alfinetada

2037 Words
Como esperado, Kay me arrastou por todos os cantos, junto com as madrinhas dela para que pudéssemos ajudar com os preparativos do casamento, almoçamos fora e eu só pude ficar livre depois das 16:30 pois elas vão fazer um programa de casais e eu me livrei do martírio que séria. Banho tomado, pipocas prontas, refrigerante na mesa, TV ligada e conectada em um filme aleatório cujo nome não lembro, estou jogada no sofá assistindo e relaxando, é eu realmente não tenho uma rotina saudável Já passava das 7h da noite quando eu recebi uma mensagem no meu celular ?Kareem O'Donnell: podemos nos encontrar em 30 minutos, na lanchonete do hill? Eu: tá bom Como o lugar não era longe do meu apartamento, fiz um banho rápido, uma make básica só pra não parecer uma múmia, coloquei uma calça jeans preta, um cropped branco e uma camisola preta, calcei meus tênis brancos e já sai de casa seguindo pra lá de Uber. Cheguei na lanchonete e já vi ele sentado em uma mesa bem escondida no canto do local, então caminhei apressadamente até lá e me sentei. Ele não havia mudado muito por isso eu pude reconhecer o loiro a minha frente – o que você quer?_ falei seria – oi pra você também_ revirou os olhos_ eu não esperava boas maneiras de uma Meysul mesmo_ murmurou – me chamou aqui pra falar m*l da minha família?_ me irritei – desculpa, começamos m*l_ falou calmo_ podemos começar de novo? – podemos começar com você me dizendo porque me contactou?_ cruzei os braços – porque eu preciso da sua ajuda, já falei – com?_ arquiei a sobrancelha – uma adoção_ falou simples me deixando ainda mais confusa do que eu já estava_ eu estou num processo para adotar uma criança, então ao puxar minha ficha e investigar sobre mim, eles acabaram descobrindo que eu sou casado a 8 anos, então eles pediram para não só conhecer minha casa mas minha esposa também_ explicou me fazendo o olhar incrédula – você está maluco? porquê não falou que estavam se divorciando ou algo do tipo?_ falei indignada_ eu não posso ajudar você, procura outra pessoa_ ia me levantar mas ele segurou minha mão me fazendo sentar novamente – VOCÊ é a pessoa com quem eu me casei, como eu vou arranjar outra?_ perguntou obvio – se eles não sabem quem eu sou eles não irão saber que você arranjou outra pessoa_ respondi no mesmo tom – eu falei que estou adotando uma criança, se eles sequer sonharem com uma coisa dessas, eu perco a minha oportunidade de adoção_ suspirou_ eu pensei na possibilidade de arranjar outra pessoa, mas quando eu vi você na boate ontem eu achei que aquele foi o sinal para eu fazer tudo certo pelo menos uma vez na vida_ argumentou_ por favor Sofia, eu só preciso que você finja por 3 semanas e depois disso você pode fazer o que quiser – não, eu vou entrar com o pedido de divórcio e acabar com essa história que eu já deveria ter acabado a séculos atrás_ falei convicta – por favor Sofia, depois dessas 3 semanas você pode pedir o divórcio e eu darei de bom grado mas por favor só me ajude – você tem noção do que está me pedindo?_ falei indignada_ se meus pais descobrirem sobre isso eu nem sei o que iria me acontecer, porque eu não sei se você se esqueceu mas eu sou uma Meysul e você é um O'Donnell_ falei óbvia – tecnicamente você também é uma O'Donnell_ falou obvio e eu o olhei irritada e ainda mais indignada_ está bem desculpa, não está mais aqui quem falou_ levantou os braços em rendição – nunca mais repita isso, eu sou uma Meysul e não uma O'Donnell_ o encarei irritada – tá bom Sofia Meysul, você vai me ajudar ou não?_ suspirou – o que eu ganho se eu te ajudar?_ arquiei a sobrancelha_ além de uma expulsão na família_ sorri falsamente – se você me ajudar com a adoção , eu faço o que quer que você queira, assino o divórcio e depois desapareço de sua vida e nunca mais regresso_ falou sério – não me parece tão justo, mas ok_ dei de ombros_ o que você quer que eu faça?