O Feiticeiro Mascarado conduzia Sabryna e as feiticeiras por um caminho no meio da floresta de árvores gigantes, andavam em silêncio e tranquilos até que o Grão-Mestre parou de repente, o que obrigou as mulheres a pararem também. Ele virou-se lentamente para trás e encarou Sabryna por alguns segundos, então andou na direção dela e como era muito grande, inclinou-se para observá-la.
— Feiticeiras — falou o Grão-Mestre para qualquer uma, menos para Sabryna —, vocês têm certeza de que ela é a Allogaj? Ou só uma feiticeira comum, porém, poderosa?
As feiticeiras ficaram intrigadas com o questionamento do seu mestre.
— Sim, senhor — respondeu Fabiana. — Temos certeza.
— Por que o senhor perguntou? — Leiane era a mais ousada em questionar.
— Eu não sinto a energia mágica desta menina — respondeu o Grão-Mestre.
— Ah! — as mulheres exclamaram em uníssono e de maneira prolongada.
O Grão-Mestre se ergueu e olhou para elas, agora era ele quem ficou intrigado, mas Fabiana incumbiu-se de responder-lhe.
— Eu tinha dito-lhe que por ser muito poderosa, a Emissão da sua magia era muito forte e poderia ser um problema para os habilidosos em Percepção, então ela simplesmente bloqueou.
— O quê? Bloqueou a Emissão? Como ela fez isso?
Fabiana deu de ombros.
— Não sabemos, deve ser um dom.
— Fong, identifique isto.
— Não consigo — respondeu Fong. — Ela bloqueou o meu dom, não posso usar para ela ou contra ela.
— Ela te bloqueou? — o Mascarado colocou os punhos cerrados nos quadris e olhou para a Sabryna. — Depois teremos uma conversa em particular, Allogaj Sabryna. Você despertou em si coisas que são Segredos da Magia do Universo sem mesmo nunca ter contato com o Livro de Lidarred.
Sabryna apenas confirmou com a cabeça. Ele e elas, então, continuaram a caminho. Explicaram à Sabryna que deveriam seguir a pé porque abrir portais podia ser arriscado, qualquer feiticeiro ou feiticeira com bastante habilidade poderia reabri-los e comprometeria o esconderijo do Grão-Mestre.
— Que lugar é este? — perguntou Sabryna para a mais próxima das feiticeiras.
— Onde estamos ou aonde vamos? — indagou Gisele.
— Os dois.
— Bom, estamos na Floresta Gigante do País de Ninguém chamado Záumot no continente Kellengordi, a muitos quilômetros daqui está o Templo dos Trealtas que fica dentro da Cidade dos Immunus, já te falamos sobre isso. Agora, estamos indo para a Zingária.
Belisa entrou na conversa.
— Este nome vem de "zíngaro", que significa "nômade". Você ouve o termo em dorbiano, pois, a Vox Universalem traduz para você, se bem que nem eu nunca ouvi o termo em dorbiano. Os Magos, que são ótimos com nomenclatura, deram este nome ao g***o de feiticeiros que viajavam pelo mundo e se alojavam em qualquer lugar, nunca tinham uma moradia fixa. Hoje, nos apropriamos do termo, apesar de que não nos alocamos porque queremos, mas porque precisamos, estamos sempre sendo perseguidos, o mundo ainda sustenta a ideia de que os feiticeiros das cinzas desequilibram o Cosmos.
— Gente, o que é Cosmos? — Sabryna não cansava de perguntar, ela ainda queria respostas, não havia achado no Livro de Magia Avançada que lhe deram para estudar e ela leu-o duas vezes.
— O Cosmos, Allogaj — respondeu o Grão-Mestre que ouvia a conversa mesmo bem à frente delas —, é o núcleo do Universo, é o ventre que gerou a Magia das Luzes e das Trevas. O Cosmos deu ao nosso cerne a capacidade praticar magia, ele se conecta com o cerne do mundo inteiro. O Cosmos é pura matéria e energia. O Cosmos é a nossa fonte, e ele precisa estar constantemente estável. Quando há instabilidade, há desequilíbrio; e quando há desequilíbrio, há caos.
