Carol Narrando O baile ainda pulsava. Mesmo depois de tudo. Mesmo depois do Dante. Mesmo depois do clima pesado que ficou no ar, como se uma nuvem escura tivesse parado bem em cima do morro e se recusado a ir embora. As luzes continuavam piscando. O som continuava estralando. O povo continuava dançando. Mas tinha alguma coisa no ar. Uma tensão. Uma espera. Um fio de navalha prestes a cortar. A Raíssa tava encostada no parapeito do camarote, conversando baixinho com o Neguinho. Ela ria, mas eu conhecia ela. Aquela risada era nervosa. Era de quem tenta fingir que tá tudo bem quando não tá nada. O cabelo dela balançava com o vento. As mãos dela gesticulavam. Os olhos dela iam de um lado pro outro, como se esperasse alguma coisa. A Júlia já tinha decidido que a melhor forma de lidar com o

