Lopes Narrando Saí do prédio do Barroso com a cabeça a mil. As palavras dele ainda ecoando. "Ela joga sujo, Lopes." "Eu sempre tive interesse nela." "Se um dia ela for minha, não vai ser por acaso." Porra. Entrei no carro, bati a porta com mais força do que precisava. O motor ligou num ronco abafado. Acelerei. O caminho de volta pra casa foi um borrão. Eu não via os sinais, não via os carros, não via nada. Só via ela. A Carol. O jeito que ela me olhou no shopping. A dureza. A dor. O ódio. Será que era verdade? Será que ela sabia mesmo quem eu era desde o começo? Não. Não pode ser. Lembrei do jeito que ela me olhou na primeira blitz. A surpresa. O interesse. Não era fingimento. Não era jogo. Era real. Ou será que eu tava sendo ingênuo? O telefone vibrou no banco do passageiro. Adri

