Carol A lua estava alta, um disco pálido e indiferente no céu noturno, quando saímos da casa esquálida. A cada passo, o cheiro de esgoto e lixo queimado subia do chão batido, misturando-se ao aroma agridoce de maconha que flutuava das vielas escuras. O morro, àquela hora, era um labirinto de sombras profundas, onde os barracos se amontoavam em silhuetas disformes, e os postes tortos lançavam feixes de luz amarelada que m*l rompiam a escuridão. O colete, pesado e frio, estava apertado sob a túnica, uma segunda pele de aço que prometia proteção, mas entregava apenas a lembrança constante do perigo iminente. Senti o calor latejante da adrenalina bombeando em minhas veias, uma orquestra caótica de medo e excitação que se intensificava a cada respiração. Gabriel, ao meu lado, parecia uma exte

