Cecília
Dia de fazer feira com a minha mãe e eu logo colo nela pra poder comprar várias besteiras. Peguei três pacote de Doritos e taquei dentro do carrinho.
— Tu parece criança quando vem no mercado.
— A minha criança interior desperta quando vejo tanta besteira pra comer.
Pagamos tudinho e fomos saindo do mercado. Pisei meu pé de princesa na rua e vi aquele sol de lascar e uma ladeira maior do que minha vida pra subir. Me arrependi legal de ter vindo agora.
— Pô mãe, vamo ter que subir essa ladeira toda aí mesmo?
— Só tem esse caminho.
Peguei as sacolas e quando ia começar a subir vi o LP subindo na moto dele no outro lado da rua.
— EEII, LP!
Ele ficou procurando quem o chamou até que me viu e veio na minha direção.
— Eai, Cecília, suave? Eai, tia — falou fazendo um toque comigo e apertando a mão da minha mãe.
— Foi um anjo gue te enviou! Tem como você levar essas sacolas lá em casa não?
— Tem pô! Ia lá na tua casa te chamar mesmo.
— Chamar pra quê?
— Moura pediu pra te acionar pra poder ir lá no campinho mais tarde. Vai rolar a a******a do torneio e ele pediu pra tu levar tua amiga também.
— Tô sabendo desse torneio mesmo.
— Sobe aí na garupa que eu te levo. Eu chamo ali outro parceiro pra poder levar tua mãe.
Melhor que isso impossível. Ele chamou um amigo dele e logo depois os dois tocaram lá pra casa rapidinho.
(...)
Mandei mensagem pra Narinha colar mais tarde comigo no torneio e ela disse que topava.
— Bora com a gente pro torneio mais tarde, mãe?
— Só se rolar uma cervejinha, tô com uma vontade absurda — falou rindo.
— A gente compra no barzinho que tem lá perto.
Ela concordou e logo fomos fazer as coisas de dentro de casa. Minha mãe foi limpar a casa e eu fiquei com o almoço.
Coloquei aquele feijão pra cozinhar, arroz branco, saladinha de alface com tomate e um bife acebolado. Terminei e chamei ela pra comer.
(...)
Depois de almoçar fui tomar um banho e me arrumar. Vesti um cropped faixa azul BB e um shorts branco que fica folgadinho nas pernas.
— Tá pronta, mãe?
— Tô — falou saindo do quarto dela.
— Tá gata em, dona — falei analisando a gata de cima abaixo.
— Para de graça, menina — falou toda tímida. — E cadê a Nara?
— Já tá por lá.
O campo é pertinho daqui de casa então é só lucro. Fechamos a casa todinha e fomos fofocando o caminho todinho até chegar no campo.
Negócio tava lotado, gente de todo canto do morro e até mesmo de outros morros. Demorei um pouquinho pra achar a Nara, mas assim que achamos fomos logo se sentar.
— Que milagre é esse que a tia veio?
— Milagre mesmo, só a Cecília pra me tirar de dentro de casa num sol desse.
— Pra senhora distrair a mente, tem que aproveitar enquanto suas férias não acabam.
Fui no bar e peguei dois litrão geladinho e logo voltei pra nossa mesa.
— Eita gue, as mais belas do morro estão todas reunidas — chegou o Palhaço junto com a Tia Ana.
— Larga de ser bobo, menino — minha mãe falou rindo.
O Palhaço puxou mais uma mesa e juntou com a nossa, fazendo todo mundo ficar reunido.
— E o Moura cadê? — perguntou a Nara olhando pro Palhaço.
— Daqui a pouco ele cola aí, só foi pegar a chuteira dele.
Continuei bebendo minha cerveja, até que senti alguém cutucar minha perna por debaixo da mesa. Olhei pra frente e o Palhaço me encarou e fez sinal pra mim poder acompanhar ele.
Ele levantou e saiu sem falar com ninguém. Depois de cinco minutinhos eu levantei falando que ia no banheiro e fui na direção que ele tinha ido. Avistei o bocó paradão na viela de cima com a mão na cintura.
— Demora do c*****o.
— Sorte sua que eu vim, mas diz aí qual foi.
Ele deu um sorriso safado e me puxou pelo braço me prendendo contra a parede.
— Sei lá... talvez um beijo.
— Se situa, bofe! Tá achando que é fácil assim?
— Que bofe o quê, minha filha, tá tirando é?
Comecei a rir da cara dele e o maluco aproveitou para poder puxar minha nuca e me beijar. O beijo tinha começado lento, porém foi tomando uma certa intensidade e ele começou a descer a mão para minha b***a enquanto eu passava a mão pelo seu abdômen.
— Chega — falei me afastando. — Os moleques já devem estar te procurando pra jogar.
— Chatona você em. Vou ir primeiro que tu, tchau — me roubou um selinho e foi saindo.
Respirei fundo e meus pensamentos já foram ficando um turbilhão.
Não vou mentir que tô me preocupando de ficar com o Palhaço. Medo de estragar uma amizade de anos e comprometer o meu futuro de alguma maneira. Sei bem como as coisas funcionam quando você se torna mulher de bandido, vi o sofrimento que a Tia Ana passou com a perda do esposo.
Eu tô é pensando alto de mais... isso não vai passar de beijos. Na real, esse foi o último... eu acho.