cap 27 não vou usar

1306 Words
Guto Feião pro Palhaço e pra Céci, o Palhaço tem mais erro no cartório, isso é fato, mas o certo era os dois sentar e conversar feito adultos. Mas estamos falando de um bandido cabeça dura e uma garota orgulhosa pra c*****o. Fiquei fazendo minhas entregas numa boa quando avistei uma novinha linda, toda princesinha mesmo. Cabelo castanho ondulado, olho meio esverdeado, vestida com um vestido longo. Percebi que a menina tava toda desengonçada carregando um bando de sacolas. Eu, como sou muito cavalheiro, fui oferecer minha humilde ajuda. — Quer ajuda aí? — perguntei e ela se virou assustada. — Aaannn... precisa não, eu dou conta — respondeu com um sorriso no rosto. — Larga a mão de ser orgulhosa, garota — falei, já tomando duas sacolas da mão dela. — Obrigada — deu um sorriso desajeitado. — De nada. Mora por onde? — Ao lado da igreja que tem perto da quadra. Depois que ela falou isso, eu arregalei o olho de um modo que eu nem sabia que conseguia. — Perai, tu é filha daquele pastor doidão que fica gritando na praça? — Anham, mas porquê doido? — O cara fala que quem não for pra igreja dele tá condenado a descer sem nem ser julgado. — Mas é verdade. Não tem que ser especificamente a igreja dele, mas quem não conhecer a Palavra acaba sendo deixado para trás e não acaba tendo a salvação. — Amém, irmã! É agora que você me convida pra um culto? — perguntei, gastando com a cara dela. — Não, é capaz de eu te chamar e quando você pisar os pés lá dentro você cair — falou, pegando as sacolas que estavam na minha mão e atravessando a rua, já que tínhamos chegado em frente a casa dela. — Ei, garota, eu não entendi isso legal não, em. Tá me chamando de demônio é? — perguntei parado com a mão na cintura, vendo ela abrir o portão e rir logo em seguida. Depois que terminei de fazer as entregas, fui na praça ficar de marola e encontrei a Céci sentada tomando açaí. Nunca vi uma mulher comer tanto açaí igual ela, papo reto. Não sei como não enjoa. — De qual foi que tá aí sozinha? — perguntei, me sentando ao lado dela. — Pensando na vida. E você? Por que tá com essa cara aí? — Tu acredita que a menina me chamou de demônio? — Ué, assim de graça? — De graça! Ela disse que se eu entrasse dentro da igreja eu caía na hora — falei, e ela começou a rir da minha cara. — Mas fala aí, tu tava fazendo o quê que tá aí todo suado? — Tava na atividade, mas não quero muito papo com tu não, em, parceira. — Nossa, te fiz o quê? — Tava me traindo lá no baile, vou mandar meus de fé te deixar careca — falei, fazendo mó marra de brabo. — Amor, isso aí é fake news. Eu prometi que iria te esperar, não foi? — perguntou, passando o braço em volta do meu pescoço. — Isso não cola comigo não, n**a. Mas falando sério agora, teu patente tá alto em, fia. Pegar o dono do Jacarézinho... — Guto, eu juro pra você que eu não sabia. Só depois que a menina me falou quem ele era. — Tu é mó monga, Cecília, papo reto. Como tu não sabia quem era o dono do Jacarézinho? — Não sou muito ligada nesses negócios não. Eu sempre ouvia falar dele por conta das intrigas que ele tinha com o Palhaço, mas nunca nem tinha visto uma foto sequer. — Tu fez tua vingança, pô. O Palhaço pegou a n**a que tu odeia e tu pegou o cara que ele odeia. — Mas eu fiquei sem saber, já ele... — Vocês dois tem que trocar um lero. Tá feio pros dois ficar nesse "chove ou não molha". — Se depender de mim, vai ficar assim pra sempre — ela falou sussurrando. — Deixa de ser orgulhosa, sua otária — falei, puxando uma mecha de cabelo dela. — Não é eu que tô no erro pra poder pedir desculpas. — Vocês que sabem de ficar nesse ódio todo. Eu tenho que ir em casa agora cuidar do meu velhinho. — Vai lá — falou, me dando um abraço. Resolvi passar no mercadinho e comprar os biscoitos que meu avô gosta, depois fui cortando as vielas pra chegar mais rápido. Em uma dessas vielas, dei de frente com um fardado. Papo que o coração gelou bem na hora. — Tá fazendo o quê aqui em, rapaz? — Eu moro por aqui, tô indo em direção a minha casa. — Encosta aí na parede, quero te revistar. — Mas eu não fiz nada pra tu querer me revistar, tava passando tranquilo com minhas compras aqui. — Sua cara não me agradou não, garoto. Tu deve tá no erro seu vagabundo. Quando fui me virar pra ele poder fazer a revista, eu escuto uma voz mandando ele parar. Me viro e vejo a Cecília com uma cara de poucos amigos. — Não se mete não, menina. Se não sobra pra você também — falou, chegando mais perto dela. — Só não tô entendendo essa tua revista aí no garoto. Ou só é porque a vossa senhoria não gostou da cara dele? — Tem nada disso não. O garoto estava aqui uma hora dessa passando pela viela sozinho com uma sacola, isso me levantou suspeitas. — Que eu saiba, só é permitida a revista sem mandado quando há indícios que justifiquem a suspeita de porte de arma ou objeto relacionado a crime. Além disso, o policial não pode ameaçar, ser agressivo ou xingar a pessoa que supostamente seria revistada. E você fez tudo isso em menos de dez minutos — ela falou, e o policial trincou o maxilar olhando para ela. — Posso saber de como você sabe sobre essas coisas? — Sou advogada — juro que vi o fardado ficar pálido. — E o que uma advogada faz em um lugar como esse? — Eu nasci e me criei aqui, tenho família aqui, sei das minhas origens. E o que um policial faz aqui aparentemente sozinho? — Vim resolver uma pendência familiar também. Desculpa aí qualquer m*l entendido — falou e se retirou logo em seguida. — Salvou minha pele, Céci — falei, voltando a andar. — Você tava com alguma coisa aí? — Tô com um pino. O cara que encomendou não estava em casa. — Quero entender o que esse cara tava fazendo aqui, ainda por cima sozinho. — Esse papo de parente não colou não. Ele tinha que mentir igual a você, né não, advogada? — Cala boca que eu salvei tua pele! E eu não menti, eu só omiti, porque realmente estou cursando Direito. — Você vai ser uma boa advogada no futuro. — Valeu. Mas me passa esse pino aí que tá com você. — Não, tá maluca? — falei rindo. — É sério, Guto. — Tem que pagar primeiro, vai achando que é fácil. — Você não tá achando que eu quero usar esse negócio não, né? — Então tu quer pra quê? — perguntei todo leigo. — Vou levar pro verdadeiro dono e tentar entender sobre umas coisas aí. — O Palhaço? — ela concordou com a cabeça. — Toma. Tentem se entender, apesar que a minha intuição diz que você está indo lá discutir com ele. — Sua intuição está totalmente certa — disse sorrindo enquanto dava meia volta na viela. — Não faz merda em, Cecília! — gritei e ela olhou para trás fazendo um "joia" com o dedo. Esse negócio de policial aqui dentro vai dar muito r**m. Primeiramente, como esse cara entrou e o quê realmente veio fazer aqui?
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