nosso segredinho

1460 Words
Ao cair da noite, Mel e Jessy (que chegou um tempo depois de Mel) me deram carona para a lanchonete do Hill e depois de um questionário ao qual eu menti demais, elas foram embora e eu pude finalmente entrar na lanchonete onde Kareem já se encontrava tomando alguma coisa – oi desculpa a demora_ me sentei na cadeira de frente para ele – não precisa se desculpar_ falou calmo – tá_ falei meio constrangida por ter me atrasado – esses são as informações cruciais sobre toda essa situação_ me passou um dossiê, isso mesmo um dossiê bem organizadinho com informações – nossa_ sorri animada com a organização dos papéis_ posso ler?_ o encarei – a vontade_ falou sem prestar muita atenção em mim_ vai querer comer o que? eu estou indo lá pedir_ falou mexendo em seu suco com o canudinho – pode ser um pastel e suco_ falei já abrindo a primeira página enquanto ele se levantava Na página 1 ele colocou toda aquela situação que havíamos falado na noite passada, sobre eu ter que ajudá-lo com a adoção, explicando nós mínimos detalhes seus argumentos. Na segunda página estava o maior absurdo já escrito na história do universo inteiro "nós precisaremos morar juntos por esse tempo (3 semanas)", e não para por aí, ele também cita "você vai precisar sair comigo algumas vezes e aparecer em qualquer evento que seja nesse período de tempo", ele só pode estar brincando com a minha cara – trouxe seu prato_ colocou o prato na mesa, se sentou e eu já comecei por esganar ele com o olhar_ pode falar Sofia_ me encarou com a sobrancelha arqueada – que papo é esse de morar juntos?_ perguntei com as duas sobrancelhas_ e participar de eventos juntos?_ acrescentei tentando manter a calma pra não surtar – simples, eles não vão avisar que estão vindo fazer a inspeção na minha casa, pra eu ter tempo de te avisar, arrumar a casa pra parecer que minha esposa realmente mora lá e ainda assim conseguir dar uma boa impressão, então o facilitar tudo isso nós teríamos que "morar juntos"_ fez aspas com os dedos_ assim evitamos surpresas_ deu de ombros_ e quanto aos eventos você é minha esposa então deveríamos ser vistos pelo menos uma vez em público_ declarou simples – eu não sei se você vive esquecendo isso ou não sabe, mas você é um O'Donnell e eu uma Meysul_ falei óbvia – de novo com essa frase_ suspirou – é, e eu vou repetir essa frase quantas vezes for necessário pra você entender que nossas famílias se odeiam_ dei ênfase no odeiam – não precisa mostrar seu rosto Sofia, nenhum de nós precisa, melhor ainda, deixa essa parte de lado, mas o papo de morar junto não tem como eliminar_ abanou a cabeça negando – você não tem uma estimativa de quando eles viriam ver sua casa ao menos?_ perguntei mais calma – não, por isso eu falei isso_ deu de ombros – tá bom, três semanas não é muito, e eu consigo me virar por esse tempo_ falei para mim mesma_ está bem, eu vou cumprir com a minha parte e você cumpra com a sua_ falei olhando para o dossiê enquanto puxava o prato de torta pra perto de mim – eu sempre cumpro com as minhas promessas_ assentiu enquanto eu voltava a me focar no dossier, tirando algumas dúvidas com ele de vez enquando_ se você não estiver ocupada amanhã, eu posso te levar para conhecer a casa que eu comprei_ falou depois de um tempo de silêncio – tá_ falei sem o encarar ainda focada nos papéis – também acho que seria legal ter a opinião de uma mulher com determinadas coisas da casa_ falou mas mesmo assim não prestei atenção nele então ele começou a batucar na mesa com seus dedos – você pode ir para casa, não precisa esperar eu terminar_ tomei um gole de suco – pode terminar, eu espero_ falou focado na batida ritmada dos seus dedos na mesa – tá_ declarei simples_ eu também já terminei aqui_ fechei o dossier e dei para ele_ estou minimamente esclarecida_ o encarei – que bom saber_ me encarou de volta – amanhã eu também quero conhecer a criança que fez você me arrastar pra essa história_ cruzei os braços – sem problemas, nós podemos ir ao orfanato pela manhã e depois diretamente para conhecer a casa_ propôs e eu simplesmente assenti – está bem, combinaremos os detalhes mais tarde, agora eu preciso mesmo ir para casa e me deitar_ me levantei_ eu vou lá pagar enquanto você leva seu dossiê – não precisa, eu já paguei_ falou antes que eu desse um passo sequer – quanto eu te devo?