Carol Narrando Eu senti. Na hora. A vontade de estourar essa desgraçada aqui mesmo, na frente de todo mundo. O cano da arma ainda encostado na têmpora dela… e bastava um movimento. Um segundo. Um impulso. E pronto. Acabava ali. Mas eu não sou burra. Respirei. Lento. Controlando o dedo. Controlando o impulso. Porque isso aqui não era só uma loira metida no meu morro. Isso aqui… tinha dedo de gente grande. Se eu derrubo ela aqui… do nada… sem pensar… quem mandou, manda outra. Ou pior. Joga a culpa em mim. E eu não jogo no impulso. Eu jogo pra ganhar. Afastei a arma devagar. Mas não baixei a guarda. — Você tá com sorte hoje — falei baixo, olhando dentro do olho dela. Ela respirou fundo. Tentando se recompor. Tentando não tremer. Dava pra ver. O orgulho dela era maior que o medo. — É

