Lavínia narrando
Ajeito meu ponto no ouvido e sorrio para o velho que será roubado e denunciado esta noite. Pego a taça que ele me oferece e observo as bolhas borbulhantes – ele colocou algum remédio dentro.
— Um brinde, à minha festa incrível e à minha riqueza — diz ele, rindo com os outros senhores, enquanto levo a taça aos lábios sem beber.
— Conseguimos achar o cômodo, Lavínia. É no segundo andar, vá com o pen-drive — dizem no meu ouvido.
— Senhor Lincoln, eu já volto — digo, sorrindo, e me viro para ir embora, mas ele segura meu braço com força, ri e aproxima sua boca nojenta do meu ouvido.
— Onde pensa que vai, boneca? Você quer dinheiro e visibilidade igual a todas as putas que conheço. Tem que ficar ao meu lado para eu te exibir — ele diz, e minha mão coça para socar sua cara. Apenas um soco no lugar certo e ele cairia morto.
Infelizmente, não posso matar minha vontade e estragar a missão.
— Eu realmente preciso ir ao banheiro — ele continua me olhando, então apelo. — Preciso fazer xixi.
Digo baixinho em seu ouvido e ele ri.
— Segure para mais tarde. Quero uma chuva em nossa noite — ele diz, e meu corpo ferve de nojo. Espero poder matá-lo depois de pegar os arquivos.
— Nossa noite? — pergunto, no modo atriz, e ele desce a mão para minha b***a, apertando-a.
— Ora, bonequinha, eu não trago alguém comigo para festas sem intenções. Agora venha — ele me puxa para o grupinho de velhos nojentos com acompanhantes bonitas.
Coitadas delas. Se em poucas missões já fico com nojo e querendo matar a todos, sinto dó delas.
— Plano B. Vamos levar o s*********y lá para cima. Fique pronta para reforços — avisam no ponto. Não respondo, procurando em volta no salão.
Pisco em código Morse para o cara mais lindo daqui, de terno, que sorri para mim enquanto gira a senhora que o acompanha na pista.
O Brad fala algo para ela ao fim da música e ela o beija na boca, apertando suas bochechas antes de se retirar discretamente.
Vou te contar, passamos cada coisa por essa droga de máfia russa que não tem nem como explicar de tanta humilhação. Graças a mio Dio que está terminando.
Me preocupo vendo um grupo de seguranças andando por onde o Brad passou e tento fazer o sinal com a mão para a minha equipe. Me assusto com o velho nojento apertando minha cintura para perto dele.
— Suba para este quarto — o nojento Lincoln diz, me entregando uma chave com número. — Me espere peladinha na cama. Subirei daqui quinze minutos, talvez com companhia.
Ele fala e aperta minha b***a novamente antes de se voltar para os amigos. Ando elegantemente pelo salão até o corredor mais vazio.
Quem me vê por fora não imagina as torturas que passam na minha mente. Talvez servir à máfia russa por alguns anos tenha me mudado.
Apresso meus passos tentando ver para onde os seguranças vão, o que é quase impossível de salto e silenciosamente.
Consigo escutar suas vozes e diminuo a velocidade, prestando atenção no que o Brad inventa.
— Você não tem permissão para ficar aqui. Se retire — dizem para ele. Vejo minha deixa de entrada.
— Ah, finalmente te encontrei. Vamos logo, Spencer. O senhor Lincoln quer que nós dois o esperemos no quarto — falo para ele, que sorri aliviado.
— Desculpe, senhorita, mas o pegamos no local — levanto a mão, interrompendo.
— Ele só estava perdido. Vai querer desobedecer as regras do senhor Lincoln? Ele quer eu e o rapaz no seu quarto em poucos minutos. E se nós atrasarmos, vou contar o que aconteceu.
— Eu duvido que o senhor Lincoln queira — ele olha o Brad de cima a baixo. — Um parceiro extra na relação dele.
— Ah, vocês não devem saber um terço do que o Lincoln gosta — o Brad fala e passa a mão rápido e leve por cima da sua genital. Os guardas ficam sem graça.
— Podem ir — os guardas nos liberam e ando ao lado do Brad para o elevador.
Quando as portas se fecham, me olho no espelho, passando batom. O Brad sabe que é um sinal de que cada passo nosso está sendo filmado nesta caixa.
Assim que entramos no quarto do velho, tranco a porta e suspiro de alívio. Não há câmeras neste quarto para ninguém saber o que acontece com as pobres garotas que o Lincoln usa.
— Você vai ter que entrar no duto de ar e ir para o escritório — falo para o Brad, prendendo meu cabelo.
— Vou sujar todo meu terno fazendo isso — ele diz, com nojo, e começa a desparafusar a tela que o impede.