— Como se desequilibra o Cosmos?
— Quando a Magia é praticada de maneira errada por uma massa de feiticeiros.
— Quem definiu isso? — perguntou Fabiana.
— Sei o que se passa pela sua mente, porta-voz. Por causa disso, nós, das cinzas, somos alvos de grande preconceito, mas o problema não está na definição, está na interpretação errada.
O assunto tomou-se por encerrado e prosseguiram na maior serenidade, andavam por uma área plana até chegarem a uma parte onde não havia árvores gigantes, mas sim, cogumelos gigantes e azuis.
— Observe estes cogumelos — disse Gisele para Sabryna ao entrarem na barreira de cogumelos que circundavam a Zingária —, servem para espantar as criaturas mágicas, as suas propriedades são bastante usadas no nosso meio, senão não sobreviveríamos sem um forte no meio de uma floresta cheia de perigos. — Sabryna, admirada, passou a mão em um deles e Gisele continuou: — Na verdade, eles são bem pequenos, o mestre conseguiu fazer com que eles aumentassem de tamanho, ele é extremamente poderoso. Pela noite os cogumelos brilham e durante a Lua Azul eles nos protegem dos perigos.
— Lua Azul? — quando Sabryna perguntou, já estavam numa área extensa e cheia de cabanas de madeira e palha.
— É o maior mistério deste mundo. Quando a lua fica azul, os nossos poderes mágicos se enfraquecem e as criaturas mágicas se igualam a nós em poder...
— Zingária — gritou, de repente, o Feiticeiro Mascarado e as pessoas começaram a sair das suas cabanas, eram tão diferentes das demais pessoas, algumas eram tão belas que pareciam modelos, porém, cada um com a sua peculiaridade e particularidade —, o Allogaj da Profecia foi encontrado, mas não é um homem e sim, uma mulher. Saúdem a Allogaj, Sabryna Mendes de Avelar.
O Grão-Mestre saiu da frente de Sabryna e a apresentou com as mãos, a garota foi recebida com muitos aplausos e vaias, e ela acabou ficando bastante acanhada. A alegria foi tanta que se não estivessem isolados do resto do mundo, poderiam ser ouvidos.
— Acalmem-se, acalmem-se — pediu o Grão-Mestre e o pessoal acalmou os ânimos, alguns ainda murmuravam algumas coisas. — Ainda não terminei, a maior novidade do mundo está bem diante dos seus olhos, Sabryna não é uma Allogaj das Luzes — o pessoal não expressou mais a alegria, mas sim descontentamento, ficaram intrigados porque a Profecia pareceu ser bem objetiva sobre aquilo, e não poderiam ser ajudados por uma Allogaj das Trevas, pois, não confiavam muito nesse pessoal, os supremacistas das trevas eram os mais cruéis com os feiticeiros das cinzas, eram radicais e matavam sem mesmo pestanejar. — Atenção, Zingária, Sabryna é uma Allogaj das Cinzas, o Universo mostrou que está ao nosso favor.
Com aquela revelação, o pessoal da Zingária ficou boquiaberto, sem acreditar no que ouviram. Dessa vez, o silêncio foi absoluto, tudo o que ouviam agora era a natureza.
— Venham —, chamou o Grão-Mestre e as meninas obedeceram.
Sabryna foi atrás dele, e a medida que passava pelo povo, as pessoas a tocavam como se ela fosse algum tipo de Santa. Sabryna queria entender tudo, o que acontecia, o que se passava, ela sentia o enorme d****o de ajudar no que quer que eles estivessem a precisar, mesmo não tendo muitas condições. Ela sentia uma energia fluir daquele povo para ela, e ela não podia receber aquilo de graça, precisava retribuir. Uma coisa foi depositada nela, e ela não tinha a intenção de decepcionar.
