Na empresa, eu esperava. O relógio na parede marcava cada segundo com um peso desnecessário. A sala estava silenciosa demais para alguém acostumado com decisões rápidas e números frios. Mas nada ali era frio. Era Ana Lis. Será que ela vem? Eu não dormi naquela noite. Rolei na cama como um adolescente inseguro, algo que eu nunca fui. A imagem dela não me deixava em paz. O olhar de ódio. A decepção. A mágoa. Quando ela disse que me odiava, algo dentro de mim cedeu. Eu sabia que tinha ultrapassado um limite. Sabia que usar o sonho do Bento como pressão era baixo. c***l. Calculado. Mas também sabia que, se não fosse assim, ela jamais aceitaria. E eu precisava dela. Não por um ano. Não por um contrato. Por toda a vida. Levantei da cadeira e fui até a janela do meu escritório. A cida

