Palhaço
— O que foi aquilo mesmo em, Cecília? Esperava de várias, agora de você que é toda certinha...
— Não sou certinha, apenas sei me portar de maneira correta. E você queria que eu ficasse quieta enquanto escutava as merdas que ela falava? Me poupe né, Pedro.
— Mané Pedro! Fala direito comigo — falei um pouco mais alto.
— Que eu saiba esse é o teu nome. E fala baixo, não vem encher minha paciência também não — falou se sentando no sofá.
— Só tô falando porque depois teu nome vai sair pelos quatro cantos do morro. Tu sabe como as coisas funcionam aqui na quebrada.
— Deixa sair, tô pouco me fudendo pro que esse povo vai dizer.
— Vão falar que vocês duas estavam brigando por causa de homem.
— Ela realmente estava, já eu estava brigando pra ela tirar o meu nome daquela boca imunda. Nunca fiz nada pra garota, na primeira vez que vi ela tratei com educação e ela já veio com sete pedras na mão. E a mona nem é daqui e tá nesse fogo todo.
— O pai dela descobriu que ela tava se envolvendo com bandido e mandou ela escolher o rumo que ela ia seguir, então a Tainá preferiu vim para o morro.
— O nome da praga é Tainá? — Concordei com a cabeça. — Além de sonsa é burra, trocar a vidinha de luxo pra ficar se envolvendo em B.O cá em cima.
— Mandar o papo pra você, pensei que tu era r**m de briga mas deu mó coça na loira.
— Foi a raiva do momento.
— Percebi, mas bora limpar esse teu arranhão aí no braço porque tá parecendo que você brigou com um gato.
— Tá mais pra cachorra mesmo — ela falou e eu ri da cara dela.
Ajudei a mandada a limpar os machucados e ela ficou fazendo drama dizendo que tava ardendo. Ninguém mandou brigar na rua, agora ela que aguente.
— Cheguei com informações, família! — gritou o Moura entrando na sala junto com a Nara.
— Fala aí pra nós.
— A loira tá no postinho e o acontecido tá circulando os quatro cantos do morro, até no Twitter daqui a fofoca já saiu.
— Já era de se esperar — falei ligando a TV.
— Mas por incrível que pareça o boato que tá rolando é que a Cecília bateu na loira porque ela tava espalhando mentiras sobre ela, o que realmente é verdade — falou a Nara enquanto mexia no cabelo da Céci.
— Até o povo tá ligado que essa mona é problemática — falou a Céci rindo.
— O que essas meninas veem no Palhaço em? Tá passando mel no corpo só pode — falou o Moura enquanto ria.
— Fazer o que se o pai é bonito e gostoso.
— Se manca, ovo mole — falou a Cecília fazendo todos rirem.
O Moura foi levar a amiga da Céci em casa e eu chamei ela pra subir na laje e ficar lá sentados observando o movimento.
(...)
Enrolei um baseado e acendi logo em seguida, levando na boca e soltando a fumaça. Percebi que a Cecília tava me encarando demais.
— Qual foi que tá me encarando desse jeito?
— Deixa eu dar um trago?
— Tá ficando maluca é, Cecília?
— Tô precisando pra poder desestressar — falou voltando a olhar para frente.
Estendi a maconha pra ela e logo ela pegou e deu um trago, depois fechou os olhos e soltou a fumaça.
Fiquei encarando aquilo estático. A garota consegue ser bonita e sexy até fumando um.
— Papo reto, se tua mãe souber que eu te dei isso aí ela me mata e joga meu corpo pros urubu comer.
— Realmente, mas não é nada que eu nunca tenha feito antes — falou dando mais um trago.
— Chega né, gata. Daqui a pouco tu tá vendo bicho aí — falei tomando a maconha da mão dela.
— Você pensa em ter filho?
— Já tá chapada? A onda bateu rápido em tu, neguinha.
— É sério, só é uma curiosidade.
— Ter eu até tenho, mas nessa vida que eu levo é meio complicado ter uma cria. E você?
— Talvez — ela falou encostando a cabeça no meu ombro.
— Acho que futuramente você vai ser uma boa mãe — falei encarando o rosto dela que até então estava de olhos fechados.
— Você vai ser um bom padrinho para o meu futuro filho — ela falou abrindo os olhos e me encarando de volta.
— Mané padrinho, eu vou ser é o pai — falei tentando irritar ela, mas a mandada deu um sorriso de canto ainda me encarando.
Senti a mão dela acariciando o meu rosto. Fui me aproximando cada vez mais dela até que nossos lábios se encontrassem.
Diferente da primeira vez, esse beijo foi mais calmo, porém necessitado. Pedi passagem com a língua e ela cedeu facilmente. Encaixei minha mão em sua nuca, puxando de leve alguns fios de seus cabelos enquanto sentia ela arranhando a minha nuca. Terminamos o beijo com ela mordendo de leve o meu lábio inferior.
— Sei que isso vai aumentar teu ego pra c*****o, mas eu tenho que falar que tu beija bem demais — falei puxando a nuca dela de volta e dando um selinho rápido.
— Eu sei, tive que praticar muito com os bofinhos.
— Cheia de graça tu né — falei dando um puxão no cabelo dela, e logo ela revidou com um tapa nas minhas costa.
— Ai, filha de uma mãe! — falei esfregando o local.
— Pra tu ficar esperto, parceiro — falou enquanto ria.
O clima tava bom com ela em cima da laje, nós dois estávamos na mó paz, mas como nem tudo são flores o meu radinho apitou.
Radinho on
"Fala aê, menor."
"Ei, chefe! Surgiu um possível problema aí, e tem que resolver essa parada rápido pra depois não prejudicar ninguém."
"Já é, marca dez aí que eu tô chegando."
Radinho off