Capítulo 6 - O Canto da Sereia: parte 4

1297 Words
Martiniel e Mirna se entreolhavam, apaixonados. Ainda assim, Mirna percebe que Martiniel estava diferente. - Por que está me olhando assim, Martiniel? Nunca me tem visto antes? - pergunta Mirna, encabulada. - É que agora estou percebendo ainda mais a sua beleza! - responde Martiniel. Na verdade, Martiniel sabia do futuro incerto que o aguarda, por isso teme que chegará um dia em que não verá mais a sua amada. Entreolham-se por mais instantes, até que, do nada, Mirna resolve contar uma novidade. - Sabia que vai ter uma festona lá em cima no morro? - pergunta Mirna. Martiniel fica intrigado. - Como você sabe disso? - pergunta Martiniel. - As meninas me falaram! - responde Mirna, vagamente. Martiniel começa a se preocupar. - Você vai? - pergunta Martiniel, temeroso. Mirna sorri por instantes. - Não, não vou! - responde ela, secamente. - Por que não? - insiste Martiniel. - Porque é uma festa reservada para convidados e eu não fui convidada! - responde Mirna. A resposta deixou Martiniel um pouco aliviado. Martiniel pega a mão de Mirna e ambos ensaiam um beijo, mas estavam tímidos demais para tanto. - Vou cuidar para visitar a Ivone! Depois a gente se vê! - diz Mirna, timidamente. Martiniel observa Mirna descendo a rua. Depois ele ruma para casa. Ao entrar em casa, seus pais já o aguardavam, apreensivos. - Onde você estava, Martiniel? - inquire seu Onofre. Martiniel nada fala, apenas senta-se no sofá, pensativo. - Estava jogando bola... - responde Martiniel, timidamente. Seu Onofre não se dá por convencido. - Jogando bola desde as 4 da manhã? - pergunta o pai. - É uma peneira para o time do bairro, pai! - responde Martiniel, um pouco impaciente. Seu Onofre olha Martiniel, desconfiado. - Não sei de nenhuma peneira para time nenhum aqui nas comunidades, e mesmo assim, o João da Bodega me avisaria se tivesse alguma! - retruca seu Onofre, um pouco incomodado. Dona Ozenilda ouviu se Onofre levantar a voz e foi ver o que se passava. - Que houve, Onofre? - pergunta dona Ozenilda, já preocupada. - Martiniel disse estar em uma peneira para um time da comunidade. Se essa tal peneira estivesse acontecendo eu seria avisado! - responde seu Onofre, impaciente. - Para que a preocupação, Onofre? Se ele tá dizendo que tá fazendo uma peneira vamos acreditar nele! Faz tempo que ele joga bola na comunidade e espera uma chance de entrar no time do bairro! - responde dona Ozenilda, suplicante. Seu Onofre, inconformado, olha para dona Ozenilda e depois para Martiniel. - Vou acreditar em você desta vez, mas se você estiver metido em alguma coisa errada eu vou saber de qualquer jeito! - avisa seu Onofre, olhando firme para Martiniel e retirando-se para o quarto, aborrecido. Dona Ozenilda olha tristemente para o filho, que estava perplexo no sofá. - Filho, faça essa peneira! Pode ser sua chance de ter uma vida melhor! - incentiva dona Ozenilda, fazendo um cafuné na cabeça de Martiniel, que a olha triste, com os olhos quase chorando. - Vou terminar de preparar o jantar! - diz dona Ozenilda, voltando para a cozinha. - Mãe, não vou jantar aqui hoje! - avisa Martiniel. Dona Ozenilda volta da cozinha, preocupada. - Por quê? - pergunta ela. - Vou jantar na casa de Zaroio com alguns parças do time pra gente planejar como será o próximo treino. - Fique com a gente! Deixa para ir outro dia! Olha, eu fiz sardinha com arroz refogado, que é o prato que você gosta! - insiste dona Ozenilda. Martiniel levanta-se friamente e olha penalizado para a mãe. - Não posso faltar, mãe! Já estava acertado isso! - responde Martiniel, indo para o quarto. Dona Ozenilda volta para a cozinha. Seu Onofre ouviu de longe a conversa. Sai do quarto devagar e vai até a cozinha. - Ele nunca deixou de jantar com a gente! - observa seu Onofre. - Dá