Capítulo 26

2592 Words
Estavam no grande pátio externo do Castelo, havia várias pessoas e quem as viu aparecer as olhou com curiosidade. A Criatura Primeva que representava aquele Castelo era a Doninha, justamente o Grande Primevo do Desdobramento. Elas caminharam para os portões, a figura da Doninha estava em toda parte, e as cores que decoravam o ambiente, em abundância, eram o amarelo e o marrom. Antes que entrassem, um dos guardas reais abordaram as garotas. — A entrada é somente permitida para a nobreza e realeza, a plebe só poderá entrar no segundo dia da semana. — Eu sou uma Transcendentis — disse Sabryna bem alto. — Se eu quisesse, já estava aí dentro sem precisar olhar para a tua cara. O guarda não gostou da ousadia da garota, mas os abençoados pelos Primevos tinham passe livre pelo Castelo, até certo ponto, ainda mais uma Transcendentis, já que o Primevo que a abençoou era o símbolo do Reino. — Você sabe que isso é crime contra o Protocolo dos Reinos de Dorbis e automaticamente conta a Organização Mundial da Magia do Universo? — Por isso eu não fiz — Sabryna estava blefando, mas aquele homem não sabia do blefe, apenas não gostou da petulância dela e a importunou, porém, não podia passar-se por ridículo na frente dos outros guardas se ela estivesse a falar a verdade. — E digo mais, você não é poderosa o suficiente para atravessar barreiras mágicas, sua boçal. Prove que é uma Transcendentis, porque até onde eu sei, só existe uma no mundo inteiro e o seu nome é Nabyla. — Agora são duas — rebateu Sabryna. De repente, Sabryna mudou o aspecto da própria matéria na frente de todos e todas, era uma raridade de feiticeira. — De longe eu senti a Emissão da bênção desta garota, Beralto — gritou um guarda que assistia a tudo. — Eu também, senti, mas tive dificuldade de entender a bênção, esta garota é muito misteriosa — enquanto eles falavam, Sabryna voltava ao normal. — Tudo bem, você pode entrar, mas a sua amiga não. — Se quiserem, eu levo as duas para a minha casa — flertou o outro guarda. Sabryna desdenhou ao revirar os olhos, mas Kitga sorriu, queria corresponder o flerte. A Allogaj arrastou Kit para um canto para murmurarem sobre o plano de pegar o Traje Planária sem causar guerra. — Vai me levar de volta para a estalagem em Barboa? — perguntou Kit. — Ou eu posso te esperar na casa daquele guarda charmoso. — Não e não, você vem comigo. — Você ouviu o guarda? Não posso entrar. — Eu tenho memória fotográfica, vi o interior do Castelo e vou te transportar para uma sala fechada, depois voltar e passar pelos portões para a minha entrada ser registrada. — Precisa mesmo deste protocolo? Eu não posso ficar aqui fora te esperando? — Não, estou te ocultando e a minha magia não faria efeito com você longe de mim, ainda estou a desenvolver esta habilidade, descobririam que você é das cinzas e você seria denunciada para o Reino de Ic. — É verdade, a sociedade sempre contribuindo com o preconceito contra a nossa categoria. — Então vamos lá. Sabryna entrou em estado de desdobramento e transportou Kitga para dentro do Castelo de Par, para o quarto fechado onde somente havia quadros e mais quadros, depois voltou para o lugar de onde saiu e caminhou para os portões novamente. — Qual o seu nome? — perguntou o guarda que a abordou da primeira vez. Para Sabryna ele era melhor que o outro, não tinha tempo para flerte e também não sabia lidar com aquilo. — Sabryna Mendes. — É um pseudônimo? Nunca ouvi falar de nenhuma Sabryna. — É o meu nome. O guarda mandou que um escriba anotasse o nome dela e assim que ela passou pelos umbrais, a sua entrada foi registrada, também, ela teve