09

1079 Words
Seu punho passou por meu rosto e colidiu com a árvore ao meu lado, o impacto ecoando pela floresta. "Ah!", gritei. Meu corpo se chocou contra a árvore, mas com meu peito pressionado contra a madeira e minhas mãos ainda presas acima de mim, não havia para onde ir. A casca explodiu em um jato de fragmentos afiados, e o estalo profundo e doentio da madeira se partindo encheu meus ouvidos, mais alto do que minha própria respiração. A árvore tremeu embaixo de mim, o tronco gemendo com a força, enquanto os nós dos dedos dele afundavam na casca antiga. Meus joelhos se dobraram enquanto o instinto gritava para fugir, mas a presença dele me manteve congelada. A cratera deixada por seu punho estava a poucos centímetros de meu rosto, ainda fumegando com lascas rasgadas, e tudo o que eu podia fazer era respirar em meio ao pânico que subia por minha garganta. Meu coração batia tão violentamente que eu podia senti-lo ecoar na ponta dos meus dedos. Não me atrevi a virar a cabeça. Atrás de mim, sua respiração era constante, medida de uma forma que fez minha pele arrepiar. Não era calma. Era controlada. Como se ele estivesse segurando algo com cada grama de restrição que lhe restava. E então senti sua mão. Ela se moveu lentamente pelas minhas costas, seguindo com um calor que fez meu estômago revirar. Ela deslizou sobre a curva da minha cintura, depois se deslocou... e ele pegou o cinto. O assobio metálico do couro se soltando provocou um choque em mim mais violento do que a batida de seu punho. Ele se inclinou, seu hálito quente contra minha têmpora e, por um momento, achei que ele poderia falar. Mas, em vez disso, sua mão agarrou meus pulsos e os puxou para frente. Em um movimento fluido, ele enrolou o cinto firmemente em torno deles, prendendo-me com facilidade. A fivela se fechou com um clique, o metal mordendo o couro, e meus braços ficaram presos. "Desgraçado", sussurrei. Seu braço se enganchou sob meus joelhos, o outro me prendeu pela cintura, e ele me levantou sem esforço, jogando-me sobre seu ombro como se eu não pesasse nada. Meus pulsos amarrados pressionaram suas costas, meu cabelo caindo como uma cortina em sua coluna. Eu chutei, me debati, mas seu aperto era inabalável. "Me coloque no chão!" Ele não respondeu. Cada passo que ele dava pela floresta era firme. Eu podia sentir a tensão em seu corpo, a violência contida pulsando sob sua pele. Eu havia ferido seu orgulho... e cutucado o demônio que ele dizia viver dentro dele. ** Na manhã seguinte, acordei com um sobressalto, com os pulsos queimando onde o tecido grosseiro os prendia firmemente à cabeceira da cama. No momento em que abri os olhos, soube que não estava sonhando... Eu estava no castelo. O quarto estava escuro. Puxei uma vez, testando as cordas, e depois outra vez, com mais força. Elas não se moveram. Quem as amarrou sabia que eu lutaria. A porta se abriu com um rangido, e o som lento de botas na pedra fez minha mandíbula se contrair. Não precisei virar a cabeça para saber quem era. Romeo entrou com a graça casual de alguém que não me considerava uma ameaça. Ele nem sequer olhou para mim no início, apenas examinou o cômodo com uma espécie de inspeção preguiçosa. "Bom dia, animal de estimação", disse ele finalmente. "Espero que as acomodações não tenham sido muito... restritivas". Levantei minha cabeça o suficiente para encontrar seu olhar. "Desamarre-me!" Ele deu uma risada suave, não exatamente zombeteira, mas mais indulgente. "Aquele fogo. Deuses, agora vejo por que ele está mantendo você por aqui por mais tempo do que os outros." Minha respiração ficou presa, mas eu a disfarcei com o silêncio. Eu não queria perguntar, mas a pergunta me queimou mesmo assim. "Que outros?" Ele se virou para mim, devagar. "Ah, vamos lá", disse Romeo. "Certamente você não acha que é o primeiro? Houve muitas antes de você. Bonitas. Tranquilos. Dispostas... eventualmente. E todas elas achavam que poderiam lidar com ele também." "Você está mentindo." "Eu gostaria de estar", disse ele com um suspiro que parecia totalmente falso. "Isso tornaria as coisas menos tediosas. Mas não. Todas terminam da mesma forma." Puxei as cordas novamente. "O que acontece com eles?" Ele se aproximou um pouco mais, parando bem perto da cama. "Eles sangram", murmurou. "E nós limpamos os lençóis antes que o próximo chegue." "Você é nojento." "Não", disse ele. "Eu sou honesto. E você..." seus olhos se estreitaram ligeiramente, "você acha que é diferente. Mas não é. Você apenas ainda está respirando." Ele se virou e pegou uma maçã da bandeja na mesa ao lado, rolando-a entre as mãos. "Seraphina foi a última", disse ele depois de uma mordida, com o suco pingando dos dedos. "Mais forte do que a maioria, e ainda assim...", ele mastigou, "seus gritos chegaram até a ala norte." Meu estômago se revirou. Ela estava morta? "Drakkar a matou?" "Foi Sorvane", disse Romeo. "Ou talvez tenha sido o rei. É difícil distingui-los hoje em dia." Eu não falei. Minha boca ficou seca. Na porta, ele fez uma pausa, depois olhou de volta para mim com um sorriso que não alcançou seus olhos. "Um conselho, querida", disse ele. "Da próxima vez que ele tocar em você, não geme. É quando o demônio fica com fome." ** Drakkar POV Assim que coloquei Angelina no quarto e fechei a porta atrás dela, Sorvane se agitou. Ordenei que o guarda ficasse do lado de fora do quarto dela sem olhar para trás. "Vigie a porta. Dia e noite." Ele assentiu com a cabeça, mas m*l registrei o gesto. O gosto de Seraphina já estava desaparecendo de sua língua. m*l haviam se passado duas horas desde seu último suspiro e, ainda assim, Sorvane se debatia nos cantos da minha mente como uma fera a quem foi negado o banquete. Sua energia havia se esgotado rápido demais. Sorvane estava lá. "Estou ouvindo seu coração", ele ronronou. "Mais rápido do que qualquer outro que já conheci. Posso sentir o cheiro de seu cabelo através das paredes. Estou morrendo de fome por ela." Ele não dormiu. Nem naquela noite, nem na noite seguinte. Por três malditos dias, ele rondou dentro de mim, pressionando contra meu crânio, enrolando-se em minha coluna. "Você sente isso, não sente?", ele cantou. "O pulso sob a pele dela. É uma música, e ela a está tocando para mim."
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