Capítulo 23

2402 Words
Período antes da guerra pelo trono de Ic, entre as irmãs Kanahlic e Zadahtric. No interior do Castelo de Barboa, em Umnari, seis Criaturas Primevas aguardavam por Elokventa, a Grande Harpia, chegar com mais um feiticeiro para mais um Plenário Solene. Estavam o Grande Jaguar Sovaĝa, a Grande Serpente Kuraĝa, a Grande Morsa Saĝa, a Grande Doninha Aŭtenta, o Grande Feneco Konstenta e o Grande Morcego Vigla. De repente, a Harpia apareceu a descer as escadas e uma feiticeira, a Allogaj Valéria, o acompanhava. No entanto, a energia mágica daquela garota era tão forte que logo souberam o que ela era. — Pelo Coração de Noldá, Elokventa — vociferou a Grande Morsa —, outro Allogaj? — Ela solicitou um Plenário Solene, Saĝa — respondeu a Grande Harpia. A Morsa arfou. — Então, vamos lá para mais um Plenário Solene, bem rápido e com outro Allogaj. Alguém tem o interesse de abençoá-la? — Esta eu conheço — disse Kuraĝa, a Serpente —, é do Reino qual eu pertenço. Audaxy, não é? — Sim, é como me chamam... — Esperem — interrompeu a Harpia. — Qual é o problema agora, Elokventa? — questionou a Morsa. — Vocês sentiram isso? — assim que ele terminou de falar, o ar vibrou ao redor de todas as Criaturas e elas sumiram repentinamente, exceto o Grande Morcego. — UÉ? — indagou Valéria. — O que houve? ¶ Os seis Primevos continuaram no mesmo lugar qual estavam antes, porém, a noite virou dia e no lugar da recém-chegada Valéria havia uma garota n***a de cabelos longos e lisos que usava um Bracelete mágico qual emitia um poder descomunal, contudo, contido, e um pouco distante estava um pessoal a observá-las. — Quem é você? — perguntou a Morsa para Sabryna. — Se me permitem dizer — falou Rammahdic ao chegar mais perto —, Primevas, esta garota é a Sabryna Mendes de Avelar, uma Allogaj das Cinzas. As Criaturas Primevas ficaram irrequietas com aquela informação. — Rammahdic? — perguntou a Grande Serpente. — Olá, Kuraĝa — saudou a Princesa. — Vocês se conhecem? — questionou a Grande Morsa. — Sim — respondeu a Serpente —, ela era a primeira Princesa do Castelo de Ic, mas renunciou o trono e fugiu do Reino — ela olhou de volta para a Princesa. — Pensei que estivesse morta. Como conseguiu ficar tanto tempo escondida da magia? Onde aprendeu a se ocultar assim? — Aprendi com Lidarred, mas fui guiada todo esse tempo por Unomodo, um dos Sete Únicos. — Unomodo? — questionou a Harpia. — O Imparcial? Parece que a imparcialidade não é mais a sua característica. — Ele foi imparcial com os outros Únicos, Elokventa — disse a Grande Morsa. — Não escolheu se juntar ao Treumilas, nem aos Trealtas. Agora sabemos que ele atua, e com um g***o de feiticeiras das cinzas. — Ah! — exclamou a Harpia. — Unomodo está te guiando, filha de Ic? — disse a Morsa. — O que ele pretende fazer por intermédio da sua pessoa? — Estou aqui, Primevo, como uma sacerdotisa dele, mas os seus planos estão voltados para esta garota, Sabryna, a primeira Allogaj das Cinzas que surgiu no mundo. A Morsa focou os olhos em Sabryna e disse: — Sugiro que isto aqui é uma solicitação para um Plenário Solene. — Sim, este foi o meu intento quando instruí esta garota a trazê-las do passado para o presente. — Na minha concepção, trouxeram-nos do presente para o futuro, mas a suas palavras fazem mais sentido porque eu sinto os Corações do Tempo, Presente e Passado, mas não sinto o Coração do Tempo Futuro — a Morsa olhou ao redor. — Ouvi uma garota questionar e faço-lhes a mesma pergunta: Onde está Vigla, o Grande Morcego? Por que ele não foi chamado? — Eu também não sei o que houve, Primevo — falou Rammahdic. — Creio que tenho a resposta — disse Débora. — Então diga-nos, Sapiensis Débora — disse a Morsa. — Uau! Lembra de mim? — questionou a Sapiensis. — Óbvio, eu nunca me esqueço de quem eu abençoei, você foi a mais jovem de todas. — Muito bem, Primevas, a magia do Tempo não trouxe o Grande Morcego para este presente porque ele morreu no passado, e vocês não morreram, mas ascenderam. Para que as suas ações não venham afetar drasticamente o presente e o futuro, é necessário que ainda estejam vivas, e estão, porém, não mais acessíveis. — Vigla morreu? — questionou o Feneco. — Ai! Que fofinho — comentou Gisele. O Feneco arfou, estava cansado de ouvir aquilo. — No nosso caso, ele ainda vai morrer. Quem o matou/matará? — O Allogaj das Luzes Cesar. — Justamente o Allogaj que não abençoamos antes de outra Allogaj ter aparecido para mais um Plenário. Que ironia! — Não estou