Três quartos foram reservados pela equipe de Rammahdic, cada subgrupo ficou em um, no entanto, naquele momento foi necessário todas se reuniram num mesmo lugar para conversarem. Estavam confortáveis e seguras.
Conversavam sobre vários assuntos, principalmente sobre Naty, a última vez que a viram, mergulhava no mundo dos livros, mas não tinham tempo para procurar por ninguém, tiveram que ir embora sem ela.
Antes que chegasse às sete horas da noite, Rammahdic se sentiu estranha e o seu pessoal percebeu, daí ela dirigiu a palavra à Allogaj:
— Sabryna, o momento é chegado, Unomodo quer falar com você.
— Agora?
— Em alguns momentos.
— Onde seria isto, Majestade? — perguntou Leiane. — Não existem templos para Unomodo aqui, existe?
— Eu entendo a importância dos templos para os deuses, Leiane — disse Rammahdic —, mas Unomodo não é assim, ele é mais... Desafiador.
— Onde eu o encontro, princesa? — perguntou Sabryna. — Ele quer que eu vá atrás dele, não é? Eu vou, mesmo sendo noite de Lua Azul.
Rammahdic, sem dizer palavras, foi abrir a janela do quarto a mostrar o cenário azulado do mundo, o que era arriscado no momento, apesar de a estalagem ter medidas protetivas muito eficientes, mas não se podia subestimar o poder das criaturas mágicas durante o fenômeno astronômico.
— Mas não é perigoso lá fora? — questionou Bia. — Sabryna é a feiticeira mais poderosa do mundo, sem dúvida, mas até mesmo na Lua Azul?
— Sim — respondeu Sabryna —, e ela não está me mostrando a paisagem, está me mostrando a própria Lua.
As meninas ficaram de queixo caído com o que Sabryna acabara de revelar.
— Na Lua? — gritou Karen e as meninas mandaram ela fazer silêncio. — Sabryna vai para a Lua? Como?
— Sim, Sabryna — falou Rammahdic —, Unumodo não tem conexão o suficiente com Dorbis para vir para esta dimensão, o que é uma pena. Mas ele está na Lua, sempre esteve. Através da Lua ele falou com os seus, ainda que pouquíssimos. Sempre foi o responsável pela misteriosa Lua Azul, quase ninguém sabe disso, vocês são privilegiadas. E ele sabe que você pode ter uma conexão direta com ele, agora que tem todas as bênçãos das Criaturas Primevas, não há limites para você.
A Allogaj olhou para a Lua, uma força de fora a chamava para lá, e ela se sentia bastante atraída. De repente, ela foi mudando o seu aspecto humano para o espectral, porém, palpável. Ficou na sua forma desdobrada, transcendental.
Ela flutuou para o lado de fora do quarto e lentamente saiu voando para o céu em direção à Lua, as meninas correram e aglomeraram-se na janela para verem o que ela faria em seguida. Sem se despedir, Sabryna aumentou a velocidade para ficar mais rápida, mesmo que por poucos quilômetros por hora, até quebrar a barreira do som e sumir num borrão para a quarta dimensão. Saltaria as dimensões até chegar ao satélite natural.
¶
Fora do planeta, sem qualquer p******o, ou equipamentos, Sabryna pousou lentamente no astro que estava numa cor azulada. Ela virou-se completamente para pôr os pés naquele chão. Não ouvia absolutamente nada.
Os seus cabelos flutuavam, e como se estivesse debaixo d'água, caminhou sobre aquele solo. Olhou para o planeta qual acabara de sair, era redondo e azul, igual à Terra, porém, o mapa geográfico era diferente.
Sem avisar, atrás dela, um vórtice se projetou do nada e um humanoide feito de poeira do lua se formou. Ele tinha apenas os olhos que eram escleras amarelas reluzentes. Sabryna se virou por sentir a sua presença e ele fez um gesto com a mão disforme para criar uma cúpula de ar. Agora ela podia ouvir os sons.
— Saudações, Allogaj Sabryna — disse aquele Ser, a sua voz era como de um homem maduro, e tinha eco.
Sabryna voltou ao aspecto natural, ali seria o último lugar qual correria perigo.
— Devo me curvar? — perguntou ela por não saber os costumes atribuídos a ele.
— Não será necessário, não procuro ser adorado, reverencie os Trealtas quais verdadeiramente merecem devoção.
— O que quer, então?