No final do cercado de cogumelos gigantes havia um enorme galpão, que era uma espécie de associação, feito de madeira e muito bem construído, onde o Grão-Mestre fazia as suas reuniões com a comunidade. No fundo, havia um palanque e atrás dele havia uma parede que o separava do gabinete do Grão-Mestre.
Assim que entraram, encontraram uma mulher a arrumar o lugar. Ela era uma mulher diferente para Sabryna, era bonita, tinha olhos verdes e cabelos da cor do cobre, mas os seus s***s eram extremamente pequenos e ela tinha pouquíssimos traços masculinos.
— Grão-Mestre — disse a mulher, ela correu para abraçar o Feiticeiro Mascarado que retribuiu o abraço com muito carinho.
— Meninas — disse o Grão-Mestre —, deixe-me apresentar a vocês a minha secretária, Kitga Bogens. Veio da Dinamarca, na Terra. É uma guerreira, passou por muitas dificuldades para chegar até nós. Kitga, estas são a Afrima, Aurira, Fong, Belisa, Gisele, Leiane e a porta-voz Fabiana. E esta última é a Allogaj, Sabryna.
As referidas a saudaram.
— Podem me chamar de Kit, se quiserem. O Grão-Mestre me falou de vocês, são mesmo importantes para ele e para nós.
— Você é menino ou menina? — perguntou Aurira e a sua irmã Afrima a repreendeu.
— Tudo bem —, assegurou Kit —, ela só está curiosa. Eu sou uma mulher transexual. Não nasci como vocês.
Ninguém entendeu o termo, não era muito comum naquela época.
— Você é gay? — perguntou Gisele. — Um homem que se veste de mulher?
— Não, meu anjo, eu sou uma mulher transexual — Kit parecia estar cansada de explicar. Ela não precisava de se explicar para o pessoal nativo de Dorbis, eram acostumados com seres considerados exóticos, mas o pessoal da Terra era mais inflexível.
— Kitga Bogens — disse Fong —, nascido com órgão genital masculino e batizado com o nome de Axel Jorgen Bogens. Possui vinte e oito anos. Desde criança tinha comportamentos femininos e sofreu muitas agressões do pai para se comportar como homem (segundo a sociedade estabeleceu sobre como um homem deve se comportar). A sua mãe, que sempre o protegeu, morreu quando ele tinha quinze anos, e a partir dos dezesseis passou a usar roupas de mulher e a se autodenominar como Kitga. Foi repudiada pelo pai, mas foi apoiada pelo irmão mais velho que morreu por complicações na saúde e deixou muito dinheiro para ela. Aos vinte e dois anos, Kitga fez uma operação cirúrgica arriscada para mudar o órgão genital e se tornar mulher, o termo que se dá para ela é mulher transexual.
— Obrigada, Fong — agradeceu Kit a secar uma única lágrima que caiu do seu olho direito.
— Nossa! — exclamou Leiane. — Isso tudo é muito confuso, mas eu acho ótimo que você esteja feliz sendo quem é.
— Obrigada, Leiane.
— Me desculpe pela grosseria — disse Aurira depois que a sua irmã cochichou no seu ouvido.
— Não tem importância, Aurira.
— Agora, chega de conversas paralelas — intrometeu-se o Grão-Mestre. — Kit, vá chamar a Naty para mim enquanto eu tenho uma conversa em particular com as meninas.
— Sim, senhor — Kit saiu do gabinete e fechou a porta.
— Muito bem, feiticeiras, onde está o bastão mágico de Ébano? — pediu o Grão-Mestre.
As feiticeiras olharam para Sabryna e a Allogaj pegou o bastão mágico e fê-lo aumentar de tamanho, depois o entregou ao Feiticeiro Mascarado, mas ele não o quis.
