Carol A madrugada no morro da Rocinha trazia consigo o eco surdo de vidas partidas. Mesmo o vento, que sussurrava pelos becos estreitos, carregava um presságio pesado, como se antecipasse algo terrível. Eu, Carol, caminhava ao lado de Gabriel pelo pátio de terra batida que servia de pátio para os homens dele. As tochas improvisadas lançavam reflexos dançantes nas paredes de pedra, e a brisa úmida colava meu vestido ao corpo, lembrando-me de cada centímetro de pele que ele amava e protegia. — Está pensando em algo — murmurou ele, voz grave, enquanto acendia um cigarro. A brasa iluminou o rosto rude, ressaltando a cicatriz que descortinava seu passado. Encolhi os ombros e tentei disfarçar, mas o coração batia acelerado. — É só cansaço — respondi, a voz mais leve do que sentia. Ele me olh