mesmo entendendo este surto de Allogajs em Dorbis — comentou a Grande Doninha. — Uma das trevas, um das luzes e agora, inusitadamente, uma das cinzas. — Saĝa — disse Sovaĝa com a sua voz grossa e potente, o Grande Jaguar —, o que tudo isto significa? A Grande Morsa pensou por uns instantes antes de responder. — Significa que Dorbis toma outros rumos da Era da Magia, ele evolui. As técnicas estão avançando, a humanidade está mudando a cada período que se passa, e o Destino deste mundo, que está nas mãos dos deuses, está moldando uma nova realidade. Não sei o porquê de tudo isso, mas sei que o caos já começou a afetar o Cosmos e alguma coisa precisa ser feita antes que o pior aconteça. — Sabryna — disse Rammahdic —, solicite. Mesmo hesitante, Sabryna fez o que Rammahdic havia ordenado-lhe há algum tempo em particular. — Eu... Eu solicito um Plenário Solene — disse a Allogaj. Rammahdic afastou-se delas, o evento mais importante da sua história estaria prestes a começar. — Registrem — falou a Morsa —, esta solicitação para um Plenário Solene com as Sete... Seis Criaturas Primevas foi aprovada. Primevas, quem de vocês abençoará a Allogaj das Cinzas Sabryna, primeira e única da sua categoria de feiticeiros de Dorbis, com uma dádiva qual feitiço ou encantamento algum pode conceder? As Criaturas Primevas encaram a garota que tímida, não conseguiu nem mesmo levantar os olhos para elas, e uma por uma começou a dizer: — Não — o Jaguar. — Não — a Doninha. — Não — o Feneco. — Não — a Harpia — Não — a Serpente. Por fim, a Morsa encarou Sabryna com muita compaixão, e disse: — Não. Sinto muito, mas não a julgamos congruente para receber qualquer bênção nossa. — Como assim? — gritou Leiane. — Nada a ver isto. Todo mundo que estava naquele salão redondo ficou entristecido com aquilo e murmurava, tinha total certeza de que Sabryna era digna. Mas Sabryna era, porém, Rammahdic sabia o que os Primevos desejavam, era assim que funcionava a ordem da natureza das coisas, da troca de energias. — Podemos encerrar o Plenário? — questionou a Morsa. — Ainda não — protestou Rammahdic, e voltou-se para as meninas. — Meninas, eu vos alertei sobre tudo isso, vocês conhecem o Protocolo, sabem o que deve ser feito. Esta é a única chance de Sabryna ser abençoada, pois, se isso não acontecer, a nossa derrota será evidente e eminente. Sabryna pode ser a salvadora mencionada na Profecia, mas ela não é a única, a salvação virá também por vocês... Principalmente através de vocês. O momento é chegado. O discurso de Rammahdic deixou o clima tenso e Sabryna não entendeu absolutamente nada do que ela dizia. Ninguém lhe explicou sobre nenhum Protocolo. De repente, Leiane deu um passo à frente e a Princesa a interrompeu a dizer: — Você não, eu já disse que a sua personalidade forte vai servir. — Então eu não vou mais participar disto — Leiane ficou exasperada e virou-se para a escadaria a correr e a deixar o salão sem dizer mais nada. — Eu vou — disse Fabiana, sem ânimo algum, a andar para a direção dos Primevos. — Eu ofereço-me como Tributo, como um Sacrifício Voluntário para a Sabryna ser abençoada. — Eu aceito — disse a Serpente imediatamente. — Te amo, amiga — falou Fabiana para Sabryna a soltar beijos para ela, então aproximou-se da Serpente e implodiram num borrão no ar até sumirem. — O que... O que aconteceu? — questionou Sabryna. — Para onde ela foi? — Sabryna — repreendeu Rammahdic. — Sem questionar, lembra? — Eu me ofereço como Sacrifício Voluntário também — disse Belisa. — Eu aceito — disse a Doninha. — Belisa? — Sabryna já estava profundamente triste, não queria acreditar que aquele ato significava que as meninas entregavam a própria vida para que ela fosse abençoada. Belisa soltou beijos para ela a dizer que ela deveria crescer na vida e se tornar a mulher mais poderosa e forte do mundo, por elas. Sumiram num borrão. — Ai! — gritou Gisele a caminhar para o restante dos Primevos. — Espero que isso valha a pena. Eu me ofereço também, nessa bagaceira. — Eu aceito — falou o Feneco. — Ai, que bom. Deixa eu fazer carinho na sua orelha? — Não. — Então, adeus, amiga — Gisele despediu-se de Sabryna e sumiu com o Primevo. Nesse auge, Sabryna havia se jogado no chão e o seu rosto estava lavado de lágrimas. — Rammahdic, por favor — implorou Sabryna. — Sabryna, você prometeu. Aos soluços, Sabryna gritou, pela primeira vez: — Eu não sabia que iria ser assim. — Essa menina, tem um coração muito bonito — falou Rosie, a amiga de Bia, ela despediu-se