— Eu quero salvar Noldá do caos. Apesar de eu ser titulado como um deus, tenho as minhas limitações quanto à terceira dimensão em Noldá. Não vou explicar, você é uma Sapiensis e o tempo está corrido — ele olhou para o bracelete no antebraço da garota. — Eu preciso de você para este grande evento, Allogaj, evento este qual não revelei a mais ninguém. Só saiba, humanos e não-humanos tentarão te impedir.
— Se não querem ser salvos, por que eu devo fazer alguma coisa por eles?
— Eles não entendem. As bênçãos dos Primevos roubaram-lhes a sua humanidade? — ele aproximou o seu grande rosto vazio para ela e apertou os olhos. — Sei que ainda tem um resquício, Sabryna. Eu te vejo desde quando era uma criança de colo, acompanhei-te quando era uma simples humana, eu vi potencial em você, sondei o seu coração e contemplei a sua alma. Apresentei a sua vida aos Trealtas para ser a Allogaj das Luzes escolhida para impedir a Princesa Kanahlic com a Allogaj Valéria, escolhida pelos Treumilas, de levar para a terceira dimensão de Noldá os próprios deuses inferiores e consequentemente o caos, contudo, os Trealtas viram as suas trevas e decidiram escolher um rapaz sem trevas no seu lugar. A compatibilidade dele era de cem por cento.
— Espera, não fomos atraentes para as Magias, fomos para vocês, os Deuses Únicos. É isso mesmo que entendi?
— Sim, humana, e eu não desisti de você, esperei pelo momento oportuno e manipulei as duas magias distintas para dividirem espaço no seu cerne, e aqui está você, sempre foi você, a escolha perfeita. Sabryna, olhe para Noldá — Sabryna ficou de costas para Unomodo e olhou para o planeta iluminado pelo reflexo da luz da Lua Azul. — Vejo com os meus olhos e ouça com os meus ouvidos está acontecendo no mundo.
Sabryna respirou fundo, preparou-se para entrar em contato com aquele Ser e quando aconteceu, ela sentiu uma sensação inexplicável, uma agonia indescritível, tanto que ela expressou no seu rosto. Em poucos segundos, ela viu tanta desgraça — Doença, Fome, Guerra e Morte — que gritou para aquilo parar, não queria mais ver, era demais até para ela, era muita coisa dentro da sua mente repleta de sabedoria e de entendimento.
— Eu sabia — Unomodo quis dizer que Sabryna ainda conseguia sentir alguma coisa, porém, foi necessário mostrar algo demasiado para causar aquele efeito nela.
A Allogaj se virou para Unomodo com os olhos vermelhos a dizer:
— Meu Deus! Ninguém está vendo isso? O mundo não está vendo nada disso?
— Não, porque os Senhores do Mundo escondem a realidade para controlar as massas. O mundo jaz no maligno, Sabryna.
A garota de cabelos completamente brancos ficou apática de repente e olhou bastante séria para Unomodo.
— E o que eu devo fazer? Como eu posso acabar com isso? Me instrua.
— Sabryna, o poder foi lhe outorgado, você pode fazer alguma coisa e por conta própria. No que eu deveria ajudar, eu já fiz. Você tem muito conhecimento agora, mas ainda precisa conhecer os segredos do Universo. Um Mago Real chamado Lidarred teve tempo suficiente para conhecer e escreveu estes segredos num Livro Mágico, você precisará lê-lo, nele, encontrará a resposta que procura. Eu já tomei partido demais, já quebrei muitos protocolos que fiz para mim mesmo para ajudar uma minoria renegada injustamente.
— Eu quero fazer alguma coisa. Onde encontro este Livro?
— A resposta da localização você encontrará no Castelo de Ic.
— É para lá, aonde vou.
— Sabryna, o meu tempo acabou, encontre o Livro dos Segredos da Magia do Universo. Eu vou voltar para a sétima dimensão, e a partir de agora, o mundo nunca mais terá esta Lua Azul.
— Sim, senhor.
— Antes de ir, eu tenho um presente para te dar. Dar-te-ei um conhecimento que está no Livro, mas você precisará dele em breve, e este conhecimento te dará uma habilidade única. Existem coisas, quais foram feitas para serem permanentes. Mas podem ser desfeitas se você souber atingir o ponto certo.
Com o dedo indicador da mão direita, Unomodo aproximou lentamente do estômago de Sabryna, onde era localizado o seu cerne, ou núcleo, ou ponto de equilíbrio. Assim que encostou, Sabryna sentiu uma dor como de uma mãe a dar à luz, e uma luz brilhou no seu ventre até que um vórtice de poeira de lua a tomou por completo e quando se desfez, ela estava de volta no quarto da estalagem.
