Capítulo 28 Carol

1166 Words
Carol Narrando Fiquei bolada. Não tem outra palavra. O telefone dele tocou na hora que a gente tava no melhor momento, ele atendeu, falou nome de mulher, e o clima ficou sei lá… estranho. Fui pro banheiro, meio que pra esfriar a cabeça, mas também pra ver se ele vinha atrás. E veio. Claro que veio. Daquele jeito gostoso dele, que me abraçou por trás, que passou o p*u na minha entrada, que me sentou na pia e meteu o dedo. Eu tentei manter a cara de bolada, juro. Mas quando ele segurou meu queixo e perguntou se eu tava com ciúmes, e eu respondi na lata que não, que a gente só tinha se conhecido de um jeito muito específico… aí ele veio com aquelas palavras. Falou de esperar o dia inteiro, a noite inteira, pra saber se eu era de verdade. Olhei nos olhos dele. E por um segundo, esqueci da ligação. Esqueci da Adriana. Esqueci de tudo. Agora a gente tava ali, ele me comendo na pia do banheiro, as pernas levantadas, a visão mais absurda de tão gostosa. Eu sentia o orgasmo chegando, aquele aperto lá embaixo, o calor subindo. Passei o dedo na língua, desci devagar pela barriga, encontrei meu c******s e comecei a circular junto com as estocadas dele. — Isso… — ele gemeu, vendo o que eu tava fazendo. — Se toca, bandïda. Quero ver você gøzar assim. Joguei a cabeça pra trás, os gemidos escapando sem controle. Ele segurou firme nas minhas pernas, socando fundo, cada vez mais forte. — Vou gøzar… — a voz dele saiu rouca. — Vou gøzar agora. — Vem com tudo, policial. Vem com tudo, meu gostoso. Quando eu falei "meu gostoso", os olhos dele brilharam diferente. Um sorriso apareceu no canto da boca, daqueles que a gente vê em homem que se sente dono. Ele acelerou, meteu mais fundo, e nós fomos juntos. Eu gozei primeiro, ele veio na sequência, os dois se perdendo no meio do prazer. Ficamos ali, ofegantes, ele ainda dentro de mim. Depois de um tempo, me levantou da pia, me levou pro chuveiro. A água caiu nos dois, lavando o suor, o cansaço, o resto de tensão. Ele saiu de dentro de mim devagar, me colocou no chão com as pernas bambas. — Tá fraca, morena? — ele provocou, me segurando pelo braço. Segurei no peito dele, rindo. — Como é que não fica com um troço desse tamanho, quente, fogoso desse jeito? Ele riu, me puxando mais pra perto. E ali, debaixo d'água, eu pensei: qualquer mulher tira o chapéu pra traficante, pra dono de morro, pra patente alta. Mas esse bota aqui não fica atrás não. Não fica mesmo. — Preciso ir — falei, depois de um tempo. — Não vai não. Ri. — Fica pra outro efeito? Você não tinha que estar na blitz? Ele riu também. — E você não tinha que estar na boate? Ficamos os dois rindo feito adolescente, debaixo do chuveiro. Saímos do banho, cada um se secando. Enrolei a toalha no cabelo, ele vestiu um roupão. Abri o armário dele, peguei desodorante — passei. Peguei creme facial — passei no rosto, alisando a pele. Aí olhei pra cama. Aquela cama enorme, arrumada, me chamando. Deitei. Só um segundo. A preguiça bateu forte. Aí me toquei. Calma, Carol. Você nunca dormiu na casa de bandido. Vai passar a noite na casa de um policial? O celular vibrou na minha bolsa. Peguei. Raíssa. Abri a mensagem. Raíssa: Amiga, puxei. Demorei um pouquinho, mas consegui os dados do garanhão da blitz. Sorri, esperando fofoca. Aí começaram a carregar as fotos. Primeira foto: um homem mais velho. Terno, postura séria. Juiz, pela cara. Segunda foto: uma mulher, elegante, ao lado do mesmo homem. Ri sozinha. Família tradicional. Terceira foto: carregou. Era ele. O Lopes. Mais novo, de farda, mas o mesmo sorriso de canto. A quarta foto carregou. Uma foto mais antiga. O juiz, a mulher, e os filhos. Três. Dois mais velhos, e ele, o mais novo. Olhei pra foto. Olhei pra porta do banheiro, onde ele ainda tava. Olhei pra foto de novo. A semelhança… — Que p***a é essa? — falei em voz alta, sem perceber. Ele apareceu na porta do quarto. — Aconteceu alguma coisa? Olhei pra ele. Rápido demais. — Não. É… assunto de família. Ele arqueou a sobrancelha, mas não insistiu. Voltou pro banheiro. Olhei de volta pro celular. Ampliei a foto. O juiz. A mulher. Os filhos. Meus dedos voaram no teclado. Carol: Qual é o sobrenome dele? Raíssa: Lopes. Rafael Lopes Mendonça. Por quê? O chão sumiu. Mendonça. O juiz que quer destruir meu pai se chama Otávio Mendonça. Engoli seco. Levantei da cama. Comecei a catar minhas roupas, voltando pro banheiro. Ele apareceu na porta, barrando a passagem. — Depois de ter sentado pra mim na primeira blitz, lá no asfalto, e hoje ter acertado com força e com vontade… agora vai se trocar no banheiro? Respirei fundo. Passei por ele, voltei pro quarto. Coloquei o celular na cama, comecei a vestir o vestido. As costas abertas, precisei pedir. — Fecha pra mim. Ele veio por trás, puxou o zíper devagar. Depois me puxou contra ele, me fazendo sentir o p*u enorme, já ficando mole, mas que mesmo assim não diminuía de tamanho. — Tu vai embora mesmo? — Vou. Ele ficou quieto. Eu também. — Posso te perguntar uma coisa? — Lógico, morena. Fica à vontade. Virei de frente pra ele. — Qual é o seu nome? — perguntei para ele ele sorriu meio que de lado. Ele riu, balançou a cabeça. — Eu já te falei lá na blitz. Cabo Lopes. — Ele fala sobrenome dele, o nome de guerra, mais um homem que na qual eu leio na mensagem, ele não falou. — Não isso. Eu quero saber o seu nome. Ele parou de rir. Me olhou, os olhos escuros indecifráveis. Balançou a cabeça, negando. Balancei a minha, concordando. Peguei a bolsa, o celular. — Sério mesmo que você não vai ficar? — ele perguntou, enquanto eu calçava o salto, tirando a toalha do cabelo. — Sério mesmo que você não vai me falar o seu nome? Ele me encarou. Ficou em silêncio. Olhei pra ele pensando: Não acredito que você é filho do desgraçado daquele juiz que quer acabar com a minha família. Virei as costas. Cheguei na porta. A mão na maçaneta. — Carol. Parei. Não virei. — Rafael. — Falei o nome do filho do juiz. O nome ecoou no quarto. Fechei os olhos por um segundo. Depois virei, devagar. Olhei nos olhos dele. Nos olhos escuro do filho do homem que quer destruir tudo que eu tenho. — Rafael — repeti, baixo. Ele sorriu. Achando que era vitória. E eu, com o coração partido em mil pedaços, sorri de volta. — Até a próxima blitz, Rafael. — Falei dessa vez o nome dele saiu da minha boca com gosto meio amargo. Abri a porta e saí. Continua...
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