da sua amiga e foi para os Primevos restantes como um Tributo. — Eu aceito — disse a Harpia, e sumiram num borrão. — Cuidem da minha irmã por mim — falou Afrima a dar um abraço apertado na sua irmã. — Eu me ofereço como um Sacrifício Voluntário. — Eu aceito — disse o Jaguar — d****o-te muito sucesso, Sabryna — disse Afrima antes de implodirem num borrão no ar. Faltou apenas o último e mais importante Primevo, porém, pareceu que os voluntários haviam acabados. A esperarem em silêncio, exceto Sabryna que chorava sem parar, uma voz doce ecoou pelo salão. — Eu me ofereço como Sacrifício Voluntário — disse Aurira. A sua língua deficiente, devido à Síndrome de Down, quase não deixou ela se expressar direito. Sabryna gritou e levou o rosto até o chão para não ver a sua amiga fazer aquilo, até mesmo Rammahdic desviou o olhar. — Eu aceito — disse a Morsa. — E hoje, Allogaj Sabryna, você recebe as bênçãos da Sabedoria, do Desdobramento, do Poder, da Cura, da Ressurreição e da Imortalidade. — Não chore amiga — disse Aurira. — Nada disso será em vão. Seja aquilo que o Destino traçou para você, não se detenha. E que o bem venha prevalecer através da sua vida. Sabryna não conseguia mais falar, apenas chorar, e assim que Aurira e o Primevo sumiram num borrão, o Bracelete de Sabryna brilhou até tomar todo o seu corpo e a luz a transportou para outra dimensão, a qual ela receberia as bênçãos. O som de um relâmpago ouviu-se. ¶ Talita, a Suma-Sacerdotisa do Templo dos Trealtas, no centro da figura de Estrela de Doze Pontas, ouviu um som de um relâmpago e despertou-se do seu estado de meditação. — Finalmente — disse ela. A Suma-Sacerdotisa levantou-se do chão, pegou o Cajado Údmoz e saiu daquele espaço, enquanto andava, as pessoas do grande pátio que treinavam artes marciais e esgrima a cumprimentaram. — Como vão os meus guerreiros, mestre? — perguntou Talita para um homem. — Melhor, impossível, Vossa Superioridade — respondeu o mestre. — Perfeito — ela seguiu caminho. Foi para o fundo do templo e desceu uma escadaria para o porão e lá embaixo observou os ferreiros terminarem de forjar dezenas de espadas prateadas. — Ferreiro-mor — chamou Talita por um homem e ele foi ter com ela. — Sim, Vossa Superioridade — respondeu o homem bastante suado e sujo de fuligem. — Você usou todos os ossos do Morcego? — Sim, Senhora, graças à Adaga que Fere e Cura do Castelo de Ic, a Senhora conseguiu descobrir como Lidarred fez o objeto com as presas da Primeva Serpente. Os ossos do Morcego derretem como metal, tem ductibilidade e resistibilidade incomuns, eu nunca vi um material desses. Como a Senhora disse, a Adaga escondia mesmo os segredos para fabricar armas a partir dos ossos daquele ser. — E o couro do Primevo? — Os alfaiates usaram a capa da levitação que a Senhora trouxe como modelo para fabricar capas a partir do couro do Primevo como a Senhora pediu. Graças a sua magia também e graças aos Trealtas. — Ótimo. E ainda vão precisar do Cajado Údmoz? — Sim, Senhora, é o único objeto mágico que funciona aqui dentro da Cúpula da Cidade dos Immunus. — É o Diamante de Ic, não é deste mundo, Noldá não o reconhece. Pelo menos os Trealtas não reprovaram o seu uso no templo. Muito bem, vou ali e volto num instante para fazer magia. — Quando pretende começar o Processo de Aquisição, Vossa Superioridade? — O quanto antes, melhor. Na verdade, quero amanhã. Talita deixou o ferreiro-mor trabalhar e voltou para o templo, ninguém sabia o que ela pretendia fazer, apenas a obedeciam. A Suprema Sacerdotisa começou a pôr em prática a suas obras desde que teve uma conversa em particular com o antigo Sumo-Sacerdote antes de ele morrer. Ele revelou-a várias coisas quais precisaram ser anotadas, mas teve algo que a deixou bastante perturbada, e ela não descansaria até que os seus planos fossem executados. No interior do templo, na área restrita, onde somente a Suma-Sacerdotisa podia entrar e onde ficava a cratera que, na verdade, era o poço qual continha todo o Coração de Noldá, ela se deparou com um Colibri Vermelho gigante e estava de costas para ela a olhar o fundo do poço. Ele foi criado a partir da carne e de um pedaço de osso do Grande Morcego Vigla, foi impregnado de luz e tomou forma a partir de uma porção do Coração de Noldá qual ela tinha acesso, e em abundância. — Primevo Katarso — falou Talita e o Grande Colibri virou-se para ela —, parece que começaremos amanhã. O Colibri a reverenciou.
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