capítulo 18- De volta ao lar

800 Words
Ana Lis Segunda-feira. Que bom que finalmente estava de alta. Pedro, Bento, Laura, Luan, Enrico e Noah estavam comigo; vieram todos me buscar, menos Theo. Não sabia onde ele estava, e nem perguntei. Não tinha nada a ver comigo, pensei, tentando afastar a preocupação. Saímos do hospital e seguimos para casa. No carro, conversamos bastante, tentando quebrar a tensão do que havia acontecido nos últimos dias. Cada risada de Laura e Márcio parecia aliviar um pouco o peso que ainda carregava. Quando chegamos, a dona Ana já estava à porta, nos esperando. Assim que me viu, correu para me abraçar e as lágrimas vieram novamente. Tentei acalmá-la, segurando suas mãos com firmeza, e falei, sorrindo: Calma, dona Ana. Estou novinha em folha, pronta para outra. Pedro gritou, sério e protetor: Ana Lis, não fala isso nem de brincadeira. Bento me olhou com aquela expressão que só ele sabe fazer, misto de raiva e preocupação. Pisquei para Márcio, Laura, Noah e Enrico, e todos rimos. Ao entrar, o cheiro de comida invadiu meus sentidos. Tomei um banho rápido e nos reunimos para comer. A mesa estava animada, cheia de conversas, risadas e pequenas provocações entre Pedro e Bento. Eles trocaram um olhar, silencioso, e depois perguntaram: Você está bem para ir à faculdade amanhã? Falei, confiante: Claro que sim. E sábado, piscina na casa do Enrico, disse com um sorriso. Enquanto todos falavam sobre a semana e os planos, meu pensamento foi automaticamente para Theo. Onde ele estaria? Um aperto no peito surgiu, mas tentei ignorar. Ele sempre aparecia na hora certa, pensei, então não precisava me preocupar. O almoço continuou tranquilo. Laura e Márcio comentavam sobre o que fariam nos próximos dias, Noah fazia algumas piadas discretas para me fazer rir, e Enrico contava histórias divertidas, tentando descontrair o clima. Pedro e Bento permaneciam atentos, observando cada gesto meu, garantindo que eu realmente estava bem, mas sem sufocar. Após a refeição, ajudamos a organizar algumas coisas da casa, guardar comida e limpar a mesa. A leveza começava a tomar conta, e eu sentia uma gratidão silenciosa por todos ali. Apesar de tudo o que havia acontecido, estava cercada de pessoas que me amavam, que se preocupavam, que protegiam. Mais tarde, cada um foi seguindo suas tarefas. Pedro e Bento trocaram olhares silenciosos sobre os cuidados que ainda precisaria ter, mas confiavam que eu estava recuperada o suficiente para seguir minha rotina. Laura e Márcio conversavam sobre pequenas aventuras da semana, enquanto Enrico e Noah planejavam algo divertido para a tarde. E, mesmo com todos ao redor, meu pensamento voltou a Theo. Uma sensação estranha me dominou: ciúmes misturado à preocupação. Ele não estava ali, mas sua presença parecia faltar. Eu queria contar tudo, falar sobre o hospital, sobre o que senti, mas também sabia que ele precisava me procurar quando estivesse pronto. E isso me deixou inquieta, mas de um jeito bom, que fazia meu coração acelerar levemente. Ao final do dia, senti que a rotina começava a voltar ao normal. As risadas, conversas e pequenos gestos de cuidado transformavam a casa em um lugar seguro. E naquele momento, percebi que não precisava enfrentar nada sozinha. Estava cercada por minha família, meus irmãos, meus amigos. E isso, mesmo que por um instante, era suficiente. Enquanto me acomodava na sala, observando todos interagirem, senti o cheiro de café fresco vindo da cozinha, lembrando-me da sensação simples e acolhedora de estar em casa. Ouvi Pedro e Bento conversando baixinho sobre como organizar minha semana, tentando não me assustar com planos e regras. Noah, distraído, brincava com alguma coisa que encontrou no chão, e Enrico ria das pequenas travessuras dele. Laura e Márcio estavam juntando algumas roupas no quarto, rindo das situações mais bobas, como sempre faziam. Eu respirei fundo, sentindo que, pela primeira vez em dias, podia relaxar de verdade. A sensação de normalidade invadia cada canto, e meu coração acalmava aos poucos. Mas meu pensamento ainda flutuava em Theo. Onde estaria? Estaria preocupado? Meu peito apertou de novo, e eu me peguei sorrindo sozinha. Mesmo à distância, ele fazia falta. A tarde caiu lentamente, e o sol batia pelas janelas da sala, aquecendo o ambiente. O barulho suave de copos, risadas e passos ecoava como uma melodia familiar. Senti uma gratidão silenciosa por todos que estavam ali, por todos que se importavam, e por ter sobrevivido aos últimos dias. A sensação de segurança era quase tangível, e eu permiti a mim mesma aproveitar o momento, absorver o cuidado e o carinho de quem estava ao meu redor. Mesmo com o pensamento em Theo, percebi que podia me apoiar nas pessoas que estavam comigo agora. E assim, sentada entre minha família e amigos, deixando o sol tocar meu rosto, senti que podia finalmente respirar, sem medo, sem pressa, apenas vivendo o momento.
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