que entregar o seu bastão mágico para um guardião guardá-lo num armário, era a medida de segurança. — Bastão diferente — disse ele ao entregar à Sabryna uma combinação numérica que era a mesma do bastão para não levarem bastões dos outros. — Não vai ser necessário, o meu bastão é o único, pelo menos, neste continente. O guarda queria seguir Sabryna, achou ela bastante suspeita, mas não podia sair do seu posto. Mesmo ela sendo uma Transcendentis, estava sem o seu bastão mágico, então, significava que ela não poderia fazer nada criminoso ali dentro, contudo, não tinham noção de quem era aquela garota de verdade. Sabryna foi para a sala dos quadros para recuperar Kitga e a encontrou admirando cada um deles. Depois saíram de lá através da quarta dimensão e dirigiram-se ao salão do rei. O extenso local estava repleto de nobres e ricos que as olhavam como se fossem simples camponesas. Elas procuravam pelo Rei e encontraram um rapaz jovem e bonito de olhos azuis e cabelos castanhos sentado no trono a conversar com uma mulher loira, muito alta, com cabelos trançados e raspado na lateral, e muito musculosa. Era a sua escudeira. — Aquele é o rei? — sussurrou Sabryna, fez uma pergunta retórica. — Parece que sim — sussurrou Kit de volta. — Pensei que fosse mais velho. — Eu também. — E quem é aquela guerreira que parece uma lutadora de MMA? — Nunca a vi na minha vida, não conheço nada sobre o Reino de Par. A guerreira usava uma armadura cor de cobre e tinha a gravura da Grande Doninha, mas ironicamente era uma Immortalis, abençoada pela Grande Harpia. Aquela mulher era uma guerreira temida no Reino de Par e Mandante dos guerreiros do Castelo. As meninas se aproximaram do rapaz e apenas a Kitga o reverenciou. — Saudações, Majestade — disse Kitga. — Eu te apresento Sabryna, uma Transcendentis que há muito tempo desejou visitar este Castelo, habitação do Primevo que a abençoou. — Encantada — saudou Sabryna. Assim que foi apresentada, o rapaz olhou para Sabryna com os olhos a brilhar, mas a guerreira ficou de cara amarrada e segurou o cabo da sua espada de maneira intimidadora para a Allogaj. — Não interessa quem você é, curve-se perante a Sua Majestade... O rapaz a interrompeu com um gesto com a mão, ele ainda olhava para Sabryna como se ela fosse a própria Criatura Primeva. — Não seja tão hostil com a Transcendentis, Mandante Aoliriz — ele ficou de pé e beijou a mão da garota como um verdadeiro cavalheiro que era. — Seja bem-vinda ao meu Castelo, Milady, é uma honra recebê-la aqui, você é uma raridade. Pelas tuas vestes, sugiro que sejam de Barboa. — Sim, meu rei — respondeu Sabryna. — E a quê devo a honra da sua ilustre visita? Sabryna pensou que Kit já havia dado aquela resposta, mas aproveitou o ensejo e aproximou-se mais perto para falar ao ouvido do rapaz. — Você conhece a Saneturis Príliah? O rapaz ficou sério. — Era uma excelente alfaiate deste Reino, segundo o meu pai, o Rei Oubadohi. Ela é oriunda de Syanastiah. Realmente, vocês são de Barboa, é onde Príliah mora atualmente. O que tem ela? — Ela me falou sobre um traje que fez há muito tempo para um Rei de Tawanarde... — Shhh! Ela jurou não contar isto para ninguém — sussurrou o rapaz a interrompê-la. — Para quem mais ela contou? Nem mesmo a Organização Mundial de Magia sabe que está aqui. "Todo mundo esconde alguma coisa da Organização Mundial de Magia", pensou Sabryna a achar graça. — Acalme-se, meu rei, eu sou uma pessoa de confiança da Príliah, fui a única a ter esta informação da parte dela. — E o que você quer com isso? — Gostaria de ver o Traje. O rapaz olhou para a sua guerreira e fez um gesto com a