Capítulo 5- Ecos do desejo

963 Words
A animação me consumia desde cedo. Hoje eu finalmente veria o Pedro, meu irmãozão! Meu coração batia tão rápido que parecia querer escapar do peito, e um sorriso involuntário se espalhava pelo meu rosto. Eu amava meus irmãos de um jeito que não cabia dentro de mim, e cada minuto de espera só aumentava minha ansiedade. Fui ao quarto do Bento para chamá-lo, mas ele não estava lá. Um friozinho na barriga me avisou que algo estava diferente. Voltei para a cozinha e perguntei à dona Ana: Dona Ana, você viu o Bento? Ela desviou o olhar, tentando esconder o sorriso, e respondeu: Ele saiu… para resolver uns assuntos da empresa. Estranhei. Ele passara o dia todo fora e eu nem tive chance de perguntar como havia sido a noite passada. Sabia que ele estava namorando e, provavelmente, não queria me contar… que bobo. Suspirei e caminhei até a sala. Liguei a TV, tentando me distrair, mas o coração acelerado não me deixava prestar atenção em nada. O Bento havia me dito que o Pedro só chegaria por volta das dez horas da noite. Dez horas… que pareciam séculos. E então, o som da campainha cortou o silêncio. Meu corpo inteiro se estremeceu. Corri para a porta, e lá estava ele. Meu Pedro. Meu irmãozão. Não pensei em nada além de correr até ele. Me joguei em seus braços e chorei como se todo o alívio e a saudade do mundo precisassem sair de mim de uma só vez. O beijo que demos parecia querer se prolongar eternamente, e por um instante o mundo inteiro desapareceu. O Bento se aproximou, com aquele sorriso radiante que sempre iluminava tudo ao seu redor, e me envolveu num abraço firme. Entre lágrimas, consegui perguntar: Você planejou isso? Pedro sorriu, apertando-me ainda mais contra o peito: Claro que sim, minha linda. Tudo por você. Meu coração explodiu em gratidão e carinho. Até dona Ana se emocionou, enxugando discretamente as lágrimas que escapavam de seus olhos. A sala parecia se encher de calor, amor e risos contidos. Entramos e começamos a conversar, rindo de tudo e de nada. O Bento então contou ao Pedro o que havia acontecido comigo. Seus olhos se estreitaram, a voz carregada de firmeza e determinação: Vou procurar esse cara. E vou encontrá-lo, custe o que custar. Senti-me completamente amada. Pedro me abraçou forte, com uma força que parecia querer me proteger de tudo e de todos. E naquele abraço, soube que nada nem ninguém poderia me machucar enquanto ele estivesse por perto. Comentei sobre meu primeiro dia na universidade, sobre a ansiedade que já me consumia: Amanhã é meu primeiro dia… estou tão nervosa… Eles me ouviram com atenção, e o cuidado nos olhos deles me derreteu: Vamos com você, não se preocupe. Confesso que não queria que me levassem. Queria enfrentar aquele novo mundo sozinha, mas diante de tanto amor, não consegui recusar. E então veio a surpresa que me deixou extasiada: eles me dariam um carro! Um carro para que eu pudesse ir à faculdade. Meu coração quase saltou do peito de tanta felicidade. Pulei, gritei, chorei… não conseguia conter a alegria que me consumia. Jantamos e continuamos a conversar. Rimos, contamos histórias, ligamos para nossos pais e irmãos, mas decidimos não contar o que havia acontecido; não queria que se preocupassem. Quando finalmente me deitei, ainda sentindo o abraço do Pedro e o sorriso do Bento na mente, fechei os olhos. Amanhã seria meu primeiro dia na universidade… e eu sabia, com certeza absoluta, que seria inesquecível. Theo Estou em uma sala privada, afastado da pista de dança. O barulho da música chega aqui como um eco distante, abafado, quase contemplativo. Não gosto de estar no meio da multidão, onde todos se esbarram e se misturam. Aqui, tenho meu próprio espaço. O vidro à minha frente me permite observar tudo lá embaixo sem ser visto. Cada gesto, cada movimento, cada risada. É como se eu estivesse fora do tempo, olhando o mundo acontecer sem fazer parte dele. Estamos rodeados de garotas cada uma mais bonita que a outra, mas nenhuma se aproxima daquilo que minha mente insiste em guardar. Já beijei muito hoje. Já me perdi em corpos que procuravam prazer e distração. Já fiz sexo, tentei me afogar no calor de outras mãos e outras bocas. Mas ela não sai da minha cabeça. Ana Lis. O que você está fazendo comigo, Ana Lis? Fecho os olhos por um instante, tentando me concentrar, tentando desligar a mente. Mas é inútil. A imagem dela surge na minha mente de repente, em cores vivas, quase palpável, e me atravessa como uma corrente elétrica. Tentei usar o sexo para aliviar a tensão, para sentir menos, para enganar meu coração e minha mente. Mas quanto mais me entrego, mais a lembrança dela se impõe, mais ela insiste em aparecer entre cada toque, cada beijo, cada suspiro. Por que? Por que você não me deixa em paz? O calor do meu próprio corpo contrasta com o frio que sinto dentro da mente. Estou tenso, agitado, como se pudesse explodir a qualquer momento. Cada batida da música lá embaixo ressoa dentro de mim como um lembrete c***l: não há nada nem ninguém que possa substituir Ana Lis. Nada. Sinto que vou perder o controle. Sinto que vou enlouquecer. E ainda assim, há uma mistura de prazer e tormento, de desejo e frustração, que me prende a essa imagem que não me deixa. E ali, naquela sala privada, com o vidro entre mim e o mundo lá fora, percebo que estou completamente perdido. Entregue. Consumido. Dominado por ela — Ana Lis — e por tudo que ela desperta em mim. Respondo para mim mesmo, isso está ficando perigoso, dou um sorriso de lado, e volto a beber.
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