Carol Entrei no quarto com passos firmes, peito comprimido pela raiva que latejava em minhas veias. Cada batida do meu coração parecia ecoar a dissonância entre o que eu era e o que estava prestes a me tornar. Lágrimas quentes, teimosas e traidoras, subiam pela minha garganta, ameaçando borrar a imagem de frieza que eu tentava projetar. Mas minhas costas, ah, minhas costas! Mantinham-se erguidas, desafiando a gravidade e o peso de todas as expectativas desfeitas. A luz amarelada e tênue do abajur, um ponto solitário de luminosidade naquele cômodo que parecia engolir a própria escuridão, fazia minha farda social — um símbolo da minha vida anterior de ordem e retidão — parecer um traje de gala obsoleto e irônico em meio a ruínas iminentes. E ali, naquele espaço carregado de memórias e de um

