Juiz Narrando Sessenta e cinco anos de idade. Um metro e noventa de altura. Não sou uma parede de homem, mas também nunca precisei ser. O que sempre me fez grande nunca foi o corpo… foi o poder. Poder de falar e decidir o destino de qualquer um. Poder de mandar prender… ou soltar. Poder de apagar… ou fazer alguém desaparecer. E, acima de tudo… poder de manipular. — Eu não cheguei até aqui sendo bonzinho — penso, passando a mão no queixo, encarando meu reflexo no vidro do escritório. Nunca fui. E nunca vou ser. Mas existe uma coisa que nem o tempo, nem o poder, nem a razão conseguiu arrancar de mim. Janete. Desde quando ela tinha uns quinze anos… eu já via algo diferente naquela menina. Eu tava no final da faculdade de direito. Jovem, ambicioso, com o futuro na palma da mão. Meu

