Iara narrando Eu puxei o braço de volta instintivamente, mas não com agressividade. Meu coração ainda batia acelerado, mas não mais de pânico. Era outra coisa. Era percepção. Ele tinha visto. Visto minha fragilidade. Visto meu desespero. Visto o quanto aquele jantar tinha me esmagado. — Eu só vim tomar água — respondi, tentando recompor a postura, limpando o canto da boca com as costas da mão — essa casa é quente demais. Ele inclinou levemente a cabeça, analisando cada microexpressão no meu rosto. O silêncio entre nós não era constrangedor. Era denso. Estratégico. — A casa não é quente — ele disse por fim, a voz baixa — a situação é. A forma como ele disse aquilo me fez perceber que ele também estava explodindo por dentro. Talvez não pelo mesmo motivo que eu, mas pelo mesmo sentimen

