cap 15 briga boa

901 Words
Cecília Hoje eu me dei o privilégio de acordar um pouco tarde. Estou livre da faculdade por uma semana; só estão indo quem pegou recuperação no semestre e, graças a Deus, atingi a pontuação em todas as matérias. A mãe do Palhaço dormiu aqui, mas saiu hoje bem cedinho. Acordei, tomei café e fui ajudar minha mãe a arrumar a casa. Depois tomei meu banho e fui pro meu studio. Atendi apenas quatro meninas e encerrei o expediente por volta das três da tarde. Recebi uma mensagem da Nara me chamando pra tomar açaí e ficar vendo o movimento na praça, e logo comecei a adiantar meus passos. — Eai, mandada — falei me sentando junto a ela. — Chegou rápido. — Vi sua mensagem já no meio do caminho. — Anham... mas fala aí sobre aquele quase beijo com o Palhaço. — Teve quase beijo nenhum! E se tu pensa que eu não vi tua cara quando viu o Moura com aquela doninha lá, não? — Assumo que fiquei meio balançada mesmo. Desde sempre eu flagrava ele aqui no morro, mas nunca cheguei porque fiquei com medo dele me achar oferecida e também por ele ser quem ele é. — Mas naquele dia do baile vocês ficaram? — Ficamos, e teve replay no dia do aniversário do Palhaço. — Bem que tu evaporou de lá mesmo. — Pois é... mas isso é pra eu poder largar de ser iludida. Fiquei com o bofe só duas vezes e tô aqui nessa lamentação toda. — É fase, daqui a pouco passa. — Tomara... mas ai, vai querer teu açaí agora? — Vou mesmo, vai lá fazer o meu vai — falei juntando minhas mãos. — Folgada em — falou se levantando e indo em direção à sorveteria. Tava vendo as fofocas do morro no Twitter e percebi a Loira e uma amiga dela se sentar do lado da mesa onde eu estava com a Nara. “Pois é amiga, tem gente que não se toca e fica se fazendo de vítima na frente dos caras, bem sonsa mesmo. Mas comigo não tem essas não...” Nem dei ligação e continuei vendo as novidades até a Nara chegar com o açaí. — Patati e Patatá chegou que horas? — falou fazendo careta e olhando em direção à mesa das meninas. — Chegaram nestante — falei pegando o meu açaí. Depois que terminei, levantei e fui jogar o copo no lixo. Quando eu estava voltando, escutei a Loira citar o meu nome. Já que ela estava de costas, não percebeu que eu estava chegando e escutei ela falando merda. — Qual é a tua mesmo em, Loira? — falei parando na mesa que ela tava sentada. — Eu? Nada, por quê? — Se faz de sonsa não, porque desde a hora que você chegou tu não para de fazer piadinha. — Não tenho culpa se você só faz passar vergonha — falou se levantando. — Quem tá passando vergonha é você que tá criando discórdia sendo que nem me conhece direito — falei já me alterando. — E nem quero! Se faz de amiguinha dos meninos só pra poder dar golpe que eu sei. — Então esse é o problema? Homem? — falei rindo sarcástica. — Você que é o problema! Tá atrapalhando tudo que eu tenho com o Palhaço. — Pra eu poder atrapalhar alguma coisa, primeiramente vocês teriam que ter um relacionamento, o que não é o caso. Até porque ele mesmo já citou que você não passa de uma oferecida que tá querendo status em cima das pessoas — falei e pisquei pra ela. Fui me virar pra sair, mas senti um puxão no meu cabelo. Virei logo de mão fechada e acertei um murro certinho no rosto dela. Fui criada saindo na mão com dois meninos e a garota acha que eu vou brigar dando tapinha e puxando cabelo. A loira cambaleou pra trás mas logo veio pra cima de novo. Ela tentou agarrar meu cabelo mas eu consegui me esquivar, porém a unha da safada acabou passando pelo meu braço e tirou um pouco de sangue. Senti um ódio subir quando vi aquilo e fiquei totalmente descontrolada. Agarrei o cabelo dela e derrubei ela de bruços. Montei nas costas da loira e comecei a esfregar a cara dela no chão enquanto ela se debatia tentando sair. — Sua vagabunda do c*****o! Eu te avisei que se você ficasse de gracinha pra cima de mim eu ia esfregar essa sua cara cheia de cirurgia no chão! Levantei de cima dela só para poder virar a pilantra de barriga pra cima. Segurei no pescoço da loira e quando armei meu punho pra dar um soco, senti alguém me puxar com tudo de cima dela. — Tá louca, Cecília, c*****o? — falou o Palhaço enquanto me prendia contra o seu corpo. — Esse projeto de Barbie que veio cheia de onda pra cima de mim! — É mentira, Palhaço! Ela que se alterou só porque falei umas verdades — falou a loira se levantando com a ajuda da amiga dela. — Você que puxou meu cabelo primeiro, sua p*****a rodada! — Anda, Cecília, você vem comigo — o Palhaço saiu me puxando pelo braço. — Tá me levando pra onde mesmo em? — Preciso bater um papo reto contigo. Bora lá pra casa que tá vazio, minha mãe foi fazer a feira.
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