Angelina POV
A fechadura cedeu com um clique suave, a tensão no pino finalmente se rompeu quando eu o soltei. Meus dedos tremeram, mas não hesitei. Enfiei o grampo de cabelo em meu bolso e abri a pesada porta de madeira.
Meus pés descalços atingiram o piso de mármore e corri às cegas por um corredor que não reconheci.
Dobrei uma esquina rápido demais, quase escorreguei, me agarrei ao corrimão de uma escada, mas ele rachou sob meu aperto, apodreceu na base e se partiu.
"Godde..." Caí com força, com os degraus de pedra cravados em meus joelhos e antebraços enquanto descia o pequeno lance. A dor surgiu em pulsos agudos e instantâneos, mas me forcei a continuar andando.
Não havia tempo para dor.
Uma porta lateral se aproximava, deixada entreaberta por alguma mão descuidada. A mudança repentina da pedra quente para a natureza selvagem fez minha pele se arrepiar, mas a adrenalina me levou adiante.
A floresta me engoliu por inteiro.
Os galhos batiam em meu rosto e braços enquanto eu avançava pela vegetação rasteira. O chão era irregular, cheio de raízes e pedras que mordiam meus pés, mas eu não parei. As folhas grudavam no suor do meu corpo, os galhos se enroscavam no meu cabelo e, em algum lugar na loucura do movimento, percebi que estava sangrando. Apenas arranhões em meus braços, a picada de pele rasgada em minhas pernas... mas nada disso importava.
Tudo o que importava era saber que eu não estava sozinha.
Ele estava me seguindo!
Eu não conseguia ouvir seus passos, mas podia senti-lo. Porque a floresta parecia silenciosa ao redor dele. Nenhum pássaro. Nenhum vento. Apenas o peso opressivo de algo antigo movendo-se silenciosamente atrás de mim. Sem pressa. Não perseguindo.
Caçando.
Quanto mais eu corria, mais a floresta parecia se fechar, como se as próprias árvores se inclinassem para dentro para me observar. A copa das árvores bloqueava a luz da lua em alguns pontos, tornando o caminho à minha frente embaçado.
Tropecei mais de uma vez.
Depois, uma clareira.
Uma a******a estreita entre as árvores, banhada por uma luz fria e prateada, um breve alívio da escuridão. Atravessei-a correndo, sabendo muito bem que estava exposto, mas esperando que o outro lado oferecesse uma cobertura melhor.
"Ali!" Sentia o suor escorrer pela espinha, os músculos doerem e os pulmões arderem a cada respiração.
Mas... ele estava lá.
A energia no ar mudou. De repente, a floresta parecia menor e mais fria. Diminuí a velocidade, meus instintos gritando, mas já era tarde demais.
"Corra, pequeno rebelde." Sua voz veio de trás, baixa e suave, com um tom de diversão sombria.
Cada músculo do meu corpo se travou, os pelos dos meus braços se eriçaram em alarme. Virei a cabeça lentamente, com o pulso martelando em minha garganta.
Ele estava de pé na borda da clareira, meio envolto em sombras, com a luz da lua incidindo em seus cabelos negros desgrenhados. Seus olhos não eram mais azuis, eles brilhavam.
Prateados. Pálidos. Desumanos.
Eu corri.
Os galhos batiam em meu rosto enquanto eu passava por eles, a vegetação rasteira rasgando minhas pernas. Meus pulmões ardiam e meus pés estavam duros, mas não parei. Não conseguia. Havia outros sons agora... o estalo fraco de galhos atrás de mim.
Ele não estava correndo. O desgraçado sabia que me pegaria.
Forcei-me a acelerar, mas a floresta era densa e c***l, e meu corpo já estava gritando. Tentei pular um galho caído, mas meu pé ficou preso em alguma coisa, pedra ou raiz, eu não sabia, e tropecei para frente.
Pum!
Bati no chão com um grunhido, com a sujeira batendo nas palmas das mãos e os joelhos raspando. m*l tive tempo de me levantar e senti o tecido rasgar minhas costas.
Ele havia me agarrado.
Os dedos se enrolaram na gola da jaqueta que ele havia jogado sobre mim antes... a jaqueta dele. Com um movimento suave, ele me levantou e me girou, batendo minhas costas contra a árvore mais próxima.
O impacto roubou o ar de meus pulmões. A casca da árvore penetrou em minha coluna. "Ah..." ofeguei.
Tentei empurrá-lo de volta, mas ele pegou meus pulsos com uma das mãos e os prendeu acima da minha cabeça, seu corpo pressionando o meu antes que eu pudesse me mover novamente.
Ele estava perto demais.
Muito forte.
"Saia de cima de mim!" Eu cuspi, lutando contra ele, mas era como lutar contra uma parede de ferro.
Meus quadris se retorceram, minhas pernas chutaram, mas ele se aproximou mais, usando o peso de seu corpo para prender o meu contra a árvore.
"Continue se contorcendo", sussurrou ele, com a boca bem perto da minha orelha. "Isso faz com que a perseguição valha a pena."
Meu corpo me traiu... minha pele ficou vermelha, o calor subiu onde não deveria. Minha respiração ficou presa na garganta, e eu odiei isso. Odiei que minha pulsação estivesse acelerada por motivos que não tinham nada a ver com medo.
"Nunca me submeterei à sua espécie imunda." sussurrei, sem fôlego.
Sua mão deslizou para baixo, do meu pulso para o antebraço, depois para baixo ao longo da minha lateral, lenta e deliberadamente, sem tocar a pele nua, mas perto o suficiente para fazer meu estômago se contrair.
Eu rosnei. "Vocês, lobos, não passam de monstros!"
Isso o fez fazer uma pausa.
Seus olhos encontraram os meus novamente. "Eu não quero sua submissão", disse ele lentamente. "Eu adoro quando os humanos provam que são mais do que sujeira."
Empurrei meu ombro para a frente, tentando romper seu controle, mas ele não se mexeu. Em vez disso, ele usou meu próprio impulso para me girar, pressionando meu peito contra a árvore dessa vez, seu corpo contra minhas costas.
Mas que...
Uma mão agarrou meus pulsos novamente, segurando-os bem acima da minha cabeça, enquanto a outra se apoiou na árvore ao lado da minha bochecha.
"Você me odeia", ele sussurrou. "Posso sentir seu cheiro."
"Eu odeio tudo em você", retruquei. "Sua voz. Seu toque. Toda a sua raça amaldiçoada."
"Eu a salvei de passar o resto de sua vida como uma prostituta", ele grunhiu. "Eu lhe dei um lugar confortável em minha casa. Eu não devia isso a você, sua humana ingrata."
"E eu nunca pedi por isso!" Eu revidei. As palavras que Romeo havia me dito antes ecoaram em minha mente. "Você quer que toda a humanidade se ajoelhe a seus pés e culpa o monstro dentro de você. Sorvane, certo? Mas talvez... talvez o verdadeiro monstro não seja ele."
Ele congelou.
Eu senti isso. Seu corpo inteiro se retesou atrás de mim, não em um estremecimento, mas naquela quietude assustadora e letal que surge quando algo selvagem está prestes a atacar.
Então ele se moveu.