Lopes Narrando Fiquei jogado no chão frio da cela por um tempo que eu nem sei medir. Meu corpo doía inteiro. O estômago queimando do soco. O rosto latejando. A boca com gosto de ferro. As costelas doendo cada vez que eu respirava. Mas nada… nada doía mais do que a certeza que martelava na minha cabeça: meu pai fez isso comigo. Meu próprio pai. Eu ficava repetindo isso na mente como se, em algum momento, a frase fosse fazer sentido. Como se fosse encaixar. Como se tivesse uma explicação lógica. Mas não tinha. Só tinha ódio. Só tinha decepção. Só tinha a imagem dele na minha frente, satisfeito, achando que estava certo. Eu tava no chão, encostado na parede fria, tentando puxar o ar sem deixar a dor aumentar. O cheiro de mofo e desinfetante barato. O som das grades batendo ao longe. As v