_ falei me focando nele – agente pode se encontrar amanhã pra que eu te explique melhor? agora eu preciso resolver umas coisas_ falou ajeitando sua postura – agente ficar se encontrando é arriscado, mas está bem, aqui mesmo amanhã a mesma hora_ me levantei e sai da lanchonete sem esperar nenhuma confirmação dele_ você também é uma O'Donnell, i****a_ repeti irritada o que ele disse enquanto caminhava um pouco para tentar espairecer_ como ele ousa me dizer uma idiotice dessas?_ falei indignada_ eu mato ele da próxima que ele disser outra besteira dessas_ murmurei olhando para meus pés – Sofi?_ olhei curiosa para o lado após ouvir meu nome, mas assim que o fiz, fiquei olhando incrédula para o homem a minha frente_ é você mesma_ Matthew Duncan, meu ex amigo de infância, ex namorado e agora quase um total desconhecido, sorriu para mim – oi Math_ sorri meio sem graça pensando no motivo b***a que me fez terminar com ele Eu e Math namoramos por um período de 5 anos enquanto estávamos no colegial, foi um relacionamento bacana, cheio de cumplicidade e uma química fantástica, mas então eu terminei com ele semanas antes da viagem do último ano porque nós íamos seguir caminhos diferentes depois dali e eu não queria que nenhum de nós saísse mais machucado do que deveríamos, mas não sei se realmente resultou – Sofi_ ele acenou na frente do meu rosto chamando minha atenção de volta pra si_ estava viajando?_ perguntou sorrindo – é, eu acabei meio que saindo de órbita_ falei sem graça_ tá tudo bem com você?_ ajeitei minha camisola – eu estou sim e você?_ falou me analisando – eu estou bem_ dei de ombros_ que coincidência ver você_ pontuei – muita coincidência_ assentiu_ eu não achei que estaria aqui por Londres_ deu de ombros – ah, eu não pretendia vir para cá, só vim por conta do casamento da Kay_ falei sem o encarar – então você não vai ficar muito tempo aqui nem – é_ assenti_ mas e você, está morando por aqui? – não, minha noiva me arrastou até aqui enquanto ela dava um jeito em alguma coisa do nosso casamento_ explicou – você vai se casar!_ falei em um tom que nem eu mesma sabia descrever meus próprios sentimentos – é, eu vou me casar mês que vem_ passou a mão no pescoço_ seria legal se você estivesse lá_ falou receoso – na verdade seria estranho se eu estivesse lá_ dei de ombros_ é que agente namorou e tal, seria estranho sua ex no seu casamento_ argumentei – você mais do que uma ex é minha amiga, se esqueceu do que você mesma disse naquele dia?_ se referiu ao dia em que terminei com ele_ agente terminar um relacionamento amoroso não quer dizer que nossa amizade acabou ali_ sorriu_ eu ainda tenho muita consideração pela sua amizade Sofi, e espero que você também ainda me considere seu amigo_ eu abri um sorriso assim que ele terminou – somos amigos para sempre_ estendi a mão pra ele e então fizemos um toque_ agora eu tenho que ir, está ficando muito mais tarde_ coloquei minhas mãos nos bolsos – amor, já podemos ir_ olhei para a mulher que saia da loja atrás do Matt e então revirei os olhos ao ver digamos que a minha inimiga de infância Dália_ espera aí, Sofia?_ falou me encarando de um jeito que não consegui decifrar – oi Dália_ falei calmamente – não esperava ver a Meysul mais nova por aqui_ me analisou de cima para baixo_ ah, amor você já convidou ela para o nosso casamento?_ olhou para Matt_ Sofia, você devia aparecer lá_ me olhou sorrindo vitoriosa – bom, como eu estava aqui dizendo ao seu noivo, eu acho que não vou poder estar presente, mas recebam os meus votos de felicidades_ sorri – ah mulher, você vai dar essa mancada? Ele é seu amigo ué, você não deveria colocar ele antes do trabalho?