uma chance, Onofre! Poucas vezes aparece uma oportunidade de ele entrar para o time do bairro! - retruca dona Ozenilda, penalizada. Se Onofre coça o queixo, pensativo. - Amanhã vou perguntar a alguém se sabe de alguma coisa... - reflete seu Onofre, preocupado. Dona Ozenilda olha para seu Onofre preocupada. - Vê se não vai fazer besteira, Onofre! - diz ela, decicida. - Besteira nada! É até para o bem dele! - retruca seu Onofre, irredutivel, voltando para o quarto em seguida. Anoitece. Maritniel sai do quarto arrumado. Seu Onofre e dona Ozenilda estavam na cozinha, jantando. - Que horas você volta, filho? - pergunta dona Ozenilda. - Não sei, mãe! - responde Martiniel, secamente, saíndo em seguida. Enquanto isso, no barracão, a festa já estava sendo montada, com DJs, muita comida e muitos convidados, a maioria, mulheres. Capitão estava sentando em uma cadeira perto de uma mesa. Pouco depois Pé-de -c***a e Dente-de-Onça se aproximam. - Capitão, Cavalo chegou! - informa Pé-de-c***a. Nisso, um grupo de homens equipados surge do nada e no meio desse grupo estavam Cavalo e sua namorada Ju. Ju era uma bela morena esbelta, de longos cabelos castanhos, atraindo os olhares por onde passa. Os homens procuravam não olhar muito para ela. Ao se aproximarem, Capitão levanta-se respeitoso. - Chega aí , Cavalo!- exclama Capitão, animado. Colocam duas cadeiras perto de Capitão, sendo uma para Cavalo e outra para sua namorada, Ju. Cumprimentam-se antes de se sentar. Trouxeram comes e bebes para a mesa de Capitão. - Fica à vontade, Cavalo! Minha casa, sua casa! - exclama Capitão. - Valeu, Capitão! Tamo junto na sociedade! - responde Cavalo. - Sua senhora também fique à vontade! - diz Capitão, respeitosamente, para Ju. - Obrigada! - responde Ju, sorrindo agradecida. - Eu soube que tu descobriu que um dos teus homens era um X9... - diz Cavalo, um pouco surpreso. Capitão olha para os lados, um pouco desconfortável. - Pode crer! O cara me dedurava para o Pirata! - retruca Capitão, lamentoso. - Pirata tem muita influência nas comunidades baixas! Ele quer subir o morro! - revela Cavalo. - Não vou deixar! - responde Capitão, inflexível. - Ele ligou pra mim ontem! - revela Cavalo, confidencialmente. Capitão, incrédulo, se surpreende. - Aquele filho da...! O que ele te disse? - pergunta Capitão, interessado. - Ofereceu sociedade para mim! - responde Cavalo, friamente. - O mala do Pirata dando em cima de um sócio meu! - reflete Capitão, apreensivo. - Ele tá oferecendo sociedade pra tudo mundo lá das bandas da praia até o pé do morro! O que ele quer é tomar o morro! - devolve Cavalo, provocativo. Capitão raciocina por instantes. - O que você respondeu? - pergunta Capitão. Cavalo sorri maliciosamente, olha ao redor e volta-se para Capitão. - Que eu não posso fazer isso. porque já sou seu sócio! - responde Cavalo, tomando um gole de bebida. Capitão continuava incrédulo. - O que ele te ofereceu? - pergunta Capitão. Cavalo pensa sério por instantes. - Tua parte e parte do Bairro da Curva! - responde Cavalo, sério. Capitão olha para a festa por instantes. Pensa bem o que vai dizer. - Até entre a gente deve ter alguma lealdade! Você foi leal comigo! No que tu precisar eu te ajudo e vou cobrir a oferta dele! Vou te dar a área dele mais o Bairro da Curva todo! - responde Capitão, incisivo. Cavalo olha para Ju, que sorri, como se tivesse gostado da proposta. - Já é, irmão! - diz Cavalo, oferendo a mão direita para um toque de punho, no que Capitão retribui. Dente-de-Onça se aproxima. - Capitão, olha quem tá chegando! - diz Dente-de-Onça. Capitão sorri. Martiniel e Zaroio ficam a uma grande distância. - Chega aí, Niel! - ordena Capitão. Os dois se aproximam. Ficam parados olhando um para o outro. O que acontecerá?
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