¶
As meninas se assustaram com a súbita chegada de Sabryna, ficaram deslumbradas com a poeira reluzente e azulada a espalhar-se por aquele quarto e cair lentamente como se ali também não houvesse gravidade. Era alta madrugada e a equipe não pregou os olhos enquanto a Allogaj não tivesse voltado.
— Sabryna — falou Rammahdic —, que novidade trouxe para nós?
Sabryna olhou para a Princesa bastante séria. Toda a miséria que pôde contemplar naquele mundo não sairia da sua mente tão fácil, ela ainda estava perplexa.
— Sabryna, o que foi? — perguntou Karen.
A Allogaj recobrou a compostura e relatou sobre o mistério que estava por trás da Lua Azul deveria ser revelado ao mundo, e que aquele fenômeno não mais existiria. Depois relatou algumas coisas de maneira superficial para não assustar o pessoal, ela era a mais resistente de todas para suportar a verdade e quase não resistiu.
— Ele também mandou eu encontrar o Livro dos Segredos da Magia do Universo?
— O quê? — indagou Rammahdic. — Aquele Livro estava na minha posse há muitos anos, eu peguei do Castelo antes de partir graças a Lidarred. Infelizmente ele não se revelou completamente para mim, senão poderia ser bem mais poderosa do que já sou. Unomodo quem mandou eu ir para a Terra e levar o Livro, quando cheguei lá, eu acabei o perdendo numa região de um Reino muito grande chamado Brasil, foi justamente onde a Magia das Trevas oscilou depois de cinco anos. Eu o procurei de todas as maneiras até onde eu pude, mas aquele lugar me limitava demais, aos poucos, a magia foi minguando e tive que voltar logo, pois, tinha muitas coisas para tratar. Vai ser impossível encontrá-lo agora. Ele age sozinho, tem v*****e própria.
— Unomodo disse que eu teria a localização a partir do Castelo de Ic.
Rammahdic ficou contente por aquilo.
— Muito bem, então está tudo certo. Agora, por que você precisa ler o Livro? Já não tem conhecimento e poder o suficiente?
— Não tenho conhecimento de alguns segredos da magia, através dos segredos é que eu terei a resposta para salvar este mundo do caos.
— Ih! — resmungou Karen. — Por que ele não te deu logo as respostas? Isso tudo parece um jogo dos deuses.
— Faz sentido — comentou Leiane.
— Os deuses também seguem protocolos, Karen — explicou Rammahdic —, e Unomodo já interferiu demais no Ciclo Circadiano deste mundo para nos ajudar.
— Interferiu no quê? Vocês nunca falam a minha língua?
— Ciclo Circadiano. Ele interferiu demais nas nossas vidas para que hoje pudéssemos estar aqui sãs e salvas.
— Obrigada por simplificar — Karen usou de sarcasmo.
— Pessoal — disse Sabryna —, amanhã, Rammahdic será a nova rainha das Terras Encantadas do Reino de Ic. O tempo está acabando, o m*l já dominou o mundo, a luz e as trevas estão sendo jogadas uma contra a outra. A humanidade está corrompida. Assim que eu ler o Livro, vou botar em prática o plano de salvação.
Sabryna foi aplaudida de maneira inesperada, era difícil verem um humano receber tanto poder e continuar com a sua integridade inabalável.
¶
O dia estava claro, o sol acabara de nascer. Sabryna havia acordado antes das demais e pensou nas meninas que se sacrificaram para que ela se tornasse o que era agora, sentiu o resquício de angústia que ainda habitava no seu peito.
— Por vocês, vou continuar — sussurrou ao se olhar no espelho.
Ela percebeu que alguém havia acordado depois, era a Kit que se aproximou dela.
— Allogaj, disse alguma coisa? — questionou a mulher trans bem baixinho.
— Sim — respondeu Sabryna ainda a se olhar no espelho.
A feiticeira transexual admirou a beleza da Allogaj.
— Sabe o que está faltando? Uns adornos, quem sabe, um piercing no septo.
— Sério?
— Sim, para compor o seu visual. Se bem que esse vestido típico de Barboa também não ajuda.
— Por quê?
— Você é uma feiticeira guerreira, precisa de algo mais ousado e menos panos. Vamos aproveitar que ainda está bastante cedo, o comércio está abrindo aos poucos.
Kitga levou Sabryna para o comércio no centro da cidade, onde tudo era mais caro, antes, passaram pelo térreo da estalagem e mandaram que preparassem um belo café da manhã para as novas hóspedes e deixassem um recado.