_ abri minha carteira – nada_ deu de ombros se levantando e colocando o dossiê na mochila dele_ quer que eu te leve?_ se levantou – acho melhor não, afinal..._ ele interrompeu minha frase – eu sou um O'Donnell e você uma Meysul_ repetiu entediado_ não é como se fossem ver que nós estamos juntos no carro, não tem nada demais_ deu de ombros – eu prefiro não arriscar_ caminhei na frente em direção a saída da lanchonete – não acha que se fosse para alguém nos ver, já teria visto? estávamos sentados na mesma mesa_ falou obvio atrás de mim – e você ficar falando comigo não facilita nem_ respondi óbvia – tá Sofia, a escolha é sua, adeus_ saiu em direção ao seu carro enquanto eu esperava pelo táxi_ última chance Sofia_ parou seu carro na minha frente e abriu o vidro – vaza O'Donnell_ falei entre dentes e então ele deu partida Não demorou e o táxi já estava chegando onde eu estava, subi nele, dei o endereço e peguei meu celular, o ligando para logo ver as mensagens da minha irmã mais velha avisando que tinha um ensaio de casamento amanhã a noite e eu confirmei minha presença (mesmo que fosse desnecessária essa confirmação) e fiquei conversando com ela sobre coisas relacionadas ao casamento – chegamos_ o senhor falou estacionando na frente do meu prédio e falou quanto séria a corrida – obrigada_ sai e paguei_ pode ficar com o troco_ ele agradeceu e saiu enquanto eu entrava no meu prédio_ boa noite senhor Almir_ cumprimentei o porteiro – boa noite senhorita Sofia_ retribuiu o gesto e eu já fui para o elevador Antes que a porta do elevador se fechasse um cara entrou e sorriu para mim – boa noite_ falou após se acomodar em um canto do mesmo – boa noite_ retribui o gesto parada no outro lado do elevador e então nós mantivemos cada um na sua, até chegar no andar que ele ia descer e depois eu continuei sozinha até o último andar, onde não demorou para que eu fosse pro meu ap, me acomodasse e estivesse dormindo minutos depois. [Quinta-feira] Logo que o dia nasceu e eu fiz minha rotina e me arrumei, eu saí para encontrar Kareem que me esperava na frente do prédio para me levar a conhecer a criança que ele quer adotar – oi_ me acomodei no banco do passageiro – oi, podemos ir?_ perguntou me olhando – claro_ assenti e ele deu partida_ me fala de como você conheceu ela_ me referi a criança – ela estava morando em um armazém abandonado, o qual eu comprei e como ninguém sabia que ela estava morando lá, no momento em que os homens que contratei para darem uma remodelação no lugar, acabaram provocando um incêndio, eu vi a garotinha por uma das janelas do armazém e fui lá para tirá-la do meio do fogo_ explicou focado na estrada – ela tinha fugido de casa?_ perguntei curiosa – ela tinha fugido do antigo orfanato onde morava – como ela é?_ encostei minha cabeça no assento – ela é uma garotinha esperta e meio desconfiada, ela não gosta de pessoas novas, principalmente mulheres_ me olhou por um segundo_ ela é ciumentinha e não se dá muito bem com as mulheres tanto do orfanato quanto com as minhas irmãs que já foram comigo para conhecê-la_ explicou – ou seja, ela vai me odiar_ falei indignada_ você podia ter me dito isso antes, não acha?_ arquiei a sobrancelha – talvez ela goste de você, nunca se sabe_ deu de ombros – ah, tá, claro_ debochei e ele riu Acho que essa foi a primeira vez dele rindo, considerando que ele é um cara que está 79% das vezes com uma expressão de indiferença – qual é a sensação?_ perguntei fazendo ele me olhar confuso – sensação?_ perguntou – sensação de sorrir pela primeira vez_ completei – é uma sensação estranha, como vocês conseguem fazer isso o tempo todo?_ fingiu indignação me fazendo rir
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