— Não, este bastão agora é seu. Ele pertenceu a Allogaj Valéria, e agora está sob o seu domínio — o Grão-Mestre olhou fixamente para o objeto e reparou numa coisa que não tinha observado antes. — Espera um minuto, trocaram a Pedra de Vírnam?
— Não, senhor — Fabiana fez questão de responder —, a Sabryna o purificou.
— Impossível, apenas a Suma-Sacerdotisa tem este poder.
— Parece que Sabryna também tem.
— Como ela fez a purificação? Houve ritual?
— Ela conjurou a luz na Pedra tomada pelas trevas, a Pedra respondeu e foi imediatamente purificada, foi tão simples quanto o modo como expliquei. Nós não presenciamos a cena, estávamos a dormir, mas quando acordamos, soubemos o que ela tinha feito.
— Impressionante — admirou-se o Grão-Mestre. — Conhecem a história deste bastão? Há muitos anos, uma exploradora feiticeira das cinzas, chamada Vévda Novéanor descobriu uma ilha de pedras qual mais tarde foi batizada com o seu nome, e lá encontrou o maior tesouro natural do nosso mundo, o ouro e a prata condutores de magia. Nessa ilha, a vegetação era bastante escassa, porém, existia uma única e pequena árvore n***a como a noite que, assim como o ouro e a prata, tinha a propriedade de conduzir magia, e foi chamada de Árvore Ébano de Novéanor. Vévda cortou a árvore e dela fez dez bastões mágicos e o entregou para dez feiticeiros poderosos da época, porém, os Vinte e Quatro Anciões desaprovaram a atitude e fiscalizaram todos os bastões, exceto um que era o do Maior Feiticeiro das Cinzas de todos os tempos, chamado Magaurotto, o Senhor das Cinzas. Ele alegou haver o destruído, mas ele ocultou-o, e depois de muitos anos, ele entregou ao seu filho que passou para o seu filho e por aí foi até parar nas mãos de um poderoso e peculiar feiticeiro da geração da família chamado Stibélium, ou como o chamam atualmente, Lidarred. Não sabemos como parou nas mãos de Valéria, talvez ela tenha o encontrado no Castelo onde Lidarred atuou como o Mago Real — a história foi encerrada. — Agora, o Medalhão de Cronos — pediu o Grão-Mestre. — Onde ele está?
Fabiana retirou do bolso das calças o Medalhão e o entregou ao Mascarado.
— Pedimos à Sabryna para ocultá-lo por meio de magia — disse a porta-voz Fabiana —, obviamente, ela conseguiu.
— Impressionante — disse o Grão-Mestre a admirar o objeto. — É usando ele que venceremos a opressora Rainha Zadahtric.
— Mas quem o usará? Sabryna pode usar o Medalhão e derrotar a Zadahtric, mas o Protocolo diz que somente alguém da realeza pode disputar pelo trono. Se Sabryna fizer isto, ela será subjugada pelo Protocolo e os Vinte e Quatro Anciões vão intervir no caso. Além disso, não sabemos quem é a pessoa da revelação de Lubini que reinará nas Terras Encantadas de Ic e tomará o trono da Usurpadora Zadahtric. Rammahdic ainda está desaparecida.
O Feiticeiro Mascarado ficou em silêncio por alguns segundos até dizer.
— Eu prometi e eu vou cumprir. Vocês me trouxeram a Allogaj da Profecia, eu vou levá-las à Rammahdic.
— O senhor sabe onde ela está? — perguntou Leiane.
O Grão-Mestre suspirou.
— Sim, eu sei. Como vocês imaginam, Rammahdic não quer ser encontrada, mas toda Profecia é concretizada, não importa o que aconteça, ou como, ou quando. Rammahdic precisa enfrentar o seu destino.
Nesse exato momento, alguém bateu na porta e o Grão-Mestre ordenou que entrasse. Kit abriu a porta e uma jovem de cabelos curtos, cacheados e com as pontas vermelhas entrou no gabinete e as feiticeiras muito se alegraram.
— Naty — disse algumas e foram todas abraçá-la.