O centro da cidade era o bairro mais movimentado do Reino, mas pela manhã os trabalhadores ainda despertavam, a freguesia também. Kit conhecia aquela área muito bem, Rammahdic, quando era o Feiticeiro Mascarado, a levou para procurar com ela feiticeiros das cinzas. Elas entraram numa loja de estética onde mulheres trabalhavam com adornos, joias, enfeites e dividia espaço com uma alfaiataria, ali elas furavam as orelhas e narizes das clientes.
A loja também era famosa por fazer roupas encantadas e guardavam a roupa mais cara daquele mundo.
A mulher que as atendeu tinha um tom de pele marrom e aparentava não ter mais que trinta anos, mas era bem jovem. Ela olhou para Sabryna e ficou fissurada no seu cabelo. Kit a explicou o que elas queriam e Sabryna foi preparada para ser perfurada.
A atendente que tinha uma pequenina pedra vermelha grudada na sua fronte, por entre as sobrancelhas, esterilizou a agulha e preparou uma pasta para passar no nariz da cliente. Sabryna nunca furou as orelhas, que dirás o septo.
— O que é isto? — questionou Sabryna.
— Anestésico, senhora, para não sentir dor.
— Não precisa, apenas perfure o meu nariz.
A mulher ficou a olhar para Sabryna até que deu de ombros.
— Tudo bem — ela se aproximou com a agulha —, isso vai doer um pouco.
— Não com a agulha, perfure diretamente com o piercing.
— Não entendi.
— Desculpa — falou Kit para Sabryna —, aqui os piercings são chamados de pingentes.
— Está falando sério? — questionou a mulher da loja de adornos.
— Sim, perfure — confirmou Sabryna.
Então, a mulher pegou um aro de prata, escolhido pela própria Sabryna e tentou perfurar o seu nariz, mas não conseguiu, então Sabryna pediu um espelho, pegou o pingente e ela própria o colocou. A sua matéria se tornou muito resistente, fora que se furasse com a agulha, iria se fechar instantaneamente.
Ao se olhar no espelho, percebeu o que Kit queria dizer e sentiu-se muito mais ousada com o adorno.
— Ficou perfeita, senhora — disse a mulher.
— Era disso que eu falava — disse Kit. — Ficou perfeita mesmo.
A mulher entregou-lhe um pedaço de pano e água para estancar o sangue, mas não havia sangue.
— Não será necessário — falou a Allogaj. — Quanto lhe devo?
— A senhora não sangra? — questionou a mulher.
— Não — Sabryna não hesitou na resposta.
— Hora de ir embora — falou Kit com a voz mais aguda, ela ficou apreensiva pela exposição de Sabryna, até onde sabia, não podia revelar quem era para as pessoas, não era seguro no momento. — Quanto lhe devemos?
— Você é uma Saneturis? — questionou a mulher.
— Sim, eu sou — respondeu Sabryna e Kitga quase caiu para trás.
Ao afirmar aquilo, a mulher da loja de adornos ficou deslumbrada e curvou-se para Sabryna.
— Minha senhora, eu esperei este momento por muito tempo.
— Ué? — indagou Kit. Ela ficou intrigada por aquela mulher saber de cara de Sabryna se tratava de uma Saneturis e agora faz uma revelação como aquela.
— Levante-se — ordenou Sabryna, mas a mulher continuou prostrada. — Parece que você sabe alguma coisa sobre mim. Foi a Magia do Porvir, foi Profecia, Epifania?
— Epifania, senhora.
— O que está acontecendo aqui? — questionou Kit.
— Vá chamar quem você deseja chamar — ordenou a Allogaj.
A mulher se levantou do chão e pediu para esperarem, antes, fechou a loja para não entrarem mais clientes.
— Sabryna, isto não parece uma armadilha? — Kit supôs aquilo por não entender a situação.
— Parece, mas não é, eu senti a presença de uma pessoa das cinzas aqui.
— Como ela não foi encontrada pelos Imediatos da Rainha Zadahtric?
— Ela consegue ocultar parte da sua magia. Eu senti porque sinto tudo.
— Onde essa pessoa aprendeu essa magia avançada? Quem é ela?
— Ela é uma simples mulher que teve contato com Unomodo.
Depois de um tempo, a mulher que atendeu Sabryna voltou com outra bem mais velha, e pareciam parentes.
— Você é a alfaiate? — disse Kit.
