Giovanna narrando A minha vida nunca foi fácil. Na verdade, se eu for honesta comigo mesma, ela sempre foi um inferno disfarçado de rotina. O meu pai nunca foi uma pessoa boa. Nunca foi um homem amoroso, protetor ou mesmo presente no sentido positivo da palavra. Ele era uma presença constante sim, mas uma presença que sufocava, que aterrorizava, que machucava. Nunca fez questão de ser algo diferente disso. E desde que eu me entendo por gente, tudo que ele pôde fazer para destruir a vida da minha mãe, ele fez. Com gosto. Com frieza. Com ódio. Eu vi coisas. Coisas que ninguém devia ver. Eu ouvi coisas. Eu senti coisas. E tudo isso me moldou de uma forma que eu nunca desejei. Cresci com medo, cercada por ameaças. Graças a Deus — e eu digo isso com o peso e a gratidão real — ele nunca me t