— Melhor do que aquela senhora te agarrando, não? — ele faz cara de nojo e revira os olhos.
— Você vai ficar aqui? Esperando aquele babaca? — ele pergunta, vindo até mim e acariciando meu rosto.
— Eu sei me cuidar, e digamos que quero dar um fim ao que ele faz com as meninas — falo, e ele assente, me dando um beijo antes de entrar no tubo.
Fecho a tela, parafusando tudo novamente. Me sento na cama, observando o lugar, e vejo uma gaveta trancada. Pego meu brinco, enfio na fechadura e consigo abrir.
Pego as fotos, confusa. São de alguns homens conversando. Junto, há impressões de documentos e contratos. Ligo meu comunicador, avisando:
— Achei fotos suspeitas no quarto do Lincoln. Devo levar?
— Que fotos? — perguntam curiosos, e tento ler rapidamente os documentos.
— Parece doações de propriedades, um documento por silêncio em um caso de uma tal Carla, e fotos de dois homens tiradas de longe.
— Pegue. Agora, tome cuidado, o Lincoln está chegando. Não o mate.
— Como não? — pergunto, furiosa.
— Queremos ele vivo para dar mais informações — falam e reviro os olhos.
Corro para destrancar a porta e me sento na cama rapidamente. Em segundos, a porta é destravada e o Lincoln entra, sério.
— Por que ainda está vestida, coelhinha? — ele abre uma champanhe com a boca e fecha a porta.
— Fiquei com vergonha — falo, tentando ser doce, e ele sorri, pegando duas taças.
— Nos sirva, coelhinha. Vou ao banheiro e quando voltar, quero você sem roupa.
Sou rápida servindo e abro a tampa do meu anel, soltando uma pequena dose de sonífero. Ele vai acordar só amanhã.
— Cheguei — ele fala, me segurando por trás, e pego as taças.
— Um brinde?
— Eu prefiro beber depois — ele fala, beijando meu pescoço, e quase vomito de tanta repulsa.
— Por favor, fico com vergonha de beber sozinha — falo, fazendo carinha, e ele pega sua taça, virando na boca.
— Pronto. Agora quero aquela chuva dourada que... vamos para a cama — ele me puxa e olho no relógio da parede. Trinta segundos e ele cai. — Vem, vem.
Ele se joga na cama, abrindo a blusa, e finjo ter problemas para tirar meu sapato. Escuto ele bocejar e se bater para ficar acordado. Quando me ergo novamente, seus olhos se fecham, cansados.
— Ainda bem — falo e finalizo o plano, deixando ele como se algo realmente tivesse acontecido.
[...]
Saio do quarto após esperar um tempo. Os seguranças me deixam passar, dando risadinhas, e ignoro, mesmo querendo acabar com eles.
Saio de fininho para fora da mansão, procurando no estacionamento meu carro de fuga.
Escuto o assobio que já é tão familiar para mim e olho para uma janela do terceiro andar.
— p**a merda — falo baixo e corro para o carro, pegando a chave que estava escondida na roda traseira.
Vejo o Brad cair da janela e seguranças perseguirem ele no chão. Sou rápida em correr atrás deles de carro, disposta até a atropelar quem não sair da minha frente.
Abro a janela do passageiro e passo pela lateral, entrando na frente deles. O Brad entende e pula pela janela, conseguindo entrar apenas da cintura para cima. Ele fica pendurado e, sem tempo de ajudá-lo, giro com o carro, manobrando.
— Se segura.
— Ah, desculpa. Eu estava aqui brincando e tentando levar uma bala no r**o de propósito — ele fala e dou risada, avançando com o carro sobre os seguranças que atiram.
Mas, quando não paro, eles se jogam para longe e me deixam passar. Piloto acima da velocidade permitida por mais uns três quarteirões para ter certeza.
— Segura minha mão — estico para o Brad e o puxo para dentro.
Ele passa o cinto antes de respirar fundo.
— Obrigado — ele fala, e levanto meu vestido, tiro as provas que peguei e amarrei na minha coxa e entrego para ele.
— Essa foto estava no computador, em uma pasta de chantagem — dou de ombros.
— Agora não é mais nossa função — troco de marcha, vendo três carros pretos surgirem atrás da gente, nossa retaguarda.
Tiro o ponto do meu ouvido, desligando, e o Brad faz o mesmo.
— O que vai querer comer hoje à noite? — pergunto para ele, que suspira.
— Você com vinho de acompanhamento — ele fala, e bato nele, rindo.
— Nós dois sabemos que quem come alguém aqui sou eu — falo, e ele passa a mão na minha coxa, subindo meu vestido novamente.
— É o que vamos ver — ele responde, com um sorriso provocante.