cabeça, depois mandou que Sabryna o seguisse. Andaram pelo Castelo, subiram um lance de escadas numa torre até chegarem a uma porta guardada por dois guardas que reverenciaram o rapaz e abriram a porta para entrarem. Kitga teve que aguardar do lado de fora, o rei não permitiu que ela entrasse. Depois da porta, havia uma sala vazia com apenas um armário com uma porta de vidro e dentro estava guardado o traje. Ele tinha um aspecto de algas marinhas, era totalmente preto e tinha vários pontos brancos que reluziam como glitter, mesmo assim, não era tão extravagante quanto Sabryna pensou que fosse. — Aqui está, o Traje Planária — apresentou o rei e Sabryna encostou no vidro do armário a admirá-lo. — Não sabemos como Príliah conseguiu fazê-lo, mas ninguém consegue vesti-lo. Sabryna sabia como ele foi feito, Unomodo quem ajudou na fabricação da peça, ele tinha um propósito de chegar até à Allogaj, mas o Rei Oubadohi estragou os planos. Inesperadamente, a Mandante Aoliriz colocou uma adaga dourada no pescoço de Sabryna e disse: — Vire-se lentamente com as mãos para cima, se fizer qualquer movimento brusco ou começar a se desdobrar, eu te mato num piscar de olhos. A adaga era feita do ouro se Novéanor, o metal cortava tudo, poderia cortá-la até mesmo desdobrada. Sabryna sorriu de costas para eles, ela sabia que existia uma série de fatores que impediria que aquela guerreira a matasse, mas ela entrou no jogo, levantou as mãos para o alto e virou-se como a mulher pediu. — Acha que sou algum i****a? — questionou o rapaz que usava uma coroa maior que a cabeça. — Acha que não sei da Epifania de Príliah: Uma Transcendentis de cabelos brancos seria a dona do Traje. Pensou mesmo que eu iria entregar o Traje para você? "Transcendentis?", pensou Sabryna com uma sobrancelha erguida. Talvez a mulher tenha mentido para proteger o segredo da Epifania, e acabou a acertando. — Óbvio que não, mas eu sei que ele será meu. As suas palavras podem parecer firmes, mas eu ouço hesitação, você está nervoso, jovem rei. — Quanta petulância — vociferou a Mandante Aoliriz, tinha muita v*****e de cortar a garganta da garota que lhe olhou e riu de deboche. — Eu vou arrancar este sorriso da sua cara... — Aoliriz, espere — ordenou o rapaz. — Garota, diga-me quem é você e por que eu devo entregar-lhe o Traje Planária? A depender da sua resposta, não haverá derramamento de sangue. — Eu sou uma Allogaj, e eu vou derrubar a tirania do Reino de Ic — disse Sabryna sem cerimônia e os ouvintes pararam no tempo para absorverem a informação. O rapaz, então, estalou os dedos e a Mandante Aoliriz guardou a sua adaga. — Mais uma Allogaj surgiu neste mundo e veio para o Reino de Ic, de novo. O que há com este Reino? Qual o seu segredo? — o jovem rei ficou mais calmo com a presença de Sabryna. — Estou indo descobrir estes segredos, Vossa Majestade. — Então, quando descobrir, conte-me, se estiver viva, é claro. Aquele Reino é poderoso, como pretende derrotá-lo? — Agora isto é um segredo meu, Majestade. Depois de uma pausa, o jovem rei tirou uma chave do bolso e abriu o armário, que era selado com magia. — Pegue, se conseguir, leve-o. Sabryna chegou mais perto do Traje e estendeu a mão para tocá-lo, ele virou antes que ela pudesse fazer contato, e quando ela recuou um pouco, o Traje grudou-se em Sabryna como uma cola magnética, depois foi se espalhando pelo seu corpo até vesti-la por dentro do vestido qual ela usava. — Preciso dizer mais alguma coisa? — Não — respondeu o rei arrependido. — Desculpe-me pela demonstração de violência, eu só queria proteger o Castelo de qualquer ameaça. — Eu sei. — Fora que uma das maiores