_ falou fingindo indignação_ mas eu não estou surpresa afinal, você sempre coloca seu trabalho acima de qualquer pessoa_ alfinetou – Dália_ Matt falou a olhando – o que? Menti? – tá, já deu, foi bom ver você Matt, já você nem tanto_ olhei para ambos e me afastei deles – devia ouvir mais vezes a verdade_ ainda assim pude ouvir Dália falar e revirei os olhos Eu sei que as vezes mergulho demais no trabalho e acabo por deixar de lado todas as outras pessoas, mas eu não preciso que me digam o óbvio, e pior, se torna ainda mais irritante ouvir isso vindo exatamente da Dália. Caminhei até meu apartamento e quando cheguei já nem estava mais com vontade de assistir ou fazer qualquer outra coisa, por isso tomei um banho e fui me deitar. ••• Quarta-feira Acordei sem vontade alguma de sair de casa então depois de toda minha rotina matinal, me sentei de frente para o meu computador trabalhando como eu sempre faço quando estou em Paris, ou seja, eu passava os meus dias trancada em casa de frente para o computador, comendo coisas nada saudáveis, e sendo produtiva para a Meysul Corporation, ou então estava viajando a trabalho, participando de reuniões, escrevendo relatórios sobre as reuniões e depois voltava a ficar fechada no quarto de hotel enquanto aproveitava a TV e o serviço de quarto, vendo por esse lado, a minha vida é patética. Eu tentava me concentrar no trabalho mas estava meio que difícil, pois minha mente não conseguia parar de pensar no que Dália disse ontem, e isso me fazia pensar nas inúmeras possibilidades que teriam ocorrido caso eu tivesse seguido outro caminho totalmente diferente – porquê a minha vida é tão patética?_ me perguntei frustrada_ talvez eu deva mudar um pouco_ passei a mão pelos cabelos_ ou simplesmente deixar isso pra lá e me concentrar no trabalho_ suspirei_ foco Sofia_ voltei a me concentrar no meu trabalho e aproveitei e já fui conectando minha playlist pra evitar que meus pensamentos de solidão voltassem ••• O som da campainha soou me fazendo olhar para a porta de um jeito como se ela pudesse se abrir sozinha e começando a odiar profundamente o facto de eu não ter poderes ou da porta não ser automática, mas mesmo com a preguiça enorme que eu sentia, me obriguei a levantar e ir até a porta atender Mel – oi_ ela sorriu entrando no meu apartamento com duas sacolas – oi_ a analisei enquanto eu fechava a porta_ o que são essas coisas nas sacolas?_ perguntei curiosa – o nosso almoço_ falou colocando ele perto da mesa pois na mesa não havia espaço para colocar_ passou a manhã trabalhando?_ apenas assenti_ me deixou deprimida_ seguiu para a minha cozinha em busca de sei lá o que – meu trabalho te deixa deprimida?_ perguntei indignada enquanto guardava os documentos que preenchiam a mesa – não só a mim, a você também_ falou voltando da cozinha com copos_ é assim que você passa seus dias em Paris? Trancada no seu apartamento com seu trabalho e comendo besteira?_ perguntou indignada – não?!_ menti_ quer dizer, nem sempre, afinal eu também viajo_ argumentei – não é saudável passar tanto tempo sozinha Sofi_ colocou as coisas sobre a mesa agora desocupada – eu estou bem_ dei de ombros sentada no sofá – tem certeza? Você vive a mesma rotina repetidas vezes_ se sentou do meu lado no sofá – tá Mel, eu sei_ liguei a TV – eu estou falando isso para o seu bem_ me analisou – eu sei, mas é que parece que desde que eu cheguei aqui todo mundo vive me dizendo que eu devia fazer isso, eu devia fazer aquilo_ falei indignada_ eu sei me cuidar – eu sei disso Sofi_ me abraçou de lado_ vamos assistir doramas_ mudou de assunto empolgada – agora falou minha língua_ falei procurando algum dorama para assistir
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