— Oi, amigas — saudou a jovem prodígio —, que saudade. Como foi a aventura de vocês? Tenho tanto para conversar.
— Naty — falou o Grão-Mestre —, leve-as para o nosso vestuário, quero que elas troquem de roupas e depois as alimente. Preparem-se porque hoje à noite haverá celebração no hangar.
¶
Naty foi apresentada à Allogaj e depois ela levou as mulheres para o vestuário onde elas trocariam de roupa, ela começou a falar sobre o Cesar, sobre como ele era incrível, e não parou mais.
O pessoal da Zingária continuava a cochichar coisas sobre a Sabryna. Para eles, ela era a feiticeira mais incrível do mundo e todos os seus aspectos eram elogiados como se ela não tivesse defeitos, uma maravilha. Ela nunca se sentiu tão especial na vida. Era de um mundo onde era tratada como uma subespécie da própria raça.
Estavam sozinhas no vestuário a trocarem as roupas por outras vestes medievais, e tocaram num assunto que não fosse o Allogaj Cesar.
— Meninas, o que o Grão-Mestre queria dizer com aquilo? — perguntou Gisele.
— O que ele disse? — quis saber Naty.
— Que sabe onde está a Rainha Rammahdic — disse Fabiana —, que ela não quer ser encontrada, mas precisa enfrentar o seu destino.
— Será que ele é filho dela? — supôs Gisele.
— Garota, eu pensei a mesma coisa — disse Leiane.
— Eu pensei que ele era um amante dela — disse Belisa. — Sei lá, ele é um homem muito maduro.
As mulheres riram.
— Talvez seja um, talvez seja outro, não sabemos — falou Naty. — Pelo menos, Rammahdic vai surgir do anonimato após anos. Assim esperemos.
— Fong não sabe responder? — perguntou Sabryna, agora que tinha i********e com as feiticeiras, estava menos tímida para, pelo menos, fazer perguntas.
— Ele é bom em ocultamento — respondeu Fong. — Eu não consigo ver nada da sua vida, não sei o seu nome, não sei sobre a sua linhagem, de onde ele veio, nem mesmo vimos o seu rosto. Já o vi nu uma vez, mas foi um acidente. Imaginem...
— Meu Deus, Fong — protestou Gisele e as demais riram, principalmente por Afrima ter tapado os ouvidos de Aurira. — Não precisávamos saber desta parte.
— Allogaj Sabryna — disse Naty —, não vai se trocar? — ela viu que a Sabryna estava com as novas roupas dobradas nas mãos, mas não moveu um músculo.
— Oh! — Fabiana apressou-se em responder. — Ela é muito tímida, vai precisar de privacidade.
— Ah! Tudo bem, vamos adiantar, meninas.
Em minutos, Sabryna ficou sozinha no vestuário e Naty garantiu que ninguém entraria ali. O respeito que tinham por ela era muito grande. Depois de mais alguns minutos, Sabryna estava pronta. A indumentária era padrão, todas usavam roupas de couro de mamute. A diferença da masculina para a feminina era que as blusas tinham um decote para adequar-se aos s***s.
Naty levou as mulheres para o refeitório e depois que comeram, foram descansar no dormitório. Era uma sociedade bastante igualitária e organizada, onde todos e todas estavam no mesmo patamar. Seria bom que todos os reinos fossem como aquela comunidade, nem mesmo a fome existiria.
¶
Depois de algumas horas, começou a escurecer e Kit avisou às feiticeiras que o Grão-Mestre queria vê-las antes de começar a reunião com a comunidade no hangar. Assim que chegaram ao gabinete, encontraram algumas pessoas sentadas nuns bancos daquela sala, o Grão-Mestre sentado atrás da sua mesa e uma garota loira e de pele bronzeada estava sentada em cima dela, ela falava sem parar. Quando viu as recém-chegadas, gritou de felicidade e correu para elas, mas abraçou somente a Sabryna.