ameaças que existe, para qualquer Reino de Umnari, é o Reino de Ic. Eles se acham superiores a todos por serem visitados pelos Anciões e pelos Sacerdotes e pelos Magos, e agora que está infestada de Allogajs, se superaram. Zadahtric é uma ingrata, o meu pai a ajudou com a guerra contra a própria irmã Kanahlic, muitos dos nossos soldados morreram e agora ela retribuiu se constituindo como superior aos demais. Eu m*l posso esperar para ver a queda daquele lugar, e se você for contribuir para isto, tem o meu total apoio. — Obrigada, Majestade. — Hum! — exclamou a Mandante Aoliriz. — Eu acabaria com esta garota com um golpe. — Está me subestimando? — Quer que eu seja mais clara? — Não, eu quero ser mais escura e mostrar-te que eu posso acabar com você com um só golpe. Aoliriz chegou mais perto, sem dúvida era maior que Sabryna, também, era muito forte e muito poderosa, fora ser uma Immortalis, então, se garantia demasiadamente. — Essa eu quero ver, Allogaj — Aoliriz desdenhou do título da garota. Sem dúvida, não gostou dela e por nenhum motivo plausível. Ela ficou com ciúmes por o rei tratar Sabryna com muito prestígio ao ponto de pedir-lhe desculpas. — Mulheres, eu já cancelei o clima de briga — interferiu o jovem rei. — Aoliriz, peça desculpas à Allogaj. — Mas Majestade... — Estou mandando. A mulher olhou para Sabryna com furor e pediu desculpas bem rápido. — Muito bem — disse o Rei —, quando pretende derribar o Reino e a tirania das Terras Encantadas de Ic? — ele debochou da rotulagem do Reino. — Ainda hoje, Majestade. — Hoje? — impressionou-se o rapaz. — Então deve partir logo, Sabryna. Precisa de alguma coisa? — Não, Majestade, só quero o meu bastão e a minha acompanhante de volta, pretendo partir antes do crepúsculo. — Então, se apresse, Allogaj. Depois disso, Aoliriz abriu a porta para o Rei passar e foram para o salão de recepção do Castelo. O rei tratou Sabryna como se fosse da realeza, além de não ter parado de galanteá-la e Kitga ficou tão assanhada que provocou ainda mais o rei para falar coisas melífluas para ela. — Sabryna, estou confuso com uma coisa, você é uma Allogaj e é uma Transcendentis. Como pode? — Majestade, eu sou muitas coisas que te deixaria confuso, então, eu prefiro não relatar no momento, se não se importar. — Assim seja, minha querida dama. O rei a beijou na mão outra vez, mas assim que a soltou, para provocá-la e constrangê-la, Aoliriz deu um soco bem forte no seu ombro que a fez dar um passo para o lado. — Ainda te espero, Allogaj... Sabryna não esperou ela terminar a frase, deu um soco de direita no tórax da Mandante dos guerreiros do Castelo de Par e ela voou para longe, o som do choque da sua armadura pesada contra a parede chamou a atenção dos guardas e de quem estivesse por perto. Aoliriz caiu desacordada no chão e com o nariz e***********o. — Ai! Meus Trealtas — exclamou o rei com as mãos sobre a cabeça. — Não se preocupe, ela está viva, e diga a ela, quando acordar, para nunca mais pegar uma oponente desprevenida, é desonroso — Sabryna estendeu a mão telecineticamente o seu bastão mágico voou para a sua direção, ela o pegou. — Eu trarei notícias, Majestade — e foi embora do Castelo sem mais. Os guardas estavam em prontidão para atacar Sabryna, mas o rei ordenou que a deixassem ir, e que socorressem a Mandante Aoliriz que foi humilhada na frente dos próprios guerreiros, mas foi reconhecido que ela provocou. Kitga quem adorou toda a encenação, mas conteve as emoções para não parecer uma pessoa insensível. Com certeza falaria sobre os feitos da Allogaj com as demais garotas.
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