cap 19 que papo feio

746 Words
Cecília O jogo já estava rolando e o time da Maré estava ganhando de 1 x 0. — Eu não boto fé que os meninos vão perder pros cara da Maré não — falou a Nara com um tom de indignação. Só foi a madame fechar a boca que o Moura fez o gol. — Se eu soubesse tinha falado isso mais cedo — falou, tirando risada da galera que tava na mesa. O juiz apitou informando que tinha acabado o primeiro tempo. Enchi meu copo com mais cerveja e reparei o Palhaço vindo na nossa direção com um garoto. — Salve família, vim só dar um gole nessa cerveja mesmo pra ver se eu desperto em campo. — Quem é o garoto? — perguntei curiosa, vendo o menino todo tímido. — Esse é o Guto, meu cria mais novo pô. — Quantos anos tu tem? — falei bebendo o que restava no meu copo. — Dezoito — falou dando um sorriso de lado. Em um reflexo rápido o Palhaço só deu um pescotapa no garoto, que eu nem entendi o porquê. — Tá batendo no garoto porque em, Pedro? — falou a Tia Ana encarando o filho. — Tá mentindo a idade esse bandido mirim, tem só dezesseis anos. — Novinho e já tá na atividade em, garoto — minha mãe falou olhando pra ele. — Foi por falta de oportunidade, tia. Essa foi a minha única saída — ele falou olhando diretamente para ela. — Caso de muitos por aí — falei, e ele concordou. — Senta aí com a gente. Ele veio todo empolgado e se sentou ao meu lado. Logo o juiz apitou informando que já iria começar o segundo tempo. — Tô de olho em você viu, moleque — falou o Palhaço apontando pra ele. O Guto deu uma gargalhada e piscou pro Palhaço em seguida. O juiz deu continuação ao jogo e os meninos daqui do morro voltaram mais focados. Eles estavam com mais passe de bola, isso era bem nítido. Em oito minutos de jogo veio mais um gol, só que dessa vez do Palhaço. As meninas na arquibancada fizeram uma gritaria que só. Já nos últimos minutos do segundo tempo, um vapor tentou fazer o gol, só que o goleiro bateu a mão, fazendo com que fosse escanteio para o nosso time. O LP foi bater o escanteio e assim gue ele bateu, a bola entrou certinha na rede, fazendo todos comemorarem. O juiz apitou novamente encerrando a partida. Rocinha 3 x Maré 1 — Se preparem que agora esse povo vai comemorar até dizer chega — falou a Tia Ana rindo. Depois que terminamos nossa cerveja fomos pra praça. Ficar aquino campo não rolava de geito nenhum, muita gente e eu já tô prevendo as brigas que vão rolar por aqui. Minha mãe e a Tia Ana animaram e foram dançar um pagodinho que tava tocando. Logo em seguida os dois patetas chegaram fazendo graça. — Eai, Cecilião, suave? — falou o Moura me dando um beijo na testa e logo em seguida um beijo na bochecha da Nara. — Cadê as coroas? — perguntou o Palhaço se sentando na mesa. — Tão ali dançando — falou a Nara apontando na direção delas. — Ih, qual foi desses velhos cachaceiros rodando minhas coroas? — falou o Palhaço de cara fechada. — Deixa elas se divertirem. — Também não gostei disso não, esses velhos barrigudos cercando minhas cabeça branca — falou o Moura encarando as duas dançando. — As duas são bonitas, tem que ir pra jogo mesmo — falou o Guto analisando elas. — Que isso em, Guto? Além de tá interessado na Cecília tá atrás da mãe dela também — falou o Moura rindo. — Cala boca, garoto fofoqueiro! Nunca mais falo nada com você, papo reto. É mentira viu, Cecília? Acredita nele não — disse o Guto boladão, com um bico na cara, e o Palhaço só sabia rir da situação do menino. Vou dar um bônus pro moleque sair por cima da situação... — Poxa Gutinho, pensei que era verdade, tinha até ficado feliz agora — falei encostando minha cabeça no ombro dele. — Papo feião em, Cecília! Te orienta sua vacilona, menino tem só dezesseis anos — falou o Palhaço parando de rir na hora. — Dezesseis pra vinte nem é tanto assim pô — soltou o Guto, fazendo todos na mesa gargalhar. — Cecília para baixinhos — disse a Nara entre risos.
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