A chuva havia diminuído, mas os trovões ainda ecoavam ao longe, lembrando Elowen de um passado que ela queria esquecer. O quarto de Kael permanecia no mesmo silêncio carregado, onde cada respiração parecia um segredo partilhado. Ela estava aninhada contra ele, o rosto pressionado ao peito desnudo, ouvindo o som ritmado do coração dele. Por um momento, era como se o mundo lá fora tivesse deixado de existir. Apenas o calor dele, o cheiro de sal misturado ao sabonete recém-usado, e o abraço firme que a mantinha inteira. Mas, pouco a pouco, a consciência voltou. Elowen ergueu o rosto, e a realidade atingiu os dois como uma onda quebrando contra as pedras. Os olhos dela, ainda vermelhos pelo choro, encontraram os dele. A intensidade do olhar de Kael a fez prender a respiração. — Eu… não sei