— Sim, sou Príliah, de Syanastiah, nasci no Reino de LagoAnil, mas cresci no Reino de Par, aqui mesmo em Umnari. Esta é a minha filha, Dadéliah. Eu te saúdo, Saneturis — a mulher reverenciou Sabryna.
— Eu não faço isso, não precisa se curvar — disse a Allogaj. — O que quer comigo, mulher?
— Há muito tempo, eu conheci um Ser de imensurável poder que se revelou para mim, disse que eu deveria trabalhar para ele e que me concederia o que eu desejasse no meu coração. Tudo o que eu queria era ter uma filha, mas era estéril, então ele apresentou-me à Primeva, Grande Serpente, e ela me abençoou com a cura. Eu sou uma Saneturis também, e morrerei aos setenta e três anos, mas realizada. Toda a minha vida, trabalharei para este Ser chamado Unomodo. Sei que você teve contato com ele, consigo sentir a sua energia inigualável. Unomodo me trouxe uma Revelação, que eu deveria fabricar um traje de um rei que viria do Continente Tawanarde na época em que eu vivia no Reino de Par. Ele queria um traje especial para a sua filha, porém, o material mágico para fazer o traje era único no mundo, portanto, considerado ilegal o seu uso, era propriedade da Associação dos Regentes de Tawanarde. Por um descuido, ele foi detido quando tentou voltar para buscar o produto, mas ninguém nunca soube o que ele fez com o material. Infelizmente o Rei de Par, Oubadohi, foi notificado por um espreitador que um Rei de Tawanarde me procurou e ele veio saber o motivo, eu mostrei-lhe o traje, eu era muito submissa na época e não pude esconder aquele segredo por muito tempo, o Rei acabou o levando de mim. Unomodo me disse que um dia eu encontraria uma estrangeira, uma Saneturis de cabelos brancos, e que eu deveria entregá-la o traje qual foi chamado Planária por ser altamente autorregenerativo, mas infelizmente está em posse do Rei Oubadohi. Nem sei se ele ainda vive.
A mulher parou de falar e Sabryna perguntou:
— Fiquei interessada. O Rei usa o Traje Planária?
— Não, ele não consegue usar, não é compatível, o traje é especial e foi feito para você, Unomodo sabia que você viria. Queria que ele me devolvesse, mas ele disse que no seu Castelo ficaria mais seguro.
— Eu vou recuperar o Traje Planária, Saneturis Príliah. Foi uma honra conhecê-la.
— A honra foi toda minha.
— Tem alguma imagem do Castelo de Par?
— Par é o meu Reino, senhora. Dadéliah, vá pegar — a jovem foi buscar um quadro que ela tinha, era costume das pessoas de outros reinos quando fossem morar em outros lugares carregar quadros do seu lugar de origem como símbolo de honra à casa. — Vai abrir um portal para lá?
— Sim.
— Isso é possível?
— Para mim, é.
— Não precisa de permissão para atravessa fronteiras?
— Não.
— Quem você é? Não é uma simples Saneturis, é?
— Não quem, mas o quê. Eu sou uma Allogaj.
A senhora da loja arregalou os olhos.
— Minha terra amada!
A filha da mulher apareceu e Sabryna apenas olhou o quadro.
— Pronto, já é o suficiente — Sabryna pegou as suas moedas de ouro na sacola de couro e entregou à Dadéliah e retirou-se daquele ambiente, Kit a seguiu às pressas. — Está interessada em participar de uma pequena aventura?
— Como assim? Vai mesmo abrir um portal para aquele Castelo atrás do Traje Planária?
— Vou.
— Sabryna, eu confio em você, mas não teremos problemas com isso?
— Teremos.
— Então!
— Só coloque o capuz — Sabryna dirigiu-se ao Santuário dos Trealtas no centro da cidade, era uma construção de pedras e quase ninguém entrava.
— Eu não posso ocultar a Emissão do meu cerne, vão saber quem eu sou — disse Kit.
— Eu ocultarei para você, não se preocupe.
— Você faz cada coisa que me assusta, sabia?
— Eu nem comecei.
Elas foram para um canto livre de testemunhas, portais acinzentados indicava que um feiticeiro das cinzas o abriu, e feiticeiros das cinzas eram caçados pelo Reino de Ic, mas ela não abriria um portal, ela atravessaria a quarta dimensão como Transcendentis.
Com os bastões escondidos na roupa, Sabryna começou a metamorfose e ao segurar firme os braços de Kitga, ela foi mudado também até flutuarem e finalmente se transportarem diretamente para a entrada do Castelo de Par qual ela viu no quadro.