhos. Os últimos meses haviam sido difíceis. Difíceis demais. Depois do acidente que tirou a vida da minha mãe, passei dias sem conseguir sair da cama. Ela era a única família que eu tinha. Quando a perdi, senti como se tivesse perdido uma parte de mim. Como se o mundo tivesse continuado girando enquanto o meu permanecia parado. Foi Pedro quem esteve ao meu lado naquele período. Foi ele quem segurou minha mão durante o enterro. Quem me abraçou quando eu acordava chorando no meio da madrugada. Quem me convenceu de que ainda existia um futuro para mim. E eu acreditei. Talvez porque o amasse. Talvez porque precisasse desesperadamente acreditar em alguém. O sítio que eu havia vendido pertencia à minha família há gerações. Cada árvore. Cada cerca. Cada pedaço daquela terra guardava lembranças. Eu ainda conseguia me lembrar da minha mãe me chamando para almoçar da varanda. Das tardes correndo pelo campo. Dos banhos de chuva escondidos quando eu era criança. Vender tudo aquilo não foi fácil. Na verdade, foi a decisão mais difícil da minha vida. Mas Pedro me fez enxergar aquilo como um investimento. Um recomeço. Um passo em direção aos nossos sonhos. Enquanto caminhava pelo corredor do prédio, imaginei sua reação quando contasse que a transferência já havia sido concluída. Provavelmente me pegaria no colo e me giraria no ar, como sempre fazia quando estava feliz. A simples ideia me fez sorrir. Mas o sorriso desapareceu assim que cheguei à porta do apartamento. Ela estava destrancada. Estranho. Pedro sempre trancava a porta. Sempre. Empurrei-a devagar. — Amor? Nenhuma resposta. Franzi a testa. Foi então que percebi algo ainda mais estranho. Havia malas espalhadas pelo quarto. Muitas malas. Paradas ao lado da cama como se alguém estivesse prestes a viajar. Meu estômago se apertou. O chuveiro parecia ligado. E então ouvi risadas. Vozes. Vindas do banheiro. Uma sensação r**m tomou conta de mim. Aquela sensação que surge quando alguma coisa está errada, mesmo antes de você descobrir o quê. Aproximei-me da porta em silêncio. Meu coração batia tão forte que parecia ecoar pelo corredor. Estendi a mão para a maçaneta. Mas parei. Porque ouvi a voz de Pedro. — Acredita que fiz aquela i****a depositar todo o dinheiro da venda da casa na minha conta? Meu corpo congelou. — Já comprei nossas passagens. Hoje mesmo vamos para São Paulo. Ele riu. — Quem diria que aquele sítiozinho iria valer tanto? Por um segundo achei que tivesse ouvido errado. Aquela i****a. Ele estava falando de mim. Uma gargalhada feminina ecoou pelo banheiro. — E ela acreditou mesmo que você iria abrir um salão de beleza com ela? Mais risadas. — Muito ingênua. — Vocês se conhecem há quanto tempo? Seis meses? Pedro riu novamente. Mas daquela vez sua risada soou diferente. Fria. Cruel. Desconhecida. — Por aí. — Ela só tinha a mãe, que morreu naquele acidente. — Quando fui avaliar o sítio, percebi que ela não tinha mais ninguém. Fez uma pausa. — Então decidi tirar dela o resto que sobrou. Senti minhas pernas fraquejarem. Minha visão ficou embaçada. O homem que eu amava. O homem em quem confiei minha vida. O homem para quem entreguei tudo. Nada daquilo era real. Cada abraço. Cada beijo. Cada promessa. Tudo tinha sido planejado. Tudo calculado. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Mas, em poucos segundos, a tristeza deu lugar à raiva. Uma raiva tão intensa que queimava dentro do peito. Com as mãos tremendo, empurrei a porta do banheiro. Ela bateu contra a parede com força. Os dois se viraram assustados. Pedro arregalou os olhos. Mas não foi ele quem chamou minha atenção. Foi a mulher ao seu lado. Meu sangue gelou. Eu conhecia aquele rosto. Conhecia muito bem. Por um instante, tive dificuldade até mesmo para respirar. — Você? Elen sorriu. Como se estivesse esperando por aquele momento. Como se estivesse se divertindo. Olhei para ela. Depois para Pedro. E novamente para ela. Não. Aquilo não podia ser verdade. — Sua prima? Minha voz saiu trêmula. — Você não disse que ela era muda? Olhei para os dois. Sem conseguir acreditar. — Então foi tudo mentira? — Seu nome é Pedro mesmo? — Vocês são nojentos. A raiva fez minha voz falhar. — Você disse que ela era sua prima. Pedro soltou uma risada debochada. — Você é mesmo muito ingênua, Emma. Deu um passo à frente. — Bastou contar uma história triste de um órfão criado pela tia para você confiar cegamente em mim. Elen veio na minha direção. Sem vergonha. Sem remorso. Sem culpa. Ela me empurrou contra a parede. — Eu e ele não somos parentes. Seu sorriso aumentou. — Isso aqui são apenas negócios. Inclinou a cabeça. — E não leve para o lado pessoal. — Você só foi a pessoa errada no momento certo. Ela se afastou e voltou para o quarto. Pedro foi logo atrás. Alguns minutos depois, os dois reapareceram já vestidos. Prontos para partir. Prontos para desaparecer com tudo o que era meu. Pedro tirou algumas notas do bolso e as jogou no chão. Cinco notas de duzentos reais. Mil reais. Como se aquilo fosse suficiente para comprar meu silêncio. Ou minha dignidade. — Para você não dizer que saí devendo alguma coisa. O silêncio tomou conta do apartamento. Pedro pegou uma das malas. Elen ficou ao seu lado. Então os dois foram embora. Sem olhar para trás. Sem remorso. Sem culpa. E me deixaram ali. Sozinha. Sem dinheiro. Sem família. Sem futuro. Observei a porta se fechar. E, naquele instante, algo mudou dentro de mim. As lágrimas continuavam caindo. Mas a dor já não era a única coisa que eu sentia. Porque uma nova certeza havia nascido. Eu encontraria os dois. E faria cada um deles pagar pelo que fizeram.

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