— Sabryna — berrou Karen. — Por que não me contou ser uma bruxa?
— Grão-Mestre? — indagou Fabiana.
— Eu disse — falou o Grão-Mestre —, ela tem um espírito muito forte. Isto é comum nos Immunus. Ela despertou no Mundo Etéreo e começou a clamar.
Karen riu como uma louca.
— Eu fiquei desesperada — relatou a garota. — Achei que tinha morrido. Eu estava num lugar esquisito, tudo era muito colorido e muito lento, estava cheio de pessoas e criaturas exóticas.
— E os seus pais? — perguntou Leiane. — E a faculdade?
— Sei lá, eu já fugi de casa antes, eles nunca me procuraram. A faculdade vai ter que esperar, isso aqui é muito melhor.
— Eu a trouxe de volta — continuou o Grão-Mestre —, pensei que ela ficaria turbada e estava pronto para fazê-la se esquecer de tudo, mas ela conseguiu absorver todas as informações que dei e aceitou tudo sem questionar. E para te corrigir, Karen de Brunoni, Sabryna não é uma bruxa, é uma feiticeira Allogaj.
— OK! Você já me explicou — disse Karen como se estivesse a falar com o seu próprio pai. — Para mim, é tudo a mesma coisa. E para te corrigir, não tem esse "de" no meu nome. Por que vocês fazem isso? — as meninas olharam para Karen como se quisessem espancá-la. — UÉ? O que foi?
— Sabryna, quero te apresentar a algumas pessoas — disse o Grão-Mestre e as pessoas que estavam na sala ficaram de pé.
O Mascarado apresentou a Sapiensis Débora, uma jovem n***a de cabelos pretos e cacheados, pareciam cachos de uva, ela tinha vitiligo e as suas manchas brancas eram, praticamente, simétricas no rosto e corpo; apresentou o Ícaro, um jovem pardo, alto e bem magro que usava óculos, também tinha cabelos cacheados, não tão longos quanto os de Débora, e eram castanhos; e por fim apresentou a Rosie e a Bia, eram do Reino de Ic antes de a Usurpadora Zadahtric cair, a primeira era uma exímio Capa Vermelha, seguidora de Lidarred, a melhor, e a segunda conhecia alguns segredos mágicos, pois, havia lido o Livro dos Segredos da Magia.
As quatro pessoas a cumprimentaram com uma reverência e Sabryna gostou por não terem que tocar as mãos.
— Todas vocês, inclusive Kitga, juntas a mim, formarão a minha equipe de guerra para invadir o Castelo de Ic — disse o Mascarado.
— Grão-Mestre — Fabiana levantou o dedo indicador para falar —, tenho uma objeção, se me permite, mas a Sabryna não está preparada. Passamos o mês na Terra ensinando-lhe tudo o que podíamos, mas é tão pouco que...
— Não se preocupe, porta-voz Fabiana, eu tenho um plano, nós temos o Medalhão de Cronos e também a ajuda de alguém com muito poder neste mundo.
— Quem?
— Eu te faço uma pergunta: quem, geralmente, entrega profecias?
— Profetas.
— E quem, geralmente, são os profetas deste mundo?
— Os Sacerdotes dos Trealtas.
Quando Fabiana fechou a boca, um vórtice de fumaça branca e repleta de ** dourado, se formou no meio daquele gabinete, era tão intenso que o pessoal se afastou, parecia que alguém muito grande tomaria espaço naquela sala, mas quando o vórtice evaporou, revelou uma jovem bem pequena trajada de vestes sacerdotais, branca e dourada, e segurava o Cajado Údmoz, agora com o Diamante de Ic preso na sua parte superior.
— Equipe — disse o Grão-Mestre a pôr-se de pé —, eu apresento-lhe a Suma-Sacerdotisa Talita. Seja bem-vinda, Vossa Superioridade.
O Feiticeiro Mascarado e o pessoal do gabinete curvou-se para reverenciar aquela autoridade mundial, exceto Sabryna.